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Luiz Melodia (1951-2017)

Biografia

Luiz Carlos dos Santos, em arte mais conhecido como Luiz Melodia, foi um cantor, compositor e ator brasileiro nascido no Morro do Estácio, no bairro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) no dia 07 de janeiro de 1951. Único filho homem de Oswaldo e Eurídice, descobriu a música ao ver o pai tocando em casa: Fui pegando a viola dele, tirando uns acordes, observando. Ele não deixava eu pegar a viola de 4 cordas que era uma relíquia, muito bonita, onde eu aprendi a tocar umas coisas.

Apesar da precoce afinidade com a música, Luiz acabou contrariando seu pai, que sonhava vê-lo um doutor formado: Ele não apoiava, não adiantou coisíssima alguma, até porque as coisas foram acontecendo. Depois ele veio a curtir para caramba, quando ele faleceu, perdi um grande fã, releva.

Começou sua carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho, ao mesmo tempo em que trabalhava como tipógrafo, vendedor, caixeiro e músico em bares noturnos. Em 1964 formou o conjunto musical Os Instantâneos, com Manoel, Nazareno e Mizinho. Depois de abandonar o ginásio Melodia passou a adolescência compondo e tocando sucessos da jovem guarda e bossa nova, com o grupo ‘Instantâneos” formado com amigos. Essa experiência juntamente com a atmosfera em que vivia – do tradicional samba dos morros cariocas – , resultaram em uma mescla de influências que renderam a Luiz Melodia um estilo único, logo acabou por chamar atenção de um assíduo frequentador do morro do Estácio, o poeta Wally Salomão e de Torquato Neto. Através de Wally, Gal Costa acabou conhecendo um de seus compositores prediletos, resultando na gravação de Pérola negra no disco Gal a todo vapor de 1972. Pouco depois era vez de Estácio, Holly Estácio, ganhar sua interpretação na voz de Maria Bethânia. Foi nesta época que o artista assumiu então o nome de Luiz Melodia – apropriando o sobrenome artístico de seu pai Oswaldo – , e lançou no ano seguinte (1973) seu primeiro e antológico disco Pérola negra sua postura porém, mantinha a mesma irreverência e inquietude, da do garoto que tocava iê-iê-iê nos berços de samba carioca, que lhe rendeu um estilo musical inconfundível, assim como críticas que o consideravam um artista maldito, ao lado de nomes como Fagner e João Bosco, por exemplo. Não éramos pessoas que obedeciam. Burlávamos, pode-se dizer assim, todas as ordens da casa, da gravadora; rompíamos com situações que não nos convinham. Sempre acreditei naquilo que fiz e faço, afirmou Luiz.

Sua carreira acabou por consolidar-se no disco seguinte, Maravilhas contemporâneas (1976), popularizado pela canção Mico de circo (1978), que seria gravado em seu retorno ao Rio.

Nas décadas seguintes Melodia lança diversos álbuns e realiza shows, inclusive internacionais. Em 1987 apresenta-se em Chateauvallon, na França e em Berna, Suíça, além de participar em 1992 do III festival de Música de Folcalquier na França e, em 2004, do Festival de Jazz de Montreux à beira do lago Lemán, onde se apresentou no Auditório Stravinski, palco principal do festival.

Já conhecido do público e tendo alcançado seu espaço no cenário da MPB, Luiz Melodia lança Nós em 1980, incluindo Codinome beija-flor. No disco seguinte, Relíquias (1985), faz uma releitura com novos arranjos para sucessos como Ébano, Subanormal – e no registro intimista intenso de Acústico – ao vivo (1999), em que Melodia passeia novamente por sua obra, agora através da espontaneidade de um disco gravado ao vivo durante sua turnê nacional, considerado sucesso de público e crítica.

O músico faleceu na madrugada do dia 04 de agosto de 2017, em decorrência do agravamento de um câncer na medula óssea.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

2005 :: Casa de Areia
2004 :: Quase dois irmãos

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2015 :: Circo voador – A nave
2007 :: Luiz Melodia – Vida e obra

Obra

Abundantemente morte
Amor
Amusicadonicholas
Baby Rose
Bata com a cabeça
Bate verão
(c/ Ricardo Augusto)
Bola de cristal (c/ Beto Marques)
Brinde (c/ Ricardo Augusto)
Caindo de bêbado (c/ Rúbia Matos)
Cara a cara (c/ Renato Piau)
Cheio de graça (c/ Ricardo Augusto)
Começar pelo recomeço (c/ Torquato Neto)
Congênito
Cuidando de você (c/ Renato Piau)
Cura (c/ Renato Piau)
Dançou, dancei (c/ Papa Kid)
Decisão (c/ Sergio Mello)
Destino coração
Dias de esperança
Divina criatura
(c/ Papa Kid)
Dor de carnaval
Dores de amores
Ébano
Esse filme eu já vi
(c/ Renato Piau)
Estácio Holly Estácio
Estácio, eu e você
Fadas
Farrapo humano
Feeling da música
(c/ Ricardo Augusto e Hyldon)
Felino
Feras que virão
Forró de janeiro
Frágil força
(c/ Ricardo Augusto)
Garanto (c/ Célio José)
Gerações
Giros de sonho
Gotas de saudade
(c/ Perinho Santana)
Hoje e amanhã não saio de casa
Jeito danado
(c/ Edil Pacheco)
Juventude transviada
Lorena (c/ Renato Piau e Mahal)
Magrelinha
Malandrando
(c/ Silvio Lana e Perinho Santana)
Maravilhas contemporâneas
Maria particularmente
Mary
Me beija
(c/ Renato Piau e Tureko)
Memórias modestas
Mistério da raça
(c/ Ricardo Augusto)
Molimbow (c/ Sergio Natureza – inédita)
Morena brasileira (c/ Ricardo Augusto)
Morena da novela (c/ Renato Piau)
Neja
Nós dois
(c/ Renato Piau)
O menino
O morro não engana
(c/ Ricardo Augusto)
O sangue não nega (c/ Ricardo Augusto)
Objeto
Onde o sol bate e se firma
Paixão
Papai do Céu
Paquistão
Passarinho viu
Pássaro sem ninho
(c/ Ricardo Augusto)
Perdido
Pérola negra
Poeta do morro
(c/ Luiz Anuram e Ruizinho)
Pra aquietar
Pra que
(c/ Ricardo Augusto)
Presente cotidiano
Que é que é isso?
Que tal
(c/ Torquato Neto – Inédita)
Questão de posse
Quizumba
(c/ Cara Feia)
Retrato do artista quando coisa (sobre versos de Manoel de Barros)
Revivendo (c/ Perinho Santana)
Salve linda (Canção sem esperança)
Segredo
Seja amar
(c/ Ricardo Augusto)
Sem trapaça (c/ Ricardo Augusto)
Sigo e vou
(c/ Perinho Santana)
So assumo só
Solando no tempo
Sonho real
(c/ Renato Piau)
Sorri pra Bahia (c/ Cardan Dantas e Edil Pacheco)
Sub-anormal (c/ Ricardo Augusto)
Surra de chicote
Um toque
Vale quanto pesa
Veleiro Azul
(c/ Rubia)
Vou com você
Zerima

Bibliografia

Livros:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
ALBIN, Ricardo Cravo. MPB – A História de Um Século. 2ª ed. Revista e ampliada, Rio de Janeiro: MEC/Funarte/Instituto Cultural Cravo Albin, 2012.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
AMARAL, Euclides. O Guitarrista Victor Biglione & a MPB. Rio de Janeiro: Edições Baleia Azul, 2009. 2ª ed. Esteio Editora, 2011. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
AMARAL, Euclides. Poesia Resumida – Poemas & Letras (Antologia Poética). Rio de Janeiro: Edição Casa 10 Comunicação, 2013. 2ª ed. EAS Editora, 2014.
CHAVES, Xico e CYNTRÃO, Sylvia. Da Pauliceia à Centopeia Desvairada – as Vanguardas e a MPB. Rio de Janeiro: Elo Editora, 1999.
GALVÃO, Luiz. Novos Baianos – A história do grupo que mudou a MPB. São Paulo; Lazuli Editora, 2014.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música brasileira – erudita, folclórica e popular. 2 v. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977.
MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da música Brasileira – erudita, folclórica e popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha, 1998.
MIGUEL, Antonio Carlos. GUIA DE MPB EM CD. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
MOREIRA, Rodrigo. Eu quero é botar meu bloco na rua. Rio de Janeiro: Editora Muiraquitã, 1ª ed. 2000. 2ª Edição Revista e ampliada. Editora Muiraquitã, 2003.
NETO, Torquato. Torquato – Cancioneiro Torquateano – A Palavra Cantada – 1965/1972. Piauí: Halley Gráfica Editora e Fundação Quixote, 2007.
PIAU, Renato. Songbook Renato Piau Guitarra Brasileira. Rio de Janeiro: Booklink Publicações Ltda, 2002.
THOMPSON, Mario Luiz. Música Popular Brasileira (vol. 1 e 2). São Paulo: Editora Bem Te Vi, e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2001.
VAZ, Toninho. A Biografia de Torquato Neto. Curitiba, Paraná: Editora Nossa Cultura, 2013.
______. Meu nome é ébano: a vida e a obra de Luiz Melodia. São Paulo: Tordesilhas, 2020.
______. Pra mim chega, a biografia de Torquato Neto. São Paulo: Editora Casa Amarela, 2003.

Internet:

DICIONÁRIO CRAVO ALBIN DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA. Disponível no endereço: http://dicionariompb.com.br/luiz-melodia
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Luiz Melodia. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/luiz-melodia/
OGLOBO. Luiz Melodia: linguagem que uniu inovação formal e poder de comunicação. Disponível no endereço: https://oglobo.globo.com/cultura/musica/luiz-melodia-linguagem-que-uniu-inovacao-formal-poder-de-comunicacao-21671761

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2 comentários sobre “Luiz Melodia (1951-2017)

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