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LIVRO – Relembrando o Cinema Pernambucano

A princípio, “Relembrando o Cinema Pernambucano”, é o livro que a Editora Massangana, da Fundaj, lançou no Centro de Convenções, em Olinda (PE), durante o Cine-PE Festival do Audiovisual.

Porém, as 115 páginas do lançamento trazem bem mais do que os 59 artigos de Jota Soares, sobre o Ciclo do Recife, que foram publicados em tiras semanais no Diário de Pernambuco, entre 1962 e 1964, e que agora encontram-se reunidos em livro, sob a organização de Paulo Cunha Filho, professor/doutor em Comunicação Social e crítico de cinema. Isto porque, a paixão pelo cinema fala mais alto, do início ao fim do livro, em fotos, textos, e referências, ao período do Ciclo do Recife, de 1923 a 1931 (época em que a Sétima Arte foi produzida, “industrialmente”, em Pernambuco), e ao período de estudo, acadêmico, do Ciclo. Percebe-se isto, ao se abrir o livro e se deparar, na orelha do mesmo, com um resumo da apresentação, feita pelo doutor em literatura brasileira, Anco Márcio Tenório, professor da UFPE.

Na apresentação, fica registrada a paixão: Anco Márcio, falando da obrigatoriedade da leitura dos artigos de J. Soares, contidas em “Relembrando o Cinema Pernambucano”, explica que o jornalista e cineasta pernambucano “foi um dos poucos homens de cinema do Brasil (talvez um dos únicos de sua geração) a fazer uma reflexão tanto da produção cinematográfica, da qual foi partícipe e um dos principais protagonistas, quanto do cinema enquanto arte e linguagem em si”. Ou seja, resumindo: fala de um homem que “respirava cinema”, batendo escanteio e subindo na área para cabecear e fazer o gol. Porque J. Soares foi mesmo, quase, tudo no cinema. Ele foi diretor, ator, produtor, crítico de arte e só não foi pesquisador acadêmico do assunto, porque, na época, o meio acadêmico, no Brasil, ainda não tinha “tomado corpo” para investigar a Sétima Arte, no geral, e o Ciclo do Recife, em particular.

Coube, no entanto, a, entre outros pesquisadores, Paulo Cunha, organizador do lançamento, e Anco Márcio Tenório, autor da apresentação do lançamento, fazerem esta investigação nos últimos anos. Anco Márcio, apenas na teoria, e Paulo Cunha indo mais além, na prática, sendo um dos cineastas de um outro ciclo na história do cinema pernambucano, o do Super-8, na década de 1970.

Paulo Cunha fez o cinema “artesanal”(obra apenas de um autor, com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, inspirado, entre outros, por Glauber Rocha) em contraponto ao cinema “industrial”, produzido por J. Soares, no seu Ciclo do Recife, que teve verdadeiras empresas cinematográficas, listadas, em referência, no livro em lançamento. Outras referências contidas em “Relembrando o Cinema Pernambucano” são referentes a dados biográficos dos personagens do Ciclo do Recife e aos filmes de enredo do mesmo Ciclo.

Há ainda uma referência que é o Anexo para Pesquisadores, sobre os Arquivos Pessoais de Jota Soares. Tudo isso colocado, e citado, com muita paixão pelo cinema pernambucano. Anco Márcio frisa, na sua apresentação, que “todo o material publicado no livro é parte constitutiva do Arquivo Jota Soares, da Fundação Joaquim Nabuco, sob a guarda da instituição desde 26 de setembro de 1984, quando foi adquirido através de compra ao seu conservador dedicadíssimo. Arquivo constituído não só da produção intelectual de Soares (cartas, filmes, fotografias, manuscritos e artigos de jornais), como de todo o rico material artístico e intelectual que recolheu ao longo dos mais de 80 anos de vida”.

E foi na década de 1980 que Paulo Cunha prometeu ao próprio J. Soares recuperar, em livro, a série de artigos sobre o Ciclo do Recife, publicados pelo DP. No final desta década, J. Soares morreu, no ano de 1988, e a história é contada, com paixão, no texto de Paulo Cunha para o livro em lançamento da Massangana: “Desviei-me da tarefa por mil razões que não vale a pena contar nem justificariam a demora. Mas, de todo modo, aqui está, devidamente cumprida, a tal promessa”. O texto escrito por Paulo Cunha para o livro, intitulado “O Cinema, a Memória, a Elaboração do Discurso Provinciano, é apaixonado, assim como o texto de Anco Márcio, de apresentação do lançamento da Massangana, de título: “Soares e o Ciclo do Recife”. Assim, textos e referências, contidos em Relembrando o Cinema Pernambucano, são uma reverência à obra de Jota Soares.

História do Cinema Brasileiro

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