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Juliana Carneiro da Cunha

Biografia

Juliana Carneiro da Cunha é uma atriz e ex-bailarina brasileira nascida no Rio de Janeiro (RJ) no dia 19 de janeiro de 1949.

Foi criada em São Paulo, onde estudou dança dos sete aos dezessete anos com Maria Duschenes (1922-2014), especialista no Método Laban de dança. Neste período, também estabeleceu contato com o marido de Maria, o arquiteto e professor de história da arte, Herbert Duschenes (1914-2003), participando de aulas sobre artes plásticas. Aos 18 anos, consegue uma bolsa de estudos na Alemanha, onde faz curso de dança folclórica com o bailarino alemão Kurt Jooss (1901-1979), discípulo do coreógrafo húngaro Rudolf Laban (1879-1958). Em 1970 vai para Bruxelas, onde disputa com 400 candidatos uma das 28 vagas para a primeira turma do Mudra, escola de Maurice Béjart (1927-2007) dedicada a aperfeiçoar bailarinos de todo o mundo e criar intérpretes para o que ele chama de espetáculo total. Dois anos depois, foi a primeira aluna brasileira a dançar na Século XX, companhia criada por Maurice Béjart para encenar apenas espetáculos contemporâneos, apresentados em excursões por diversos países. Com os sete alunos que, como ela, concluem o curso de três anos do Mudra, forma o grupo Chandra, que durante um ano se apresenta em Bruxelas, Londres, Genebra e sul da França. Volta para Paris onde faz trabalhos isolados – entre eles, uma colaboração em espetáculos de Robert Wilson. Em Bruxelas, atuou em Os Românticos Alemães – em que, além de dançar, canta, interpreta e faz mímica – e Bodas de Sangue, de Federico García Lorca (1898-1936).

Bailarina e intérprete que se destaca pelas suas interpretações. De volta ao Brasil, em 1978, participou das peças Isadora, Ventos e Vagas, depois Cartas Portuguesas, As Lágrimas Amargas, de Petra von Kant, 1982, de Fassbinder, ao lado de Fernanda Montenegro, e Mão na Luva, 1984, de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), em parceria com Marco Nanini.

Em 1976, volta para o Brasil e apresenta o balé solo Possessão, de 15 minutos, que estreara com êxito em Bruxelas, baseado na vida de Santa Tereza de Ávila. Recebe por esse desempenho o prêmio de revelação do ano da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Em 1978, estréia, ao lado da coreógrafa Célia Gouveia (1949), Isadora, Ventos e Vagas, com o qual recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. No ano seguinte interpreta o papel de sóror Mariana do Alcoforado, que, no século XVII, vive uma paixão por um nobre, em Cartas Portuguesas. Em Presença de Vinícius interpreta 16 personagens em um espetáculo que, embora de carreira curta e pouca repercussão, é assistido pela atriz Fernanda Montenegro. A atriz a indica para o papel da muda de As Lágrimas Amargas, de Petra Von Kant, com direção de Celso Nunes. Interpretando Marlene, a criada, governanta e figurinista da personagem vivida por Fernanda Montenegro, Juliana Carneiro torna expressivo e emocionante um personagem sem falas e sem vida própria. Em seguida, atua em outro espetáculo de grande repercussão – Mão na Luva, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Aderbal Freire-Filho – em que dividiu o palco com o ator Marco Nanini e tem a oportunidade de trabalhar um texto denso e exigente.

No final dos anos 1980, Juliana ingressa na companhia de Arianne Mnouschkine, o Théatre du Soleil. Com contrato fixo em uma companhia estável, historicamente importante pelos espetáculos inovadores que encenou nos anos 1960 e 1970, Juliana Carneiro se fixa em Paris. Em pouco tempo se torna a primeira atriz da companhia, interpretando grandes personagens como Clitemnestra, na trilogia de Sófocles.

Sobre sua interpretação neste espetáculo, comenta o crítico Alberto Guzik (1944-2010): Juliana Carneiro da Cunha, por sua vez, projeta Linda Loman para as alturas. Atriz consumada, dona de presença cênica gigantesca, Juliana leva Linda a crescer, na mesma proporção em que Willy encolhe. Essa grande artista mostra cada frincha, cada brecha de sensação que Linda atravessa em seu difícil percurso. Sua interpretação pega o espectador de assalto e vai ao longo da ação ampliando a estatura da personagem, alargando os horizontes dessa pobre mulher desiludida que, essa sim, faz frente à situação com a bravura, a grandeza e a energia de uma heroína da tragédia grega. A voz poderosa de Juliana, sua intensidade, seu olhar vibrante hão de permanecer por longo tempo na memória do espectador deste trabalho, que no todo e por direito próprio, é memorável.

Em 1982, estreou no cinema no filme O Homem do Pau-Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade, e, em 1985, fez sua primeira novela, De Quina pra Lua. Até 1988, atuou em Selva de Pedra (1986), Helena (1987), Carmem (1987) e Olho por Olho (1988).

Em 1989, já na França, estudou com Maurice Béjart, Pina Bausch, Maguy Marin e Robert Wilson. Como bailarina percorreu a Europa integrando grandes companhias. Desde os anos 1990, tornou-se a primeira atriz do Théatre du Soleil, companhia estável de Arianne Mnouschkine, fixando-se para Paris definitivamente.

Em 2001, foi convidada por Luiz Fernando Carvalho para participar do filme Lavoura Arcaica, interpretação que lhe valeu os maiores prêmios do ano. Nos últimos anos tem alternado sua carreira entre Europa e Brasil.

Volta ao Brasil em 2003, para contracenar com Marco Nanini na peça A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, com direção de Felipe Hirsch, e, em 2005, voltou a trabalhar com Luiz Fernando Carvalho na minissérie Hoje É Dia de Maria, partes 1 e 2.

Em 2009, Juliana excursiona com a peça Les Éphémères, apresentando-se, inclusive, nos Estados Unidos.

Desconhecida do grande público, é uma grande artista brasileira, reconhecida internacionalmente.

Filmografia

2019 :: Eduardo e Mônica
2017 :: Amores de Chumbo
2016 :: Vazante
2015 :: A Floresta que se move
2009 :: O Teu Sorriso (CM)
2004 :: O Veneno da Madrugada
2001 :: Lavoura Arcaica
1985 :: Frankie e Alberto (CM)
1983 :: Nasce uma Mulher
1983 :: Hysterias (CM)
1982 :: Tribunal Bertha Lutz (CM)
1981 :: O Homem do Pau-Brasil

Bibliografia

Livros:

ALBUQUERQUE, Johana. Juliana Carneiro da Cunha (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
BRESSAN, Alexandre. Juliana, a muda que fala o tempo todo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 3 jun. 1984.
CUNHA, Juliana Carneiro da. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
GREENHALGH, Laura. Juliana, um corpo que fala, ri, chora. Em qualquer língua. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 abr. 1979.
Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
Programa do Espetáculo – As Lágrimas Amargas de Petra von Kant – 1983 Não catalogado
Programa do Espetáculo – Os Náufragos da Louca Esperança – 2011 Não catalogado
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

ENCICLOPEDIA ITAÚ CULTURAL. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359380/juliana-carneiro-da-cunha/
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Juliana Carneiro da Cunha. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/juliana-carneiro-da-cunha/
GUZIK, Alberto. Felipe Hirsch mostra montagem enxuta de ‘A Morte de um Caixeiro-Viajante’. Último Segundo, São Paulo. Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/cultura/artigo/0,,1343043,00.html

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