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Na veia do rio (2002)

Sinopse

Uma viagem através do rio, partindo de sua foz, na região do Cabeço, divisa entre os estados de Alagoas e Sergipe, até o sertão do São Francisco, aproximadamente 300 km a montante, é o ponto central que guia nosso olhar pela região do Baixo São Francisco. A última canoa de tolda, de nome Luzitânia, é veículo que nos leva nesta viagem por uma região que representa um Brasil tradicional. Construída inteiramente em madeira, esta antiga embarcação de grande porte outrora coloria o rio São Francisco com suas velas imponentes.

Além da Luzitânia outros barcos característicos da região sobem o rio, fazendo perceber nas margens o paradoxo de um mundo marcado pela tradição, em Tempos Modernos de espaços homogêneos. A cada porto, no embarque e desembarque dos passageiros e das cargas – animais, bicicleta, material de construção, quiabo, milho, feijão, carneiro – a vida em cada um desses lugares vai aparecendo, como uma imagem que se forma na água – profunda e efêmera. As histórias particulares se somam e, como uma colcha de retalhos, constroem a história do lugar. Aos poucos vai-se descobrindo o que no lugar é importante para seus habitantes, fatos que marcaram suas vidas, que podem ser tristes, hilariantes, inusitados, graves, levianos… Avançando rio acima, nota-se as mudanças no ambiente. Dos horizontes largos e paisagens abertas com os belos terraços típicos da maior bacia sedimentar do Brasil, mais próximo à foz, passamos à natureza característica do sertão semi-árido nordestino. Neste trecho, mandacarus, macambiras, juazeiros, craibeiras e catingueiras, mostram que há muito mais vida entre os montes de terra seca e pedra do que muitos possam imaginar. No ritmo do navegar do barco, surgem momentos de silêncio, com imagens que sugerem reflexão – encher os olhos e esvaziar a mente.

A música se destaca na percepção dos hábitos da população. Ao longo da viagem ouve-se a programação das rádios locais e o som ao vivo dos sanfoneiros da região, que se mistura com Legião Urbana, Zezé di Camargo e Latino, aparentemente deslocados.

O que faz sentido aqui é a impressão, o devaneio, em que o conhecimento vai sendo elaborado devagar, de forma alegre, e nunca é definitivo! Este filme não é teórico – embora busque suscitar reflexões que vão além do empirismo – e tem mais o objetivo de ser um ponto de partida para o diálogo que um tratado informativo. Uma atitude, uma conversa entre compadres, podem nos dizer mais do que palavras formalmente explicativas.

Cenas do cotidiano, como a brincadeira de crianças, a movimentação das embarcações, conversas informais, um bebê que vai ser “rezado”, a vaquejada dos finais de semana, a pesca, a caça, o conhecimento das espécies medicinais, o burburinho das coloridas e variadas feiras livres passam a fazer com que espectadores e “espectados” compartilhem um imaginário colorido pelo rio.

Um discurso que parte do coração do ribeirinho e do silêncio e da grandeza da paisagem, onde cada um constrói a sua visão do baixo São Francisco.

Ficha Técnica

Direção: Ana Rieper
Pesquisa e Projeto: Ana Rieper e Carlos Eduardo Ribeiro
Fotografia: Monica Rogozinski
Produção: Carlos Eduardo Ribeiro
Som direto: Pedro Moreira
Edição: Sueli Nascimento
Trilha Sonora: Zé Lourenço e músicos do Bar do Jacó
Still: Jairo Andrade e Paulo Paes de Andrade
Co-produção: Paladina Filmes, Sociedade Canoa de Tolda
Patrocínio: Banco do Nordeste, Chesf, Eletrobrás
Apoio Cultural: VideoFilmes, Fundação Joaquim Nabuco, Governo de Sergipe

Cor, 77 minutos, DV, 2002

Bibliografia

Internet:

CANOA DE TOLDA. Disponível no endereço: http://canoadetolda.org.br/?page_id=3094

História do Cinema Brasileiro

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