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LIVRO – Fidel e a Religião

Sinopse

LIVRO - Fidel e a Religiaobotao_comprarNeste livro já clássico, Fidel Castro falou a Frei Betto sobre religião durante 23 horas. Foi a primeira vez que um Chefe de Estado de um país socialista concedeu uma entrevista exclusiva a respeito desse tema sempre atual. Nas últimas décadas, a questão religiosa ganhou especial interesse, principalmente na América Latina, onde ditaduras militares assassinaram inúmeros religiosos que se colocaram ao lado da causa dos pobres.

As milhares de Comunidades Eclesiais de Base que congregam camponeses e operários e a força da Teologia da Libertação são alguns dos fatores que fazem o tema da religião transcender os limites das próprias Igrejas e ganhar uma expressão política só comparável aos primeiros séculos do Cristianismo. Frei Betto revisita a obra escrita no início dos 1980 e traz de volta aos leitores o livro revisto e ampliado sobre o icônico líder cubano.

A primeira edição do livro Fidel e a religião, de Frei Betto, é de 1985. Esta é uma nova edição, lançada em 2016 pela editora Fontanar.

Alguns livros do gênero, no atual mercado editoral, não se salvam, porém este aqui é uma excessão não só por ser um fenômeno de vendas – e por ter contribuído para a distensão religiosa em Cuba – mas pelo conteúdo: uma espécie de hagiografia de Frei Betto. A “conversa” prometida no título é mais um longo monólogo (341 páginas) do que propriamente um diálogo.

Na ocasião do encontro entre Frei Betto e Fidel Castro, iniciava-se a aproximação do regime cubano com a Igreja Católica. Era também o momento em que a Teologia da Libertação fortalecia-se na América Latina.

O autor gravou 23 horas de entrevista, mas suas perguntas tinham apenas o objetivo de ser uma espécie de gatilho para disparar o discurso de Fidel Castro. Em favor de Frei Betto, seu livro não promete ser uma obra jornalística ou crítica. Assume ser admirador de Fidel Castro e do regime cubano, tanto é que termina o livro com a seguinte frase: (A importância histórica da entrevista) fez-me sentir pequeno, como se carregasse um peso superior às minhas forças. Inundam-me uma fraterna admiração por Fidel e uma silenciosa oração de louvor ao Pai/Mãe.

A parte mais interessante do livro é o seu prólogo, em que Frei Betto narra como conheceu Fidel, quando participavam de um evento comemorativo ao primeiro aniversário da Revolução Sandinista, na Nicarágua. Nesse encontro, Fidel aponta parentesco entre o cristianismo e o comunismo. Para o líder cubano, uma sociedade sem classes produziria o reencontro com o cristianismo dos primeiros tempos em seus aspectos mais justos, mais humanos, mais morais.

Abstraindo-se a distância entre teoria e prática, tanto do comunismo quanto do cristianismo, algumas consignas socialistas parecem retiradas diretamente da Bíblia. A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. (At 4, 32) Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casa vendiam-nas (…) Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade. (At 4, 34, 35)

Propriedade coletiva; de cada um de acordo com as suas possibilidades, a cada um de acordo com suas necessidades – são políticas que também estão no centro da teoria comunista.

Mas a comparação de Fidel Castro faz mais sentido quando se entende que, realmente, o comunismo é uma espécie de religião – com seus convertidos, mártires, sacerdotes e fiéis – e que também promete o céu: uma sociedade perfeita, que será construída pelo homem novo, nascido dos escombros da velha ordem.

O problema é que qualquer organização que se arroga detentora da Verdade julga-se no direito de impor sua moral a ferro e a fogo, condenando à morte os desviantes. A Igreja Católica fez isso na Idade Média e Stálin (o sacerdote-mor da religião secular) foi o responsável pela morte de milhões de pessoas na antiga União Soviética, fora a caça aos hereges com os processos de Moscou.

A Igreja deixou de caçar bruxas e fez seu aggiornamento no século passado, mas, agora, se vê às voltas com grave pecado da pedofilia entre seus sacerdotes – e amarga a perda de fiéis; o comunismo cubano passa por uma crise que o faz abandonar antigos dogmas e hoje busca a salvação do que restou do naufrágio.

Dados Técnicos

LIVRO - Fidel e a Religiaobotao_comprarTítulo: Fidel e a Religião
Autor: Frei Betto
Editora: Fontanar
Ano da Edição: 2016
Encadernação: Brochura | 16 cm X 23 cm | 344 Páginas
ISBN: 9788584390311

História do Cinema Brasileiro

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