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LIVRO – Tizuka Yamasaki: a Vida Invade o Cinema

A lembrança que guardei de minha participação numa mostra de cinema em Timóteo (onde fica a sede a siderúrgica Acesita), no longínquo ano de 1981, foi ter conhecido Tizuka Yamasaki. O ambiente não lembrava em nada o “glamour” que as pessoas sempre ligam aos festivais de cinema. Recordo-me que ao final das projeções sentávamos num bar para bater papo e falar de filmes enquanto milhares de bicicletas desfilavam à nossa frente, levando os operários para casa ao final do turno. Ela já tinha lançado Gaijin, seu primeiro longa-metragem, um filme que todos nós, com as exceções de praxe, havíamos admirado muito. Era, como escreveu David Neves num artigo da “Filme Cultura”, uma obra adulta, acabada, sem as inseguranças ou verborragias típicas de um trabalho iniciante. Como eu já conhecia os cineastas brasileiros e suas maneiras peculiares, chamou-me a atenção o fato de Tizuka ser muito simples e despojada, aberta à conversa, sem a menor dose de empáfia que alguns herdeiros do cinemanovismo sempre fizeram questão de exibir.

Desde então nunca mais perdi Tizuka de vista. No Rio, em São Paulo ou festivais pelo Brasil afora. Em fevereiro de 82, estava ela em Recife tomando depoimentos para Parahyba Mulher Macho (acompanhei-a numa visita a Ariano Suassuna, uma das pessoas a serem ouvidas para se entender o conflito que levou à morte de João Pessoa). Não dava para escapar do carnaval de Olinda, um mar de gente cantando e dançando pelas ruas, e ela, depois de um visita rápida à folia, avisava: “Tchau, pessoal, eu vou embora trabalhar um pouco”. Quem conhece o carnaval de Olinda, ou pelo menos o que ele era naqueles tempos, pode ter uma idéia do grau de envolvimento de Tizuka com suas tarefas cinematográficas.

O trabalho em inúmeros filmes e o contato com profissionais de cinema antes de fazer o primeiro Gaijin foram um grande aprendizado como ela sempre diz. E revelam muito do seu jeito de absorver as experiências. Atenta. Prestimosa. Careta. Pé de Boi. Viaja no espírito da produção. Mas cobra e apresenta a fatura quando é necessário. E me surge uma imagem curiosa: a Tizuka rodando a baiana. Situação, aliás, que ela pouco protagonizou, dizem, mas sempre deixou uma leve ameaça no ar.

Título: Tizuka Yamasaki: a Vida Invade o Cinema
Coleção: Cadernos Cine Academia

História do Cinema Brasileiro

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