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LIVRO – Cegueira, um Ensaio

Sinopse

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles lançou seu primeiro livro: Cegueira, um Ensaio editado pela Editora Master Books, com 144 páginas. Na obra, Meirelles detalha o processo de produção do filme Ensaio sobre a Cegueira (Blindness, Brasil-Japão-Canadá/2008), baseado na obra homônima do Nobel de Literatura José Saramago (1922-2010). O escritor português escreveu, inclusive, um texto especialmente para o livro, que contou com edição e organização de Silvinha Meirelles, irmã de Fernando.

Não foi à toa que Cegueira, Um Ensaio recebeu este nome. O diretor destrincha o set de filmagem, revela suas inquietudes, a metodologia, os improvisos e seu ponto de vista durante todo o processo de contar a comovente história sobre a humanidade em meio à epidemia de uma misteriosa cegueira. O livro também reúne 285 imagens inéditas de locações, elenco, bastidores e renders (imagens do filme).

Cegueira, Um Ensaio foi idealizado por Silvinha Meirelles, autora de livros infantis e irmã do cineasta. Ela reuniu e editou os textos publicados no blog de Meirelles sobre as filmagens de Ensaio sobre a Cegueira.

O projeto do livro foi iniciado após a finalização do filme, em 2008. Há momentos em que penso que o Fernando fez o blog para ele mesmo, para refletir. É muito confessional. Embora seja tão respeitado e vencedor de vários prêmios, ele demonstrou dúvidas em relação a decisões durante as filmagens, observa Silvinha.

Silvinha também coletou as impressões de atores, produtores e outras pessoas da equipe, como César Charlone (diretor de fotografia), Christian Duurvoort (preparador de atores), Don Mckellar (roteirista/ ator que interpreta o “Ladrão”), Niv Fichman (produtor) e Yusuke Iseya (ator que interpreta o “Primeiro homem cego”).

A íntegra do roteiro do filme Ensaio sobre a Cegueira está anexada na contracapa do livro da forma como scripts costumam ser: papel comum grampeado. O texto revela detalhes do filme e até mesmo cenas cortadas ou revistas. O livro é muito prazeroso de manusear e ler; ele ensina, aproxima o público do filme e também gera uma mudança no olhar sobre a realização de uma produção cinematográfica, diz Silvinha.

Em Cegueira, um ensaio Meirelles assume uma narrativa linear e temporal. No início, revela a primeira vez que jantou com Saramago e suas impressões sobre o encontro em um dos restaurantes preferidos do autor português em Lisboa (Portugal), o Farta Brutos, em junho de 2007. O livro termina, quase um ano depois, no dia em que assistiu ao filme ao lado do próprio Saramago emocionado.

Entre esses dois momentos, Fernando Meirelles confidencia franca e diretamente suas intenções e razões ao tomar uma decisão ou outra. Aspectos técnicos são expostos, como o uso de câmeras (Vista Vision – 64 mm, duas de 35 mm e uma de 16 mm), problemas de continuidade, os tests screenings (uma exibição prévia para coletar impressões) e o questionário entregue ao público, e as escolhas de cortes necessários para não “arrastar” o filme.

Cegueira, um ensaio – Fotografia e arte
Dentre milhares de imagens, foram selecionadas 285 fotos que enaltecem cenas do filme, revelam posições de câmeras ou até mesmo mostram figurinos e figurantes. Elas também exibem curiosidades; entre elas a atuação como figurantes de Alexandre Herchcovitch (estilista), Carolina Meirelles (filha do diretor), Ciça Meirelles (esposa), Quico Meirelles (filho do diretor) e Sonoko Takai (produtora). Além do casting de estrelas internacionais como Julianne Moore, Danny Glover e Mark Ruffalo, os atores brasileiros Alice Braga, Plínio Soares e Antônio Abujamra também estão no elenco do filme e são retratados na publicação.

O formato de Cegueira, um ensaio remete ao próprio cinema e a tela widescreen, por ser horizontal. O livro utiliza as referências visuais do filme e também promove uma experiência sensorial não limitada à visão. A capa branca, que faz alusão à doença “cegueira branca”, possui o título em baixo relevo. Uma tira de papel negro com a imagem de um olho mágico e com o título em braile finaliza a apresentação.

As imagens do livro receberam tratamento para manter a identidade visual do filme Ensaio sobre a Cegueira. As fotos foram dessaturizadas e passaram por outros processos para respeitar essa questão. Nós também selecionamos algumas fotos para receber um tratamento de verniz e gerar relevo ou reflexo. Assim, conseguimos um efeito tátil e visual interessante em cenas que envolvem a chuva, água, vitrais e até mesmo carros, explica Mikha Jorge, responsável pelo projeto gráfico e edição de imagens.

Cegueira, um ensaio – Frases de Meirelles no livro
“Lição do dia: Qualquer papel merece um grande ator, e qualquer grande ator consegue transformar um papel”, sobre a participação de Sandra Oh e Mpho Koaho.

“Não é a toa que tanta gente diz ser esse seu livro favorito. Quem me dera fazer um filme com 5% dessa qualidade!”

“No dia seguinte em que acabamos as filmagens, [o roteiro] passará a ser papel inútil. É triste, porque pouca gente se dá conta da complexidade e do número de questões que envolvem a criação de um roteiro.”

“Já filmei muito como um clarinetista que toca seguindo uma partitura, hoje acho que filmo mais como um jazzista.”

“Estaria me vendendo para o mercado? ‘Talvez sim’, sugeriu minha mulher. ‘Obviamente que sim, afirmou Carolina, minha filha. Mas é claro que eu neguei”, sobre cortes de cena no filme.

TEXTO DE JOSÉ SARAMAGO ESCRITO PARA “CEGUEIRA, UM ENSAIO”
“Houve um tempo em que eu respondia que não queria ver a cara das minhas personagens quando me chegavam pedidos de adaptação de romances meus ao cinema. Digamos que eu era então uma espécie de radical da escrita: o que não passava pela palavra posta num papel simplesmente não existia. Fernando Meirelles foi uma das vítimas dessa intransigência. Quando o Ensaio sobre a Cegueira foi publicado no Brasil, salvo erro, em 1995, imediatamente me escreveu para manifestar o seu interesse em adaptá-lo. Teria sido o seu primeiro filme, antes de Cidade de Deus, antes de O Jardineiro Fiel, se não tivesse esbarrado com o muro da resistência do autor a conhecer os atores que iriam dar consistência e outra realidade às figuras desenhadas pela sua imaginação. Não me lembro do que sucedeu depois. Escrevi a Fernando expondo-lhe as minhas razões? Não lhe escrevi sequer, deixando que o silêncio respondesse por mim? Melhor do que eu, ele o saberá. Ao autor do livro só lhe resta pedir desculpa e agradecer a sua generosidade de espírito, uma generosidade que lhe permitiu aceitar a minha recusa sem a menor acrimônia. Tanto mais que, agora sim, já conheço a cara das minhas personagens. Será preciso dizer que gostei delas? Será preciso dizer que gostei, e muito, do filme? Nunca esquecerei a tremenda emoção que experimentei ao ver passar por trás de uma janela, em fila, as mulheres que vão pagar com os seus corpos a comida que lhes havia sido sonegada, a elas e aos seus homens. Essa imagem resume, para mim, todo o calvário da existência da mulher ao longo da História.”

Sobre o Autor

Fernando Meirelles é um arquiteto que passou a dirigir programas independentes para TV nos anos 1980, comerciais nos anos 1990 e finalmente longa-metragens no século XXI. Seus longa-metragens são: Menino Maluquinho 2 – A Aventura (1998), Domésticas (2000), Cidade de Deus (2002), nomeado para quatro Oscars, incluindo o de melhor diretor, e The Constant Gardener (2004), também nomeado para quatro Oscars e vencedor da categoria atriz coadjuvante com Rachel Weisz. Seu último longa-metragem, Ensaio sobre a Cegueira, estreou no Brasil em setembro de 2008.

Silvinha Meirelles, formada em psicologia, sempre teve seu trabalho voltado para educação. É autora de dois títulos de literatura infantil: ‘Livro dos Medos’ (Companhia das Letrinhas) e ‘Sem Raça, Com Graça’ (Brinque Book).

Dados Técnicos

Título: Cegueira, um ensaio
Autor: Fernando Meirelles e Silvinha Meirelles (Org.)
Editora: Master Books
Ano da Edição: 2010
Encadernação: Capa dura / 380 cm x 224 cm / 144 páginas
ISBN:

História do Cinema Brasileiro

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