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José Tavares de Barros (1935-2009)

Biografia

José Tavares de Barros foi um cineasta, montador, pesquisador, produtor e ator brasileiro nascido em 06 de agosto de 1935 no Rio de Janeiro (RJ), onde viveu até os 15 anos. Depois foi fazer seus estudos em Nova Friburgo, RJ.

Seu interesse pelo cinema vem da infância. Bem criança, ele recortava os gibis da Disney, Batman ou Capitão América. Com paciência artesanal, emendava os quadrinhos numa longa tira, enrolada em caixa de sapato. Assumia a função de narrador. Valorizava muito a paciência dos seus familiares, forçados a prestigiar suas sessões. Mais tarde, nas férias, na casa dos tios, em Muriaé, a garotada disputava fotogramas jogados no lixo pelo operador do Minas Cinema, que tinha apenas um projetor. Com uma lâmpada esvaziada, cheia d’água, improvisava um projetor de imagens fixas. Ganhava quem tivesse um fotograma colorido, com letreiro. Na época, quase todos os filmes eram norte-americanos.

Nessa ocasião, começou a ter acesso a livros de cinema. Motivado, seu interesse dirigiu-se também a cinematografias de fora dos Estados Unidos, ocasião para assistir a filmes de Eisenstein, Vittorio de Sicca, Roberto Rosselini e Jean Gabin. Manifestou também sua atenção pelo cinema nacional.

Formado em Letras Clássicas em 1959 e em Filosofia em 1961, ambos pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Com especialização em Técnica e Crítica Cinematográfica pelo Centro San Fedeledello Spettacolo e dela Communicacione Sociale, de 1962 a 1964, em Milão, na Itália.

De volta ao Brasil, em março de 1964, foi contratado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), como professor da Escola Superior de Cinema, chegando a ser diretor de ensino.

Naquele momento, até o final da década de 60, motivado pelos festivais JB/Mesbla e JB/Shell, no Rio de Janeiro, surgiram numerosas vocações de produtores e cineastas na capital mineira.

Eram filmes geralmente em 16 milímetros, em preto e branco, a maioria deles com características autorais muito definidas, em temas recorrentes: denúncia de estruturas sociais injustas, solidão, ausência de perspectivas entre as montanhas de Minas. Havia no país toda uma onda de inquietação individual e social, gerando tendências variadas de experiências cinematográficas. Entre os filmes produzidos, vale mencionar Interregno, de Flávio Werneck, Morte Branca, de José Américo Ribeiro, e O Milagre de Lourdes, de Carlos Alberto Prates, este em 35 milímetros.

O movimento da década de 60 caracterizou-se em Minas como um primeiro (talvez único) ciclo coletivo de produção cinematográfica diversificada, correspondente de certo modo à criação artesanal de Humberto Mauro na cidade de Cataguases, na década de 20.

Em 1972, Barros elabora um projeto para conseguir apoio da UFMG na produção do III Encontro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, a se realizar em Belo Horizonte. O encontro ocorreu em 1973, no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas, com os projetores em 35 mm já recuperados. Nessa ocasião o pesquisador Paulo Emílio Salles Gomes havia visitado as filhas de Igino Bonfioli, Sylvia e Leonora, e conseguira delas a primeira parte do longa-metragem Canção da Primavera, de 1923. Durante a sessão de abertura foram exibidos os filmes O Despertar de um Horizonte, de Glueck, e a primeira parte de Canção da Primavera. Suas filhas anunciam solenemente a doação para a Universidade de todos os filmes de Bonfioli. Foram depositadas naquela ocasião 300 latas de filmes em 35 mm. Praticamente toda a produção de Bonfioli está hoje recuperada graças à iniciativa e ao pioneirismo do professor José Tavares de Barros. A partir desse momento, Barros passa a ser uma referência nacional em termos da preservação da memória de filmes no Brasil. Eleito presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB), organiza uma série de encontros em diversas capitais brasileiras.

Em 1974, entra como sócio no Grupo Novo de Cinema e TV, juntamente com Tarcísio Teixeira Vidigal e José Américo Ribeiro.

Obteve o título de mestre em Filosofia em 1980 e de doutor em Literatura Comparada em 1990, ambos pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Em 1992 foi para Lyon, na França, para fazer pós-doutorado, pela Capes, no Centre Nationale de la Recherche Scientifique, onde teve oportunidade de acompanhar o surto europeu do cinema iraniano, liderado por Abbas Kiarostami, que logo em seguida chegaria ao público brasileiro. Posteriormente, acompanhou festivais e mostras de produções sul-americanas, especialmente do México, Colômbia e Argentina.

Foi professor titular da Escola de Belas Artes da UFMG, atuante nas disciplinas de Cinema, Jornalismo, Comunicação e Artes Plásticas por 33 anos. Fundador e presidente do Centro Audiovisual da UFMG. Chefe de Departamento de Comunicação Visual e do Departamento de Fotografia e Cinema, vice-diretor da Escola de Belas Artes da UFMG. Coordenador geral do Festival de Inverno da UFMG por três anos. Membro do Conselho de Extensão e Pesquisa e do Conselho Universitário da UFMG.

Em 1980, Barros é nomeado delegado do Ministério da Educação em Minas Gerais, afastando- se da Escola durante quatro anos. Neste período organiza um encontro nacional de escolas de cinema e desenvolve um projeto de cinema em escolas municipais.

Atuou como professor também na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – Belo Horizonte, Minas Gerais, no Centre Rechercheet Communication (Lyon,França), no Instituto de Teologia y Pastoral en América Latina de Bogotá (Colômbia) e no Instituto Mexicano de Doctrina Social, na cidade do México (México).

Em 1985, foi convidado pelo ministro da Cultura Aluísio Pimenta para assessorá-lo. Passa a fazer parte do Conselho Nacional do Cinema. Foi membro do Conselho Administrativo da Embrafilme, junto com Carlos Augusto Calil e Arnaldo Jabor.

É eleito presidente da Organização Católica Internacional de Cinema – OCIC do Audiovisual para a América Latina, tendo a oportunidade de coordenar cursos, seminários, workshops e produzir vídeos na busca da integração do cinema latino-americano.

Foi membro do Conselho Estadual de Educação, do Conselho de Administração da Embrafilme e coordenador do Cinema & Vídeo da Intercom.

Participou como membro de júris em festivais de cinema em Gramado (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Em Veneza, na Itália, Locarno, na Suíça, La Paz, na Bolívia, San Sebastian, na Espanha, e em La Habana, Cuba.

Barros era constantemente convidado a ser membro de bancas examinadoras de teses na UFMG, PUC-Minas, USP, Unicamp, Universidade Metodista, entre outras.

Por toda sua trajetória dedicada ao cinema, recebeu diversas homenagens, seja em filmes ou em festivais, como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Mostra de Cinema de Ouro Preto, Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Jornada de Cinema da Bahia e do Conselho Nacional de Cineclubes.

Em 2008, recebeu o título de Professor Emérito da Escola de Belas Artes e da UFMG das mãos do reitor Ronaldo Tadeu Pena, dos professores Evandro José Lemos da Cunha, José Américo Ribeiro, Luiz Souza e do ex-reitor Aluísio Pimenta, em reconhecimento aos inúmeros serviços prestados à educação e ao cinema brasileiro.

Marido de Heliana Maria Soares de Barros, pai de Elisa Barros Tolentino Olivé, Juliana Barros Badaró, Lucas Soares de Barros e Thiago Soares de Barros, avô de Marianna Barros Badaró, Bárbara Benden Barros, Matheus de Barros Tolentino Olivé e Júlia Souto de Barros; faleceu em 28 de janeiro de 2009, aos 74 anos.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1975 :: A Cerâmica do Vale Jequitinhonha

:: Filmografia como Montador ::

1975 :: A Cerâmica do Vale Jequitinhonha

Bibliografia

Livros:

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. José Tavares de Barros. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/
UNIVERSO CULTURAL. José Tavares de Barros. Disponível no endereço: http://universocultural.org.br/memoria-biografia.php

História do Cinema Brasileiro

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