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LIVRO – Centenário do Cinema em Goiás: 1909-2009

Os bandeirantes que se intruduziram nos sertões de Goiás no século 18, obstinados pelo propósito de descobrir muito ouro, acabaram abrindo uma rota para integração da província ao contexto geopolítico e econômico brasileiro. A bateia descobriu Goiás para o mundo. Sem dúvida que, no sentido inverso, Goiás iria esperar pelo projetor cinematográfico para descobrir o mundo.

É surpreendente que não tenha demorado tanto, entre o histórico evento do Grande Café da Alameda dos Capuchinhos, em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895 e o 13 de maio de 1909, quando a Cidade de Goiás pôde assistir à primeira sessão de cinema. Para a época proporcionalmente, o invento dos irmãos Auguste e Louis Lumière chegou depressa.

Entre o pioneirismo da sala de exibição do Teatro São Joaquim, no dia 13 de maio de 1909, na Cidade de Goiás, e os dias de hoje, melancólicos para os cinemas do interior – pois as salas estão diminuindo – e alvissareiros apenas na extensão cinematográfica dos shopping centers, foi-se abrindo um vácuo na memória da chamada sétima arte no Estado. Alguns conhecem cenas esparsas da ligação entre Goiás e o cinema e muitos desconhecem quase tudo.

Para contextualizar a trajetória do cinema goiano em seus 100 anos de existência, Beto Leão começa falando de sua própria dedicação à sétima arte – que ele diz ter começado ainda no útero de sua mãe, que trabalhava na bilheteria do Cine Goiás, na Av. Anhanguera, em Goiânia, e já o levava à sala escura quando grávida dele -, passando pelo cinema holywoodiano, o cinema russo e o expressionismo alemão, e o cinema de autor do neo-realismo italiano, a nouvelle vague francesa, os primórdios do cinema brasileiro de sua belle époque, as chanchadas da Atlêntida e da Cinédia, a tentativa do cinema industrial da Companhia Vera Cruz, o Cinema Novo brasileiro e o novo cinema alemão (das décadas de 1960), Embrafilme, fechamento de salas de exibição e a entrada dos multiplex, provocando o fim dos cinemas de bairro.

No livro Centenário do Cinema em Goiás: 1909-2009, o pesquisador Beto Leão lembra que foi a partir da década de 1940 que Goiás passou a ter uma produção própria significativa, com o trabalho do fotógrafo Jesco von Puttkammer, que atuou junto com os irmãos Villas Boas no Centro-Oeste e na Amazônia registrando o contato com grupos indígenas. Ele cita também os cinejornais de Jamil Marjane, Atualidades do Planeta, exibidos nos cinemas na década de 1950.

“É preciso falar de temas universais, mas também valorizar a riqueza da nossa cultura, tradição e cenários naturais, mas isso deve acontecer com uma estética própria, com roteiros mais apurados e estruturas narrativas e de montagem melhores, não é apenas o fazer por fazer”, conclui Beto.

Título: Centenário do cinema em Goiás
Autor: Beto Leão
Editora: Kelps
ISBN: 9788577668731
Ano da Edição: 2010
Formato 15×21, 312 páginas.

História do Cinema Brasileiro

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