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Morte e Vida Severina (1977)

Sinopse

Severino é um retirante: ele é como muitos outros e que está partindo para o litoral, fugindo da seca, da morte. A vida na Capital parece mais atraente, mais vida, menos severina. Em suas andanças, entretanto, Severino se depara a todo momento não com a vida, mas sim com o que já conhece como coisa vulgar: a morte e o desespero que a cerca.

Em seu primeiro encontro com ela, o retirante topa com dois homens carregando um defunto até sua última morada. Durante uma conversa, descobre que o pobre coitado havia sido assassinado e que o motivo fora ter querido expandir um pouco suas terras, que praticamente não eram produtíveis.

O retirante segue sua viagem e percebe que na região onde se encontra, nem o rio Capibaribe – seco no verão – consegue cumprir o seu papel. Severino sente medo de não conseguir chegar ao seu destino. Escuta, então, uma cantoria e, aproximando-se, vê que está sendo encomendado um defunto. Pela primeira vez, Severino pensa em interromper sua descida para o litoral e procurar trabalho naquela vila. Ao dirigir-se a uma mulher, descobre que tudo que sabe fazer não serve ali, e o único trabalho existente e lucrativo é o que ajuda na morte: médico, rezadeira, farmacêutico, coveiro. E o lucro é certo nessas profissões, pois não faltam fregueses, uma vez que ali a morte também é coisa vulgar.

Se não há como trabalhar, mais uma vez Severino retoma seu rumo e chega à Zona da Mata, onde novamente pensa em interromper sua viagem e se fixar naquela terra branda e macia, tão diferente da solo do Sertão. Mais do que isso: começou a acreditar que não via ninguém porque a vida ali deveria ser tão boa, que todos estavam de folga e que ninguém deveria conhecer a morte em vida, a vida severina _ . Ilusão de quem está à procura do paraíso: logo Severino assiste ao enterro de um trabalhador de eito e ouve o que dizem do morto os amigos que o levaram ao cemitério. Severino se dá conta que ali as privações são as mesmas que ele conhece bem e que também a única parte que pode ser sua daquela terra é uma cova para sepultura, nada mais.

O retirante resolve então apressar o passo para chegar logo ao Recife. Severino senta-se para descansar ao pé de um muro alto e ouve uma conversa. É mais uma vez a morte rondando, são dois coveiros que lhe dão a má notícia: toda a gente que vai do Sertão até ali procurando morrer de velhice, vai na verdade é seguindo o próprio enterro, pois logo que chegam, são os cemitérios que os esperam.

Severino nunca quis muito da vida, mas está desiludido: esperava encontrar trabalho, trabalho duro mas agora – desespero! – já se imagina um defunto como aqueles que os coveiros descreviam, faltava apenas cumprir seu destino de retirante.

Nesse momento, aproxima-se de Severino seu José, mestre carpina, morador de um dos mocambos que havia entre o cais e a água do rio. O retirante, desesperançado, revela ao mestre carpina sua intenção de suicídio, de se jogar naquele rio e ter uma mortalha macia e líquida. Se José tenta convencer Severino que ainda vale a pena lutar pela vida, mesmo que seja vida severina . Mas Severino não vê mais diferença entre vida e morte e lança a pergunta: que diferença faria se em vez de continuar tomasse melhor saída:a de saltar, numa noite, fora da ponte e da vida?

Da porta de onde havia saído o mestre carpina, surge uma mulher, que grita uma notícia. Um filho nascera, o filho de seu José ! Chegam vizinhos, amigos, pessoas trazendo presentes ao recém-nascido . Vêm também duas ciganas, que fazem a previsão do futuro do menino: ele crescerá aprendendo com os bichos e no futuro trabalhará numa fábrica, lambuzado de graxa e, quem sabe, poderá morar num lugar um pouco melhor.

Severino assiste ao movimento, ao clima de euforia com a vinda do menino. O carpina se aproxima novamente do retirante e reata a conversa que estavam levando. Diz que não sabe a resposta da pergunta feita, mas, melhor que palavras, o nascimento da criança podia ser uma resposta: a vida vale a pena ser defendida.

Elenco

Alves, Tânia (Cigana e mulher da janela)
Dumont, José (Severino)
Garcia, Stênio (Severino)
Mendonça, Luís (Severino)
Ramalho, Elba (Cigana e mulher da janela)
Soares, Joffre (José, Mestre Carapina)
Amós, Albee
Breda, Walter
França, Kátia de
Guerra, Hélio
Lemes, Lourival
Martins, Gloria
Nunes, Adalberto
Tosath, Edna
Andrade, Elcy José de
Conceição, Luis Carlos da
Menezes, Maria da Graça
Dona Moça
Viveiros, Alice
Marquinhos
Sereno

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de Morte e Vida Severina (1977) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Zelito Viana
Argumento: Melo Neto, João Cabral de
Roteiro: Zelito Viana
Adaptação: Zelito Viana
Estória Baseada nos poemas O Rio e Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto
Continuidade: Melo, Inês Cabral de
Produção: Zelito Viana
Direção de produção: Barbosa, Nilson
Gerente de produção: Puppin, João
Direção de fotografia: Nunes, Francisco Balbino; Escorel, Lauro; Medeiros, José
Fotografia de cena: Vaz, Luiz Eduardo
Eletricista: Medeiros, Ruy
Maquinista: Olimpio, José
Direção de som: Raposeiro, Victor
Som direto: Raposeiro, Victor; Barbosa, Nilson
Montagem: Gilberto Santeiro
Figurinos: Monteiro, Regis
Guarda-roupa: Dona Moça
Cenografia: Monteiro, Regis
Letreiros: Regis & Inez
Assistencia de cenografia: Candeias, Fernanda
Contra-regra/acessórios de cenografia: Ataújo, Vital
Montagem de cenário: Patricio, Antonio
Assistência de figurino: Candeias, Fernanda
Arranjos musicais: Barbosa, Airton
Música: Holanda, Chico Buarque de
Companhia(s) produtora(s): Mapa Produções Cinematográficas Ltda. | K. M. Eckstein
Companhia Co-produtora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.
Companhia Distribuidora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.

Dados adicionais de música:
Instrumentista: Azevedo, Geraldo – viola e violão; França, Kátia de – sanfona; Lemes, Lourival – zabumba; Medeiros, Ronaldo – flauta; Wanderley, Ivson – viola; Normando – percussão; Cidinho – percussão; Shangay – percussão

Título da música: Funeral de um lavrador;
Música de: Holanda, Chico Buarque de;

Título da música: Mulher da janela
Música de: Holanda, Chico Buarque de

Locação: Rio Capibaribe – PE; Pernambuco

Prêmios

Melhor Montagem para Santeiro, Gilberto no Festival de Brasília, 10, 1977, Brasília – DF..
Margarida de Prata da CNBB, 1977 – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Rio de Janeiro, RJ.

Bibliografia

Fontes utilizadas:
CB/Transcrição de letreiros-Cat
CB/FIBRA
Guia de Filmes, 73/75
FBR/30ACF
Veja, 29.06.1977
O Estado de S. Paulo, 05.03.1978
Jornal da Tarde, 06.03.1978
CB/EMB-110.1-00101
CB/EMB-110.2-00618

Fontes consultadas:
ACPJ/II
ALSN/DFB-LM
FBR/10
FBR/16

Livros:

BALADI, Mauro. Dicionário de Cinema Brasileiro: filmes de longa-metragem produzidos entre 1909 e 2012. São Paulo: Martins Fortes, 2013.

Internet:

CNBB. Disponível no endereço: http://www.cnbb.br/site/imagens/arquivos/files_49b12ee5469cb.pdf, acesso em: 28.06.2011.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/morte-e-vida-severina/

Observações:
Guia de Filmes 73/75 indica a censura para menores de 16 anos. Filmado originalmente em 16mm e depois ampliado para 35mm em laboratórios norte-americanos. É um misto de documentário e ficção. A parte documental foi fotografada por Francisco Balbino Nunes e a ficcional por José Medeiros.
Veja de 29.06.1977 comenta que o diretor Zelito Viana fez um documentário, em 1975, em , nas diversas regiões por onde passa o Rio Capibaribe. Depois, filmou e acrescentou as imagens da parte ficcional, baseando-se no poema de João Cabral de Mello Neto. A censura liberou-o sem cortes para todo território nacional, mas foi proibido para exibição no exterior, para não denegrir a imagem do Brasil.
Jornal da Tarde de 06.03.1978 cita que o filme foi originalmente planejado para a televisão, projeto que não se realizou. O diretor prosseguiu o seu trabalho, dividindo-o em 3 partes, sendo uma exclusivamente documental, filmada em 16mm, em preto e branco e cores.

História do Cinema Brasileiro

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