fbpx

LIVRO – Mazzaropi: uma antologia de risos

Sinopse

Mazzaropi: uma Antologia de Risos é a biografia do artista que imortalizou a figura do caipira, carinhosamente chamado de jeca. Porém, diferentemente do que se pode imaginar tomando como base seus personagens, e ao contrário da imagem de “alienado” que transmitiu, Mazzaropi era um observador do cotidiano e consumidor de cultura.

O livro tem roteiro iconográfico realizado por Paulo Duarte.

Mazzaropi, a Cara do Brasil
Não houve, e temo que nunca haverá, outro Mazzaropi. Claro que surgiram imitadores, mas nenhum deles tinha o talento, a simpatia, para sequer chegar perto. Mazzaropi foi um fenômeno único na História de nosso cinema, um ídolo de enorme popularidade que, mesmo no auge da televisão, continuava a fazer exclusivamente cinema. Apesar de ironicamente ter começado na TV. E seus fãs nunca desertaram ou o esqueceram. Até hoje.

Ao editarmos este livro, nos unimos ao autor Paulo Duarte para fazer uma homenagem há muito merecida. Em todos os sentidos. O autor é um apaixonado pelo trabalho de Mazzaropi e o cinema que ele fez. E escreveu e descreveu sua obra com a mesma paixão que realizou um extraordinário trabalho de pesquisa (o mesmo que havia feito quando conseguiu editar em DVD quase toda a obra de Mazzaropi pela distribuidora Cinemagia).

Foi lendo o livro que sentimos por trás do riso do palhaço a presença de uma tragédia muito brasileira. Enquanto vivo, e mesmo morto, Mazzaropi foi desprezado pela crítica e pela imprensa em geral (em parte porque vivia isolado em seus domínios no Vale do Paraíba, saindo apenas para o lançamento de seu filme anual). E, por vezes, ficou amargurado, ressentido, o que transparece nas entrevistas e, de certa forma, nos filmes. Essa falta de reconhecimento não é assim tão fora do comum, já que praticamente todos os países tiveram seus comediantes regionais e foram rejeitados justamente por serem populares. Cantinflas, no México, Fernandel, Bourvil e depois Louis de Funés, na França, Totó, na Itália. Alguns tiveram que fazer papéis dramáticos ou esperar até o fim da vida para serem reconhecidos. Outros nem isso.

Talvez Mazzaropi tenha morrido cedo demais. Mas será que o Brasil de hoje ainda teria espaço para ele? A julgar pelo sucesso recente de 2 Filhos de Francisco, para todos os efeitos um filme caipira, é muito possível que sim. O Brasil continua a ser um grande interior, e a simplicidade, a engenhosidade do que é ser brasileiro e com muito orgulho, matuto, nunca foi mais bem caracterizada por ele e seus Jeca Tatu e Pedro Malasarte, que numa revisão são muito menos caricaturais do que poderiam parecer.

O problema é que o estilo de humor de Mazzaropi parece ter desaparecido com ele, até porque não deixou sucessores. O que eu chamei de tragédia brasileira foi o fato de ele ter criado um estúdio inteiro, um parque cinematográfico, que acabou se perdendo. Nunca produziu um filme alheio, nunca trocou de gênero, nunca quis mudar. Ou ousar. Ao contrário, desde que passou a ter controle de seus filmes, podia transferir a locação (Argentina, Portugal), podia acrescentar cores, mas continuava com o mesmo estilo de representação de circo-teatro, a mesma câmera distante em planos gerais, a falta de cuidados em figurinos e cenografia.

Deixe-me abrir um parênteses pessoal. Desde criança assisti a todos os filmes de Mazzaropi. E foi dele a primeira vez a que assisti a uma filmagem, acidentalmente em minha terra Santos, quando ele foi até a Ponta da Praia rodar uma sequência de navio entrando na barra para Zé do Periquito. Mais tarde, por coincidência, o encontrei, quando estava no cais do porto com meu pai visitando um navio e Mazzaropi apareceu também por ali, sempre muito discreto, gentil, educado. Estranhamente quando me tornei crítico nunca mais o encontrei ou o vi.

Tive, porém, a oportunidade de trabalhar com Geny Prado, que muita gente considerava ou pensava que era sua mulher na vida pessoal, além da tela. Foi quando Silvio de Abreu e eu escrevemos, em 1977, a versão de Éramos Seis para a TV Tupi e, como fãs, bolamos um personagem especialmente para ela. A tia do interior, prática, direta, forte, divertida, a tia Candoca (que não existia no livro original). E que ela fez magnificamente. Por vezes, a gente ficava lhe perguntando mais sobre Mazzaropi, como era, como trabalhava. Geny, sempre adorável, também era discreta (houve um momento em que os dois brigaram), nunca nos revelou muita coisa.

É que, como fã, eu também não podia esquecer o lado crítico. Evitava escrever sobre os filmes dele, a que ia assistir religiosamente, sempre que possível no Art Palácio, porque ficava chocado com tanto talento desperdiçado, em filmes de menor qualidade e que iam se repetindo, se perdendo em sua parte técnica (parecia que, quanto mais crescia o estúdio, pior ficava o resultado). Claro que Mazzaropi, o ator, o cantor, escapava ileso. Mesmo doente, nunca perdeu sua graça, sua verve, sua capacidade de criticar os poderosos e defender as causas certas (criticando os poderosos, o preconceito racial, e nos primeiros filmes até realizando sátira política).

A tragédia de Mazzaropi, como muitos no Brasil e até mesmo lá fora (vem à mente o caso de Elvis Presley, que nunca ousou mudar ou fazer filmes diferentes), foi acreditar em seus detratores e não ter preservado sua herança artística, hoje ameaçada (falta de bons negativos, material disperso depois de um processo de herança, que mais parece assunto de chanchada ou mesmo de um filme dele).

Felizmente o Brasil teve grandes comediantes e humoristas. Assim de passagem, podemos lembrar de alguns geniais como Grande Otelo e Oscarito, Jô Soares, Chico Anysio. Outros menosprezados na época, Ankito, Zé Trindade e mesmo hoje em dia (como é o caso de Renato Aragão, que prosseguiu com uma linha circense semelhante à de Mazzaropi). E muitos outros notáveis, que o cinema só aproveitou ocasionalmente (Agildo Ribeiro, Ronald Golias, Vagareza, Walter D’Ávila). Mas nenhum deles foi uma entidade tão cinematográfica quanto Mazzaropi. Nem representa, como ele, a cara de um certo Brasil, que não quer e não pode morrer. Este livro pretende ser apenas o começo de uma tentativa apaixonada e até parcial de se relembrar sua carreira, sua obra. É livro de fã. Do jeito que eu gosto e admiro. (Rubens Ewald Filho)

Sumário


Índice
Apresentação – José Serra 5
Coleção Aplauso – Hubert Alquéres 7
Mazzaropi, a Cara do Brasil 9
Mazza e a Ma$$a – Um Caipira no Divã 13
Que Fim Levou o Império de Mazzaropi? 19
A História 25
As Raízes 27
Com o Pé no Mundo 31
Olga Crutt ou Olga Mazzaropi? 41
Os Pavilhões 45
O Teatro 47
O Humor no Rádio 52
O Jeca na TV 59
Cinema – Mazzaropi e o Cinema: um Caso de Humor à
Primeira Vista! (… e de Amor pra Vida Toda) 65
Sai da Frente (1952) 73
Nadando em Dinheiro (1952) 79
Candinho (1953) 83
A Carrocinha (1955) 87
O Gato de Madame (1956) 91
Cinedistri – Meio Século de Amor pelo Cinema 95
Fuzileiro do Amor (1956) 97
O Noivo da Girafa (1957) 101
Chico Fumaça (1958) 105
Mazzaropi em Quadrinhos 109
PAM Filmes 113
Chofer de Praça (1958) 117
Jeca Tatu (1959) 121
O Jeca e os Anos 60 126
As Aventuras de Pedro Malasartes (1960) 129
Zé do Periquito (1960) 133
A Fazenda Santa 137
Tristeza do Jeca (1961) 141
O Vendedor de Linguiça (1962) 145
Duque, um Ator bom pra Cachorro 149
Casinha Pequenina (1963) 151
O Lamparina (1964) 155
Meu Japão Brasileiro (1964) 159
O Puritano da Rua Augusta (1965) 163
O Corintiano (1966) 167
O Jeca e a Freira (1967) 171
No Paraíso das Solteironas (1968) 175
Uma Pistola para Djeca (1969) 179
Dos Embalos do Jeca nos Anos 70
ao Último Filme 183
O Palácio do Rei Caipira 185
Betão Ronca Ferro (1970) 189
O Grande Xerife (1972) 193
Um Caipira em Bariloche (1973) 197
Portugal… Minha Saudade (1973) 201
O Jeca Macumbeiro (1974) 205
Nosso Disney Caboclo 209
Jeca Contra o Capeta (1975) 211
Jecão… Um Fofoqueiro no Céu (1977) 215
Jeca e seu Filho Preto (1978) 219
A Banda das Velhas Virgens (1979) 223
O Último Filme – O Jeca e a Égua
Milagrosa (1979) 227
O Dia em que o Caipira Fez Chorar! 231
Chumbo Trocado 233
Um Aliado de Peso – Paulo Emílio Salles Gomes 238
Os Números não Mentem Jamais 239
Geny Prado – A Mulher do Caipira 243
A Turma do Mazza 245
A Música nos Filmes do Jeca – Uma Constelação de Astros e Estrelas
da Música Popular 246
A Memória Preservada 251
Filmografia – Fichas técnicas 257
Bibliografia 323

Dados Técnicos


Título: Mazzaropi: uma antologia de risos
Coleção: Coleção Aplauso – Série Especial
Autor: Paulo Duarte
Editora: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Especificações: Brochura | Dimensões 23 cm x 31 cm | 340 páginas
Ano da Edição: 2009
ISBN: 978-85-7060-728-7

Coleção

A Coleção Aplauso, concebida pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, visa resgatar a memória da cultura nacional, biografando atores, atrizes e diretores que compõem a cena brasileira nas áreas de cinema, teatro e televisão. Foram selecionados escritores com largo currículo em jornalismo culturalparaesse trabalho em que a história cênica e audiovisual brasileiras vem sendo reconstituída de maneira singular. Em entrevistas e encontros sucessivos estreita-se o contato entre biógrafos e biografados. Arquivos de documentos e imagens são pesquisados, e o universo que se reconstitui a partir do cotidiano e do fazer dessas personalidades permite reconstruir sua trajetória.

A decisão sobre o depoimento de cada um na primeira pessoa mantém o aspecto de tradição oral dos relatos, tornando o texto coloquial, como seo biografado falasse diretamente ao leitor.

Um aspecto importante da Coleção é que os resultados obtidos ultrapassam simples registros biográficos, revelando ao leitor facetas que também caracterizam o artista e seu ofício. Biógrafo e biografado se colocaram em reflexões que se estenderam sobre a formação intelectual e ideológica do artista, contextualizada na história brasileira.

São inúmeros os artistas a apontar o importante papel que tiveram os livros e a leitura em sua vida, deixando transparecer a firmeza do pensamento crítico ou denunciando preconceitos seculares que atrasaram e continuam atrasando nosso país. Muitos mostraram a importância para a sua formação terem atuado tanto no teatro quanto no cinema e na televisão, adquirindo, linguagens diferenciadas: analisando-as com suas particularidades.

Muitos títulos exploram o universo íntimo e psicológico do artista, revelando as circunstâncias que o conduziram à arte, como se abrigasse em si mesmo desde sempre, a complexidade dos personagens.

São livros que, além de atrair o grande público, interessarão igualmente aos estudiosos das artes cênicas, pois na Coleção Aplauso foi discutido o processo de criação que concerne ao teatro, ao cinema e à televisão. Foram abordadas a construção dos personagens, a análise, a história, a importância e a atualidade de alguns deles. Também foram examinados o relacionamento dos artistas com seus pares e diretores, os processos e as possibilidades de correção de erros no exercício do teatro e do cinema, a diferença entre esses veículos e a expressão de suas linguagens.

Se algum fator específico conduziu ao sucesso da Coleção Aplauso: e merece ser destacado –, é o interesse do leitor brasileiro em conhecer o percurso cultural de seu país.

À Imprensa Oficial e sua equipe coube reunir um bom time de jornalistas, organizar com eficácia a pesquisa documental e iconográfica e contar com a disposição e o empenho dos artistas, diretores, dramaturgos e roteiristas. Com a Coleção em curso, configurada e com identidade consolidada, constatamos que os sortilégios que envolvem palco, cenas, coxias, sets de filmagem, textos, imagens e palavras conjugados, e todos esses seres especiais: que neste universo transitam, transmutam e vivem: também nos tomaram e sensibilizaram.

É esse material cultural e de reflexão que pode ser agora compartilhado com os leitores de todo o Brasil.

:: Coleção Aplauso – Especial ::

ALVES, Vida. TV Tupi: uma linda história de amor. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.
ASSIS, Wagner de. Agildo Ribeiro: o capitão do riso. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.
ASSIS, Wagner de. Marcos Flaksman: universos paralelos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011.
BATISTA, Djalma Limongi. Walmor Chagas: ensaio aberto para um homem indignado. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.
CARVALHO, Tania. Carlos Zara: paixão em quatro atos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006.
CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004.
CARVALHO, Tania. Tônia Carrero: movida pela paixão. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
CARVALHO, Tania. Victor Berbara: o homem das mil faces. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.
COELHO, Cleodon. Lilian Lemmertz: sem rede de proteção. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
DUARTE, Paulo. Mazzaropi: uma antologia de risos. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
FRAMCFORT, Elmo. Rede Manchete: aconteceu, virou história. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.
GILBERTO, Antonio. Dina Sfat: retratos de uma guerreira. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2005.
GILBERTO, Antonio; JABLONSKI, Ester. Ítalo Rossi: isso é tudo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
JESUS, Maria Angela de.Eva Todor: o teatro de minha vida. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.
LEBERT, Nilu. Beatriz Segall: além das aparências. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.
LICIA, Nydia. Célia Helena: uma atriz visceral. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
LICIA, Nydia. Raul Cortez: sem medo de se expor. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007.
LICIA, Nydia. Sérgio Cardoso: imagens de sua arte. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004.
MARX, Warde. Maria Della Costa: seu teatro, sua vida. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.
MOYA, Álvaro de. Gloria in Excelsior: ascensão, apogeu e queda do maior sucesso da televisão brasileira. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
STEEN, Edla Van. Eva Wilma: arte e vida. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006.
STERNHEIN, Alfredo. Cinema da Boca: dicionário de diretores. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2005.
STERNHEIN, Alfredo (org.). Dulce Damasceno de Brito: lembranças de Hollywood. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006.
VENEZIANO, Neyde. As Grandes Vedetes do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

Qualquer interesse de envio de textos, dúvidas, opiniões, sugestões, acréscimos de conteúdo, relato de erros ou omissão de informações publicadas, entre em contato com a Coordenação Geral do História do Cinema Brasileiro pelo seguinte email: [email protected]