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Mário Carneiro (1930-2007)

Mário Augusto de Bêrredo Carneiro, em arte mais conhecido como Mário Carneiro, foi um cineasta, arquiteto, pintor, gravador, ator, fotógrafo e diretor de fotografia nascido em Paris, na França, em 26 de julho de 1930.

Quando tinha oito anos ganhou do seu tio avô um projetor 9,5mm com vários filmes do Chaplin e da dupla Gordo & Magro. Filho de diplomata, viveu muito tempo em Paris, sendo um assíduo frequentador do Museu do Louvre e da Cinemateca Francesa, antes de se formar em Arquitetura, pela Faculdade Nacional de Arquitetura, em 1955.

Exerceu durante um curto período a profissão de arquiteto, logo passando a dedicar-se ao desenho, à gravura e à pintura. Mas foi ao receber como presente do pai uma camêra bolex 16mm, que se revelou a sua maior paixão: a fotografia de cinema.

Arquiteto, gravurista, pintor, Mário Carneiro foi um artista multimídia que teve uma educação sofisticada. De volta ao Brasil, descobriu o filme Limite, longa-metragem de Mário Peixoto, e seduzido pelo trabalho do fotógrafo Edgar Brasil descobriu que era aquilo que queria fazer.

Seu primeiro emprego foi com Carlos Niemeyer. Começou a se interessar por cinema na segunda metade dos anos 1950. Começou dirigindo e montando pequenos filmes, surrealistas e irreverentes, até juntar-se a jovens cineastas e se tornar um dos mais importantes fotógrafos do Cinema Novo brasileiro.

Fez filmes amadorísticos antes de seu primeiro filme, Arraial do Cabo, em que dirigiu e fotografou em parceria com Paulo César Saraceni. Fotografou o curta Couro de Gato, de Joaquim Pedro de Andrade, e prosseguiu participando ativamente do movimento, ao fotografar clássicos como Porto das Caixas (1962), Garrincha, Alegria do Povo (1962), O Padre e a Moça (1965), etc.

A parceria com Paulo Cezar Saraceni foi a mais constante. Mário Carneiro fotografou praticamente todos os filmes. Fotografou também Todas as Mulheres do Mundo (1967) e Edu, Coração de Ouro, de Domingos de Oliveira.

Como ator, estreou no cinema em 1967 no filme O Engano.

Como fotógrafo, participou de momentos memoráveis do Cinema Brasileiro, como em Porto das Caixas (1962), O Padre e a Moça (1965), A Casa Assassinada (1971), Chico Rei (1985), O Viajante (1999) e Dormentes (2005), seu último filme.

Era um mestre do preto-e-branco. Quando descobriu a cor – A Casa Assassinada, por exemplo –, permaneceu rigorosamente intimista. Mário Carneiro nunca carnavalizou a cor, nem quando fotografou Natal da Portela, de Paulo César Saraceni, fazendo um belo trabalho que destacava as cores da escola – azul e branco.

Fez filmes de curta e média metragem sobre artistas plásticos brasileiros: Iberê Camargo, Lygia Clark, Milton da Costa, Cícero Dias, entre outros.

Em 1976, atendendo ao pedido de Glauber Rocha, Mário Carneiro fez, com a câmera na mão, o curta Di de Glauber, que é um trabalho impressionante dos dois, do diretor e do fotógrafo. No mesmo ano dirigiu seu único longa de ficção – acho que é o único; os outros são todos documentários, curtas ou longas -, Gordos e Magros, uma metáfora sobre o choque entre dois Brasis, o dos ricos e o dos pobres, retratando a opulência dos gordos e a miséria dos magros.

Em 2005 recebe o prêmio de melhor fotografia pelo filme 500 Almas, de Joel Pizzini (que se referia a ele como ‘o Mestre’ ou ‘o Poeta’), no 18º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Seu último filme como fotógrafo é Bom Dia, Eternidade (2006), direção de Rogério de Moura. Mário costumava afirmar que cabe ao diretor de fotografia traduzir visualmente a atmosfera e o estilo da fita. Dele depende toda a genialidade dos cineastas.

Faleceu aos 77 anos de idade, no Rio de Janeiro, no dia 02 de setembro de 2007, vítima de câncer. Com a morte de Mário Carneiro, não é só um fotógrafo ou um cineasta e artista que se foi. Foi-se toda uma época da cinema brasileira, toda uma era de brilho e cultura, da qual ele foi um dos dos maiores representantes.

:: Filmografia como Diretor de Fotografia ::

2010 :: Bom Dia, Eternidade
2007 :: O risco – Lucio Costa e a Utopia Moderna (cofot. Pedro Ionescu)
2005 :: Carlos Oswald – O Poeta da Luz
2004 :: Seo Chico, Um Retrato (cofot. Dib Lutfi)
2004 :: Rio de Jano
2004 :: 500 Almas
2003 :: Eu vi o mundo… Ele começava no Recife
2002 :: Harmada
2002 :: Banda de Ipanema – Folia de Albino
2001 :: A Revolta do Video-Tape (CM)
2001 :: Glauces: Estudo de Um Rosto (CM)
1999 :: Iremos à Beirute
1999 :: O Viajante
1999 :: Sobras em Obras
1998 :: Milton Dacosta: Íntimas Construções (CM)
1996 :: Enigma de um Dia (CM)
1996 :: O Pintor (MM)
1992 :: O Antigo Ministério da Educação e Saúde – Palácio Gustavo Capanema no Relato Pessoal de Lúcio Costa (CM)
1992 :: Acesso à Igreja da Glória em Companhia de Lúcio Costa (CM)
1988 :: Natal da Portela
1988 :: A Terra Proibida (The Forbidden Land) (MM) (Brasil/EUA) (cofot. Gustavo Hadba e Adrian Cooper)
1987 :: Memória do Sangue (CM)
1985 :: Chico Rei (cofot. José Antonio Ventura)
1983 :: Guerra Santa na Avenida (CM)
1983 :: Iberê Camargo (CM)
1983 :: O Mágico e o Delegado
1983 :: Nelson Cavalcanti – Quadro a Quadro (CM)
1982 :: Brasília, Segundo Cavalcanti (MM)
1980 :: Dá-lhe Rigoni (CM) (cofot. Antonio Penido)
1979 :: Deixa Falar (CM)
1978 :: Batalha dos Guararapes
1978 :: Landi, Arquiteto Régio do Grão Pará (CM)
1977 :: Vida Vida (MM)
1977 :: Di de Glauber (CM) (cofot. Nonato Estrela)
1975 :: Motel
1974 :: Pontal da Solidão (cofot. Rudolph Icsey)
1973 :: Comunicação e Expressão no Ensino Fundamental (CM)
1973 :: A Máquina das Maravilhas (CM) (cofot. César Charlone)
1973 :: Missa do Galo (CM)
1973 :: Nelson Cavalcanti – Um Artista Brasileiro (CM)
1973 :: Sagarana, o Duelo
1971 :: A Casa Assassinada
1971 :: Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite
1970 :: A Dança das Bruxas
1970 :: Farnese: Caixas, Montagens, Objetos (CM)
1970 :: Semana Santa em Ouro Preto (CM)
1969 :: José Lins do Rêgo (CM)
1969 :: Nelson Cavaquinho (CM)
1968 :: Capitu
1968 :: Balada da Página Três
1967 :: O Engano
1967 :: Mar Corrente
1967 :: O Povo das Águas (CM)
1967 :: Edu, Coração de Ouro
1966 :: Todas as Mulheres do Mundo
1966 :: A Derrota (cofot. Dib Lutfi)
1965 :: O Padre e a Moça
1964 :: A Morte em Três Tempos
1963 :: A Nave de São Bento (A Nave do Mosteiro) (CM)
1963 :: Gimba, Presidente dos Valentes
1963 :: Crime no Sacopã
1962 :: Porto das Caixas (CM)
1962 :: Garrincha, Alegria do Povo
1961 :: Cinco Vezes Favela (Episódio: Couro de Gato)
1960 :: Couro de Gato
1959 :: Arraial do Cabo

:: Filmografia como Diretor ::

2003 :: Eu Vi o Mundo… Ele Começava em Recife (CM)
1998 :: Milton Dacosta: Íntimas Construções (CM)
1984 :: Memória do Corpo
1983 :: Pintura Pintura
1983 :: Iberê Camargo (CM)
1978 :: Landi, Arquiteto Régio do Grão Pará (CM)
1977 :: Gordos e Magros
1973 :: Encontro das Águas (codir.: Paulo César Saraceni) (CM)
1963 :: A Nave de São Bento (A Nave do Mosteiro) (CM)
1959 :: Arraial do Cabo (codir.: Paulo César Saraceni) (CM)

:: Filmografia como Montador ::

1972 :: Trabalhar na pedra

:: Filmografia como Roteirista ::

2002 :: Harmada
1988 :: Romance

:: Filmografia como Operador de Câmera ::

1970 :: Tostão, a Fera de Ouro
1967 :: Mar Corrente

:: Filmografia como Ator ::

1982 :: O Homem do Pau-Brasil
1974 :: As Mulheres que Fazem Diferente
1967 :: Mar Corrente
1967 :: O Engano

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2020 :: A Luz de Mário Carneiro
2007 :: O risco – Lucio Costa e a Utopia Moderna
2007 :: Criador de Imagens: ensaio sobre o olhar de Mário Carneiro
2007 :: Iluminados
2005 :: A câmera de Dib Lutfi
2003 :: Banda de Ipanema – Folia do Divino
1997 :: Dib – O Fotógrafo do Cinema Novo
1987 :: Memória Viva

Fontes de Referência

Livros:

DUARTE, Fernando. Fernando Duarte: um mestre da luz tropical. São Paulo: Cinemateca Brasileira, 2010.
ÉBOLI, Fabiana; NAVAS, Adolfo Montejo; MATTOS, Carlos Alberto. Mario Carneiro trânsitos. Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2013.
FREIRE, Miguel. O Criador de Imagens: a luz Brasileira de Mario Carneiro. : Kotter Editorial, 2018.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
______. Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011.

Internet:

ESCOREL, Lauro. Entrevista com Mário Carneiro. Associação Brasileira de Cinematografia. Entrevista feita em 1998. Disponível no endereço: https://pt.scribd.com/document/311984772/Mario-Carneiro-Entrevista-a-Lauro-Escorel
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Mário Carneiro. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/mario-carneiro/

História do Cinema Brasileiro

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