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Naná Vasconcelos (1944-2016)

Biografia

FOTO Nana VasconcelosJuvenal de Holanda Vasconcelos, em arte conhecido como Juvenal Vasconcelos, foi um músico e percursionista brasileiro nascido na cidade de Recife (PE) no dia 02 de agosto de 1944. Desde jovem se envolveu os tambores nos movimentos de maracatu locais. Começou a tocar aos 12 anos com seu pai numa banda marcial no Recife.

Iniciou sua carreira profissional em Recife, tocando bateria em cabarés. Mais tarde, foi percussionista da Banda Municipal local. Acompanhou Gilberto Gil em shows pelo Nordeste. Em 1967, viajou para o Rio de Janeiro, onde conheceu Maurício Mendonça, Nélson Angelo, Joyce e Milton Nascimento, com quem atuou na gravação de dois LPs.

No ano seguinte, seguiu para São Paulo. Ao lado de Nélson Angelo, Franklin e Geraldo Azevedo, fez parte do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré em Pra não dizer que não falei de flores na fase paulista do III Festival Internacional da Canção.

Em 1969, apresentou-se com Gal Costa no Curtisom e no Museu de Arte Moderna de São Paulo. De volta ao Rio de Janeiro, formou o Trio do Bagaço, com Nélson Angelo e Maurício Maestro, apresentando-se, com o grupo, no México, a convite de Luis Eça.

Mesmo depois de duas décadas tocando pelo mundo, morou em Paris e Nova York, as influências de sua terra estão presentes em tudo o que faz. Dotado de uma curiosidade intensa, indo da música erudita do brasileiro Villa-Lobos ao roqueiro Jimi Hendrix, Naná aprendeu a tocar praticamente todos os instrumentos de percussão, embora nos anos 60 tenha se especializado no berimbau.

Depois das mais variadas experiências musicais, Naná Vasconcelos mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar com Milton Nascimento. Atuou na trilha sonora de Pindorama (1970), filme de Arnaldo Jabor. Nessa época, conheceu o saxofonista argentino Gato Barbieri o convidou para juntar-se ao seu grupo. Apresentaram-se em Nova York e Europa, com destaque para o festival de Montreaux, na Suíça, onde o percussionista encantou público e crítica. Ao término da turnê, fixou residência em Paris, França, durante cinco anos, onde gravou o seu primeiro álbum – Africadeus (1971). No Brasil, Naná gravou o seu segundo disco Amazonas (1972). Começou, então, uma bem-sucedida parceria com o pianista e compositor Egberto Gismonti, durante oito anos, que resultou em três álbuns – Dança das Cabeças, Sol do Meio-Dia e Duas Vozes.

De volta a Nova York, formou o grupo Codona, com Don Cherry e Colin Walcott, também gravando e fazendo turnê com a banda do guitarrista Pat Metheny. Trabalhando com artistas das mais variadas tendências, Naná Vasconcelos gravou com B.B. King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com o grupo de rock americano Talking Heads, liderado por David Byrne. Nessa altura, Naná já havia trabalhado nas trilhas dos filmes Procura-se Susan Desesperadamente, de Susan Seidelman, estrelado por Rosanna Arquette e Madonna, e Down By Law, do cultuado diretor Jim Jarmusch, além de Amazonas, de Mika Kaurismäki.

O trabalho de Naná sempre demonstrou a amplitude do seu talento, e nos anos 80 gravou o disco Saudades, concerto de berimbau e orquestra. Depois, vieram os álbuns Bush Dance e Rain Dance, suas experiências com instrumentos eletrônicos. Daí por diante, Naná esteve envolvido mais diretamente com o cenário musical brasileiro ao fazer a direção artística do festival Panorama Percussivo Mundial (Percpan), em Salvador, e do projeto ABC Musical, além de participações especiais em álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, entre outros.

Em meio a inúmeros lançamentos fora do país, Naná Vasconcelos lançou no Brasil o disco “Contando Estórias” (94), depois os CDs Contaminação e Minha Lôa. No fim de 2005, lançou Chegada, pela gravadora Azul Music, e em 2006, o CD intitulado Trilhas, reunindo temas que compôs para os filmes Quase dois irmãos (2004), de Lucia Murat; Nzinga, de Rose Lacret e Otávio Bezerra, e Ori – Canção para Aisha, de Raquel Gerber; e para os espetáculos de dança Corpos luz, da companhia de balé Dança Vida, de Ribeirão Preto, e Balé de Rua – Uma história brasileira, da companhia Balé de Rua, de Uberlândia. Em todas as faixas, o músico assina voz e percussão.

Em parceria com Marcos Suzano, Caito Marcondes e Coração Quiáltera, lançou, em 2010, o CD Sementeira: Sons da Percussão, contendo suas composições Sementeira, Ifá, Convite e Ensaio geral, todas com Caito Marcondes, Marcos Suzano e Coração Quiáltera, Lua Nova (c/ Coração Quiáltera) e Nada mais sério, além de Triciclo e Ditempus Intempus, ambas de Coração Quiáltera), Canto de trabalho (Caito Marcondes) e No morro (Marcos Suzano).

No final de 2010, Naná lança seu mais recente trabalho autoral, o CD Sinfonia e Batuques, misturando percussão e cordas, experimentando células ritmicas feitas na água, entre outra invenções. O disco foi agraciado com um Grammy Latino, na categoria Álbum de Música Regional, em novembro de 2011. Com raízes pernambucanas, Naná idealizou o projeto ABC das Artes Flor do Mangue, trabalho com crianças carentes. Uma trajetória de vida que esbanja virtuosismo musical e integridade pessoal em tudo o que faz e toca.

Naná Vasconcelos ganhou, por sete anos consecutivos (1984-1990), o prêmio de Melhor Percussionista do Ano da conceituada revista Down Beat.

Em 2013, o músico fez a trilha sonora da animação O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, que disputou o Oscar de melhor filme de animação em 2016.

No dia 9 de dezembro de 2015, Naná Vasconcelos recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Na manhã do dia 09 de março de 2016, Naná Vasconcelos morre aos 71 anos de idade após parada respiratória em decorrência do câncer de pulmão.

Filmografia

:: Filmografia como Compositor de Trilha Sonora ::

2004 :: Espelho d’Água – Uma Viagem no Rio São Francisco
1999 :: Pierre Fatumbi Verger: Mensageiro entre dois mundos
1993 :: Because Why
1990 :: Amazon (Amazonas)
1990 :: Bad Influence (Sob a Sombra do Mal)
1989 :: Wild Orchid (Orquídea Selvagem)
1989 :: Slipstream
1985 :: Fandango

:: Filmografia como Compositor ::

2014 :: O Menino e o Mundo
2013 :: Revelando Sebastião Saldado
2008 :: O Outro Lado do Morro
2008 :: Children of the Amazon
2006 :: Atabaque Nzinga
2005 :: Entre Paredes
2004 :: Quase dois irmãos
2004 :: Espelho d’Água – Uma Viagem no Rio São Francisco
2000 :: Pierre Fatumbi Verger: Mensageiro Entre Dois Mundos
1999 :: Confidências do Rio das Mortes
1999 :: O Primeiro Dia
1996 :: O Sertão das Memórias
1995 :: Filhas de Iemanjá
1994 :: Tigrero: A Film That Was Never Made
1993 :: Because Why
1993 :: Un día con Angela
1990 :: Amazon (Amazonas)
19 :: Down By Law
19 :: Procura-se Susan Desesperadamente
19 :: O sertão das memórias
1989 :: Ôrí – Canção para Aisha
1985 :: Chico Rei
1985 :: Nifrapo
1976 :: Le journal de Getuglio (TV)
1971 :: O Rei dos Milagres
1970 :: Pindorama

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

:: Diário de Naná
2006 :: Atabaque Nzinga
2005 :: Aboio
2003 :: A Pessoa É Para o Que Nasce
1996 :: Bahia de Todos os Sambas

Bibliografia

Livros:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 3ª ed. EAS Editora, 2014.

Internet:

NANÁ VASCONCELOS – SITE OFICIAL. http://www.nanavasconcelos.com.br/

História do Cinema Brasileiro

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4 comentários sobre “Naná Vasconcelos (1944-2016)

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