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Maria Della Costa (1926-2015)

Biografia

Gentile Maria Marchioro Della Costa Poloni, em arte conhecida como Maria Della Costa, foi um atriz brasileira nascida na cidade de Flores da Cunha, no interior do Rio Grande do Sul, no dia 01 de janeiro de 1926.

Seus pais, Amadeu Marchioro e Ermelinda Della Costa, eram imigrantes italianos, lavradores. Aos 10 anos de idade, foi estudar num internato de um colégio de freiras da Congregação de Maria. Devido à precária condição financeira da família, abandonou o colégio para trabalhar em um escritório comercial em Porto Alegre. Em seguida se inscreveu e venceu o concurso Modelo Número 1 do Brasil, promovido pela Revista do Globo, ganhando como prêmio a capa da revista. O sucesso foi enorme e logo assina um primeiro contrato na própria revista.

No início da década de 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro, começando a trabalhar na Loja Sloper aos 14 anos de idade. Lá, foi descoberta pelo jornalista Justino Martins (1917-1983), da antiga Revista Globo (de Porto Alegre), que a incentivou a ir para o mundo artístico. Assim, estreia como show-girl no Cassino Copacabana, no show Em Busca da Beleza.

Nessa época conheceu o produtor Fernando de Barros, com quem esteve casada por quatro anos (de 1941 a 1945). Tornou-se famosa, começou a fazer propagandas e logo iniciou carreira de manequim. Em seguida, recebeu convite de Bibi Ferreira para estrelar a peça A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, estreando em 1944 na Cia. Bibi Ferreira, no Teatro Fenix, Rio de Janeiro.

Em seguida, em 1946, foi para Portugal estudar arte dramática com a atriz Palmira Bastos, no Conservatório Nacional de Lisboa.

Em 1947, de volta ao Brasil, passou a fazer parte do grupo Os Comediantes, estreando na peça A Rainha Morta, de Henry de Montherlant, sob a direção de Ziembinski; Terras do Sem-Fim, de Jorge Amado; Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues; e Não Sou Eu, de Edgard da Rocha Miranda.

Em 1948, já separada de Fernando, fundou o Teatro Popular de Arte, junto com seu novo marido, o ator Sandro Polloni, levando grandes peças pela primeira vez para o interior do Brasil. Assim, estreou a peça Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, no Teatro Fênix, Rio de Janeiro.

Em 1954, inaugura sua própria casa de espetáculos, o Teatro Maria Della Costa, no bairro da Bela Vista em São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Com Sandro Polloni à frente da casa, criou um repertório considerado um dos melhores do teatro brasileiro. Montagens como Tobacco Road, de Erskine Caldwell e Jack Kirkland (1948), A Prostituta Respeitosa, de Jean-Paul Sartre (1948), Com a Pulga Atrás da Orelha, de Feydeau (1955), A Moratória, de Jorge Andrade (1955), Rosa Tatuada, de Tennessee Williams (1956), e A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht (1958), marcaram essa fase.

A companhia segue por uma excursão pela Europa e, em 1963, lotaram por 45 dias casas de espetáculos em Buenos Aires. Ao visitar Nova Iorque, conheceu o autor Arthur Miller e dele trouxe, para comemorar os dez anos de seu teatro (1964), a famosa peça Depois da Queda, dirigida por Flávio Rangel. Com esse mesmo diretor faz também os espetáculos Homens de Papel, de Plínio Marcos (1967), Tudo no Jardim, de Edward Albee (1968), entre outros.

Estreou no cinema em 1946 no filme O Cavalo 13. Foi dirigida pelo italiano Camillo Mastrocinque no premiado filme Areião (1952), produzido pela Maristela Filmes. Embora sua prioridade sempre tenha sido o teatro, atuou em alguns filmes importantes como O Malandro e a Grã-fina (1947), ambos sob a direção de Luiz de Barros; Inocência (1949); Caminhos do Sul (1949); Moral em Concordata (1959) e Cristo de Lama (1968).

Fez pouca televisão, mas participa de algumas novelas na TV Tupi, como Beto Rockfeller (1968), As Bruxas (1970), e na TV Globo, Estúpido Cupido (1976), Te Contei? (1978), Sétimo Sentido (1982) e Brasileiras e Brasileiros (1990).

Maria Della Costa foi grande uma batalhadora das artes cênicas teatrais no Brasil, sempre procurando melhores condições de realização dos espetáculos e dando oportunidade para jovens talentos. Em 2002, foi homenageada pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural.

Em 2004, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, através da Coleção Aplauso Edição Especial, lançou o livro Maria Della Costa: seu teatro sua vida, de autoria de Warde Marx, em sua tese de mestrado.

Seu matrimônio com com o ator Sandro Polloni, durou 49 anos. Em seus últimos anos de vida, Maria Della Costa residia no município fluminense de Parati, onde administrava seu hotel. Faleceu aos 89 anos de idade, no dia 24 de janeiro de 2015, no Rio de Janeiro, vítima de edema pulmonar agudo.

Filmografia

:: Filmografia como Atriz ::

1974 :: O Signo de Escorpião
1971 :: Como Ganhar na Loteria sem Perder a Esportiva
1968 :: Cristo de Lama (A História de Aleijadinho) …. Helena
1959 :: Moral em Concordata …. Rosário
1952 :: Areião
1949 :: Caminhos do Sul
1949 :: Inocência …. Inocência
1948 :: Mar Morto (Inacabado)
1947 :: O Malandro e a grã-fina
1946 :: O Cavalo 13

:: Filmografia como Ela Mesma ::

2009 :: Flávio Rangel – O Teatro na Palma da Mão
2006 :: A Mochila do Mascate

Bibliografia

Livros:

MARX, Warde. Maria Della Costa: seu teatro sua vida. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Maria Della Costa. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/maria-della-costa/

Jornais:

GÓIS, Anselmo. A descoberta de Justino. O Globo. 02 de fevereiro de 2015. 10 p.

História do Cinema Brasileiro

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2 comentários sobre “Maria Della Costa (1926-2015)

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