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Nunca fomos tão felizes (1984)

Sinopse

Anos 70. Depois de passar alguns anos num internato católico, órfão de mãe reecontra o pai recém-saído da prisão e tenta devendar-lhe o passado político.

Nunca Fomos Tão Felizes trata da relação entre um adolescente, órfão de mãe, interno há oito anos em um colégio religioso e seu pai, militante clandestino da luta armada contra a ditadura militar.

O filme começa quando o filho é surpreendido pelo pai, que sequer lhe escrevera uma carta nesses oito anos e que vem buscá-lo para viverem juntos num apartamento em Copacabana.

O conflito da relação reside no fato de que, para o filho, seu pai é um total desconhecido e o que ele mais deseja é justamente saber quem é seu pai. Este se vê impossibilitado de se revelar por razões de segurança impostas por sua atividade pol’tica clandestina. Instaura-se um paradoxo. O pai diz: filho, quanto menos você souber sobre mim, melhor será para você!.

A situação exposta é uma síntese, ao nível da relação pai/filho, do que aconteceu no Brasil no período de 1969 a 1974, quando parte da esquerda radicalizou o processo poli’tico, deflagrando a luta armada contra a ditadura, se outorgando o direito de agir e falar em nome de um desejo revolucionário latente no povo, sem saber se esse desejo era real. Perplexidade perante a impotância da situação paradoxal: ambos personagens se desejam, mas o amor é impossível. Impossível pela distância, pelo tempo que os separou, imposs’vel também pelos impedimentos inerentes à própria opção de luta escolhida pelo pai, pois esta opção o distancia do objeto amado (filho/povo). A tensão vivida permanentemente na relação dos dois resgata todo o clima da época narrada no filme, sentimento vivido por todos nós pais/filhos deste período tresloucado de nossa história recente. O que resta ao filho, perplexo e impotente, senão se relacionar com a televisão, com a guitarra, adquiridos ironicamente com o dinheiro deixado pelo pai/revolução?

E foram exatamente estes os fatos e o paradoxo, enquanto a esquerda revolucionária se exterminava numa guerra contra a ditadura, a nação brasileira, por quem se lutava, se prostrava diante da televisão se encantando com as del’cias multi-visuais do “milagre brasileiro”, com as lacrimejantes novelas na televisão e, nos intervalos comerciais, com os produtos plastificados do milagre. O que resta a esta relação proposta pelo filme? Resta entrar pelas feridas abertas e percorrer com o sangue até o fundo do coração: são necessárias razões para manter-se vivos e atentos; é necessário buscarmos a nossa identidade profunda. Resta-nos, portanto, matar e chorar por nossos elos perdidos. É morrendo que renascemos.

Elenco

Elenco principal

Roberto Bataglin Gabriel – Filho.
Claudio Marzo Beto / codinome – Pai
Susana Vieira Da. Leonor -proprietária da loja de perfumes
Antonio Pompeo vendedor do JOHNN’S
Meiry Vieira prostituta
Enio Santos Padre diretor internato
Angela Rebelo mulher boate
Fabio Junqueira Policial Blitz
José Mayer companheiro de Beto que « cai » na farmácia
Marcos Vinicius padre internato
Tonico Pereira participação super afetiva como porteiro do hotel de São Cristóvão

Elenco secundário

Rômulo Marinho Jr.
Marcelo França
Claudia Duarte
Cristina Franco
Cristina Martins
Emily Combecau
Marcos Conká
Marcos Viana
Michelle
Sergio Dias
Virginia Campos
Vitor Hain

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de Nunca fomos tão felizes (1984) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Murilo Salles
Produtor: Murilo Salles e Morena Filmes
Produtores associados: Embrafilme, L.C. Barreto, Imacom Comunicação, Movi&Art e Cinefilmes
Roteiro: Alcione Araujo
Baseado no conto “Alguma coisa urgentemente”de João Gilberto Noll
Adaptado por Jorge Duran e Murilo Salles
Produtor Executivo: Mariza Leão
Produtor Associado: Fabio Barreto
Direção de Fotografia: José Tadeu Ribeiro
Diretor Assistente: José Joaquim Salles
Coordenador de Produção: Romulo Marinho Jr. & Gilberto Loureiro
Diretor de Produção: José Joaquim Salles
Montagem: Vera Freire
Música: Sérgio Sarraceni
Cenario, Figurinos & Maquiagem: Carlos Prieto
Ass. Cenário e Figurino: Barbara Mendonça
Ass. Produção: Lula Leite Franco e Paulo Henrique Souto
Edição de som: Valéria Mauro
Assistente de fotografia: Luis Carlos Velho
Continuista: Maria Elisa
Ass. Direção: Nelson Nadotti e Virginia Flores
Abertura e letreiros: Jair de Souza e Valeria Naslausky
Técnico de som e mixagem: Roberto Carvalho
Efeitos especiais: José Farjala

Bibliografia

Intefnet:

MURILO SALLES. Disponível no endereço: http://www.murilosalles.com/. Acesso em: 22 de nov. de 2011.

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2 comentários sobre “Nunca fomos tão felizes (1984)

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