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Nicette Bruno (1933-2020)

FOTO Nicette BrunoNicete Xavier Miessa, mais conhecida como Nicette Bruno, foi uma atriz brasileira e empresária teatral brasileira nascida em Niterói (RJ) no dia 07 de janeiro de 1933.

Filha de Sinésio Campos Xavier e da atriz Eleonor Bruno, Nicette começou a carreira artística em influência da própria família, em que praticamente todos os parentes se dedicaram à arte.

Muito criança, mudou-se para o Rio de Janeiro. A carreira iniciou quando Nicette tinha apenas 4 anos, declamando e cantando no programa infantil do Alberto Manes, na Rádio Guanabara. Aos 6 anos, começou a estudar piano, no Conservatório Nacional, e a se apresentar como pianista, no mesmo programa. Aos onze anos, entrou para o Teatro Universitário.

Em 1945, atuou como Julieta na peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Sua estreia oficial aconteceu em 1946, com apenas treze anos, na peça A Filha de Iório, de Gabriel D’Annunzio. Sua atuação lhe valeu a medalha de ouro de Atriz Revelação pela ABCT (Associação Brasileira de Críticos Teatrais). No ano seguinte, fez sua estreia no cinema, no filme Querida Suzana.

Aos 17 anos, fundou, em São Paulo, o Teatro de Alumínio, na Praça das Bandeiras, edifício sede do Teatro Íntimo Nicette Bruno (TINB), companhia criada anos mais tarde. Durante as décadas de 1950 e 1960, ela integrou praticamente todas as principais companhias de teatro do país, recebendo vários prêmios de Melhor Atriz.

Em 1952, Nicette conheceu o ator Paulo Goulart, durante a peça Senhorita Minha Mãe, de Louis Verneuil, com quem se casou em 1954 no palco do teatro. Junto com o marido, a atriz conheceu o kardecismo há mais de quatro décadas, em virtude da morte de um parente seu. A religião, que eles transmitiram aos três filhos, os ajudou a superar a perda.

Na televisão, estreou em 1958 no especial Suspeita. Começou nas extintas emissoras TV Excelsior e Tupi, atuando em novelas de sucesso na época como Os Fantoches (1967), A Muralha (1968), O Meu Pé de Laranja Lima, Rosa-dos-Ventos, Éramos Seis e Como Salvar Meu Casamento.

Ainda no início da década de 1960, Nicette e seu marido, a convite de Cláudio Corrêa e Castro, moraram em Curitiba, trabalhando no Teatro Guaíra, lecionando artes cênicas para o projeto Curso Permanente de Teatro e fazendo parte do Teatro de Comédia do Paraná.

Em 1964, fundou com o marido a Companhia Nicete e Paulo Produções, que produz, entre outras, Escola de Mulheres e Os Efeitos do Raio Gama nas Margaridas do Campo.

Na TV, brilhou em seu melhor e mais importante papel, na novela A Fábrica, em 1971, pela TV Tupi. Nos anos seguintes continuou a fazer sucesso nas novelas Papai Coração (1976), Sétimo Sentido (1982), entre outras. Depois, ao transferir-se para a Rede Globo encarnou ainda personagens célebres em novelas como Selva de Pedra (1986), Sétimo Sentido, Louco Amor, Bebê a Bordo, Rainha da Sucata (1990), A Próxima Vítima (1995), O Amor Está no Ar (1996), Alma Gêmea (2005) e O Profeta (2006), Mulheres de Areia, entre outros sucessos.

Em 1998, lançou, junto com Paulo Goulart, o livro Grandes Pratos e Pequenas Histórias de Amor, pela editora FTD.

Entre 2001/2004, após ter se afastado por um bom tempo da televisão, encarnou Dona Benta durante 4 anos na segunda versão para a TV do Sítio do Pica-Pau Amarelo, ganhando grande notoriedade com este papel.

Em 2004, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, pela Coleção Aplauso, lança sua biografia, Nicette Bruno e Paulo Goulart: tudo em família, de autoria de Elaine Guerini.

Em 2005, voltou às telenovelas interpretando Ofélia em Alma Gêmea. Em 2006, fez uma breve porém significativa participação especial no primeiro capítulo de O Profeta como Tia Cleide. Em 2007, foi a vez da humilde e bondosa Dona Juju em Sete Pecados.

Em 2010, deu vida à dedicada Júlia Spina no remake Ti Ti Ti. No ano seguinte, interpretou Iná, em A Vida da Gente. Em 2012, interpretou a matriarca Dona Leonor em Salve Jorge. Em 2013, Nicette trabalhou na novela Joia Rara, interpretando a personagem Santinha.

Em 2014, a atriz estreou a peça Perdas e Ganhos. O monólogo da escritora Lya Luft, com direção da filha da atriz, Beth Goulart, é uma homenagem ao marido, o ator Paulo Goulart.

Entre as homenagens que colecionou durante a carreira, está Prêmio Molière de melhor atriz na peça O Efeito dos Raios Gama Sobre as Margaridas do Campo (1974), de Paul Zindel. Foi duas vezes premiada com o troféu APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), como melhor atriz nas novelas Éramos Seis (1978) e Como Salvar Meu Casamento (1980).

Nos últimos anos, continuava atuante no teatro, no cinema e na televisão. Em 2016, completou 70 anos de carreira.

Seu último papel na telinha foi Madre Joana, no remake da novela Éramos Seis. Em 2019, fez uma judia possessiva em Órfãos da Terra.

Do casamento de mais de cinquenta anos com Paulo Goulart, um dos mais duradouros da vida artística brasileira, teve três filhos, todos atores, Bárbara Bruno (1957), Beth Goulart (1961) e Paulo Goulart Filho (1965). Até a neta, Vanessa Goulart (1976), também é atriz.

Nicette Bruno faleceu aos 87 anos no dia 20 de dezembro de 2020, por complicações decorrentes do coronavírus. Estava internada na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, desde 29 de novembro.

:: Filmografia como Atriz ::

2018 :: O Avental Rosa
2015 :: Doidas e Santas
2008 :: A Guerra dos Rocha
2002 :: Seja o que Deus Quiser
1999 :: Zoando na TV
1998 :: Vila Isabel (CM)
1971 :: A Marcha
1953 :: Esquina da Ilusão
1952 :: O Canto da Saudade
1947 :: Querida Suzana

:: Filmografia como Ela Mesma ::

2021 :: Zimba
2017 :: O Cravo e a Rosa

Livros:

GUERINI, Elaine. Nicette Bruno e Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Nicette Bruno. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/nicette-bruno/

História do Cinema Brasileiro

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