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Luiz Jatobá (1915-1982)

Biografia

FOTO Luiz JatobaLuiz Trimegisto Jatobá, em arte mais conhecido como Luiz Jatobá, foi um jornalista e renomado locutor e apresentador de rádio, televisão e cinema brasileiro nascido em Maceió (AL) no dia 05 de janeiro de 1915. Formou-se em Medicina e se especializou em Ortopedia, nos EUA. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 09 de dezembro de 1982.

Dono de uma das mais belas vozes da locução e narração da América, foi um famoso narrador de notícias e documentários na rádio, cinema e televisão durante cerca de 45 anos. Desinibido e incentivado por uma namorada, inscreveu-se e ganhou, em 1935, um concurso para locutores vinculado no Jornal do Brasil, que inaugurava a sua própria emissora de rádio. Foi escalado para programa em que selecionava discos clássicos e fazia comentários a respeito das mesmas. Paralelamente a este emprego, estudava Medicina Ortopédica, e após formar-se, foi fazer pós-graduação nos Estados Unidos.

De volta ao Brasil, passou a escrever reportagens para jornais cariocas e para a Revista Manchete. Com Getúlio Vargas no poder, em plena ditadura do Estado Novo, Luiz Jatobá, em agosto de 1939, passou a trabalhar para o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Federal e assume a locução da Hora do Brasil, substituindo Zolachio Diniz.

Em 1940, foi convidado para ser locutor da Columbia Broadcasting System (CBS), em Nova York, tornou-se correspondente para o Brasil de notícias sobre a Segunda Guerra, e apresentador de traillers cinematográficos para a Metro Goldwin Mayer.

A convite de Frederico Chateaubriand, sobrinho do proprietário dos Diários Associados, Assis Chateaubriand, tornou-se o apresentador do primeiro noticiário da televisão brasileira, o Repórter Esso, na TV Tupi do Rio, em 1950.

Em 1951, foi para a Rádio Mayrink Veiga, atuando como apresentador de programas e, no período de 1958 a 1960, esteve na Rádio Nacional, como locutor e narrador. Participou de programas na TV Excelsior com Sérgio Porto, João Saldanha, Jacinto de Thormes, Gilda Müller e dos bonequinhos de Borjalo.

Em 1969, foi para a TV Globo. Lá, comandou a primeira edição do Jornal Hoje, ao lado de Léo Batista. Neste período da ditadura militar, Luiz Jatobá sofreu perseguição política por parte do governo brasileiro.

Independentemente, sua voz grave e cavernosa sempre era associada à narração dos trailers e cinejornais exibidos, durante décadas, no circuito de cinemas brasileiros, de tal forma que ir ao cinema, não importava a fita que estivesse em cartaz, na época em que Luiz Jatobá apresentava os trailers (quase sempre de filmes de Hollywood), correspondia a ouvir a voz profunda desse médico ortopedista e locutor, como também significava assistir, ouvindo sua música característica, às cenas recentes e cruciais dos principais jogos do desporto brasileiro, especialmente do futebol carioca (parte última do Cinejornal Canal 100, produzido por Carlos Niemeyer, com a canção Na Cadência do Samba, de Luís Bandeira, na versão instrumental sob a orquestração de Waldir Calmon, que muitos, não sabendo o nome da música, diziam a primeira frase da letra: Que bonito é…).

Três anos depois, percebendo que era melhor afastar-se do país, decidiu, pela segunda vez, voltar aos Estados Unidos, onde retomou a narração de trailers cinematográficos para a Columbia, a Paramount, a Universal Pictures, e a United States Information Agency.

Considerava a notícia da descoberta da vacina Salk como a mais alegre de sua vida e a do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima a mais triste.

Luiz Jatobá faleceu aos 68 anos, no dia 09 de dezembro de 1982, na Casa de Saúde Bambina, em Botafogo, no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 28 de novembro. Tinha sido operado da coluna vertebral.

Morava em Nova Iorque, mas retornou ao Brasil para visitar o pai. O agravamento da sua doença foi atribuído à perda do seu filho Luís Carlos Jatobá, publicitário que foi sequestrado em janeiro de 1981 – e nunca mais encontrado.

Como profissional da voz, Luiz Jatobá influenciou na formação de gerações de locutores não apenas de rádio, mas também do cinema, televisão e vídeo, que o veneravam como dono de uma das mais célebres vozes que já existiram, fazendo dele, certamente, o mais famoso timbre vocal masculino do Brasil.

Bibliografia

Livros:

PINHEIRO, Claudia; NIEMEYER, Carla. Canal 100: uma câmera lúdica, explosiva e dramática. Rio de Janeiro: DoisUm Produções, 2014.

Internet:

HISTÓRIA DE ALAGOAS. Luiz Jatobá, o alagoano gogó de ouro. Disponível no endereço: http://www.historiadealagoas.com.br/luiz-jatoba-o-alagoano-gogo-de-ouro.html. Acesso em: 01 de julho de 2017.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Luiz Jatobá. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/luiz-jatoba/

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