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Mário Peixoto (1908-1992)

Biografia

Mário Breves Peixoto, em arte conhecido como Mário Peixoto foi um diretor, produtor, montador e roteirista cinematográfico nascido cidade de Bruxelas, na Bélgica, no dia 25 de março de 1908.

Escritor e poeta aos 15 anos de idade, Mário Peixoto passou boa parte de sua juventude na Europa, onde estudou durante os anos de efervescência do expressionismo alemão, do Avant-garde francês e do cinema de montagem teorizado e praticado pelos soviéticos.

De volta ao Brasil, juntou-se ao grupo do Chaplin Club, cineclube fundado em 1928 por jovens intelectuais cujo objetivo era o estudo do cinema como uma arte. O Chaplin Club foi de importância decisiva para as formações cinematográficas de Mário Peixoto. Foi das discussões em torno da essência do cinema, de seus problemas de linguagem, das diversas teorias então em voga, que ele se decidiu a buscar um cinema de alto nível artístico.

Por outro lado, através de Sylvio Schnoor e Brutus Pedreira, Mário Peixoto se viu imediatamente associado a um projeto de criação de um cinema brasileiro técnica e estéticamente mais efetivo do que o que até então existia. Ambos participaram como figurantes de Barro Humano (1929), o primeiro filme dirigido pelo jornalista Adhemar Gonzaga, e que se pretendia que fosse o modelo desse cinema mais eficaz. Assim, Mário Peixoto foi sendo envolvido pelo entusiasmo de seus participantes e a certa altura, depois de ter visto Brasa Dormida (1928), de Humberto Mauro, decidiu fazer um filme. Isto ocorreu em março de 1929, e até o início das filmagens de Limite, em maio de 1930, ele escreveria o roteiro – após aprendizado com Octavio de Faria – a partir de suas anotações motivadas por certa fotografia da revista francesa Vu, onde aparecia um rosto de mulher envolto por mãos masculinas algemadas.

Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro, convidados para dirigir o filme, recusam, alegando ser um argumento muito pessoal. Mário assumiu então a direção de Limite. As filmagens se realizaram em Mangaratiba, Rio de Janeiro, entre maio e dezembro de 1930. Em janeiro de 1931, o filme já estava pronto. Naquele mesmo ano, ocorre a estréia do filme nos cinemas, dividindo críticos, intelectuais e espectadores comuns. Os dois primeiros, intelectuais como Vinícius de Moraes e Rachel de Queiroz, identificavam na obra elementos da vanguarda francesa, com a qual o cineasta, que passou a adolescência na Europa, teria convivido. O resultado não foi um filme narrativo que se constrói apenas no plano visual. Na tradição de um cinema europeu proposto na década de 20 por Epstein, Dullac, Gance, Eisenstein ou mesmo Vertov, as imagens que o tema gerava só tinham sentido no ritmo dado pela montagem. O público que viu o filme com olhos menos preparados, porém, se aborreceu com duas horas de cinema mudo e poucos interlúdios. Depois dessa repercução, Peixoto não quis que “Limite” fosse novamente exibido no Brasil. Levado à Europa, o filme foi aplaudido em Londres e Paris. Esse longa-metragem é uma obra-prima do cinema mudo brasileiro, sendo uma das poucas contribuições do Brasil para o estilo Avant-garde.

Durante décadas Limite foi considerado desaparecido. Mário Peixoto doara a única cópia existente ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e lá o filme sofreu danos irreparáveis. Somente em 1972, após ser restaurado por Saulo Pereira de Almeida e Plínio Sussekind Rocha, o filme pôde ser revisto.

Limite foi o único filme de Mário Peixoto. Depois dele, o cineasta escreveu outros roteiros, mas nenhum foi realizado. Em 1931, começou a filmar, em co-produção com Carmen Santos, O Sono Sobre a Areia, cujo título foi mudado para Onde a Terra Acaba, do qual restaram apenas fragmentos. Escreveu ainda os roteiros Um Pássaro Triste, A Alma Segundo Salustre, editado pela Embrafilme em 1983, e, em parceira com Saulo Pereira de Mello, Jardim Petrificado/Outono. Deixou inéditos os romances Sombrio e O Inútil de Cada Um, obra gigantesca em seis volumes onde, segundo o próprio autor, estariam reunidas as idéias que deram origem a Limite. Apenas o pimeiro volume deste romance foi publicado em 1984.

Mário Peixoto conseguiu o feito de ter uma cinematografia menos numerosa do que os documentários rodados sobre ele. O cineasta foi homenageado com dois curtas: O Homem e o Limite (1976), de Ruy Santos, e O Homem do Morcego (1980), de Ruy Solberg.

Mário Peixoto faleceu em 02 de fevereiro de 1992 no Rio de Janeiro.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1931 :: Limite

:: Filmografia como Roteirista ::

1933 :: Onde a Terra Acaba
1931 :: Limite

Livros Publicados

Peixoto, Mario. O inútil de cada um. Rio de Janeiro: Record, 1984.
Peixoto, Mário. Limite. “scenario” original. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996.
Peixoto, Mário. O inútil de cada um. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996. (reedição da versão de 1931, 153p.)
Peixoto, Mário. Mundéu. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1996.
Peixoto, Mario e Mello, Saulo Pereira de. Outono – O jardim petrificado (scenario). Rio de Janeiro: aeroplano, 2000.
Peixoto, Mário. Poemas de permeio com o mar. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002.
Peixoto, Mário. Seis contos e duas peças curtas. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004.

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

Castro, Emil de. Jogos de armar. Rio de Janeiro: Lacerda, 2000.
Mello, Saulo Pereira de. Limite. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
Mello, Saulo Pereira de. Mário Peixoto. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1996.
Mello, Saulo Pereira de. Mário Peixoto: escritos sobre cinema. Rio de Janeiro: aeroplano, 2000.
Rocha, Glauber. Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2000.

Trabalhos Acadêmicos:

Estudos sobre Limite de Mário Peixoto. Laboratório de Investigação Audiovisual-LIA da Universidade Federal Fluminense; CD-ROM (2000).

Internet:

http://www.mariopeixoto.com/biografia.htm

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