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O Leão de Sete Cabeças (1970)

Sinopse

O leão de sete cabeças é o primeiro longa do diretor baiano Glauber Rocha realizado quando o cineasta estava no exílio.

Realizado no Congo Brazzaville, em 1969, o filme é um dos trabalhos mais difíceis da carreira de Glauber Rocha. Não do ponto de vista de história, enredo, que é aparentemente simples. Mas no que diz respeito a estética mesmo, à linguagem cinematográfica, um rasgo de radicalismo do diretor, que preferiu elaborar uma narrativa alegórica (bem ao seu estilo), pontuada por enormes planos-sequências. O resultado é um trabalho cansativo, mas não menos instigante.

Angustiado com a situação política do Brasil, na sua fase mais dura da Ditadura Militar, o diretor de Deus e o diabo na Terra do Sol e Terra em transe deixa o país para amargar seis anos de exílio no exterior. O continente africano, com todas suas contradições e tragédias sociais seria a escolha de Glauber Rocha como refúgio. Uma produção Itálo-brasileira, O leão de sete cabeças seria a válvula de escape para estes anos de obscuridade. O filme é um manifesto anti-colonista. A estética da violência sem piedade do inimigo, explicaria Glauber, em 1972.

A trama traz um elenco internacional interpretando personagens arquétipos, quase caricaturas de suas condições, enfiadas goela abaixo pela ótica do espectador. Hoje pode parecer uma obra datada, démodé, mas na época, com toda onda de conflitos que espocavam pelos quatro quantos do planeta, o filme tinha forte apelo político. É quase um grito primal contra a intolerância do forte sobre o mais fraco. Conceito delimitado, logo de cara, no título internacional do filme, Der Leone have sept cabeças, com palavras no idioma dos principais países colonizadores do continente negro.

O leão de sete cabeças foi acusado de ser um filme intelectual, mas quem acusou de ser um filme intelectual foram os intelectuais ligados à arte burguesa, reclamaria na época Glauber Rocha. Na realidade o filme é uma ruptura, uma inversão completa de um sistema dramático, rebateria.

Cansado de ver seu país, seu chão subjugado pelas forças de fora – aqui personificado pela figura de um mercenário alemão (René Koldhoffer) e um agente norte-americano (Gabriele Tinti) -, o guerrilheiro Pablo (Giulio Brogi) une forças com o líder africano local Zumbi (Baiack). Juntos pretendem derrotar, “a ferro, fogo e sangue”, as forças do mal.

A missão é anunciada como se fosse uma página do Apocalipse pelo pregador Jean Pierre Léaud, encarnando nas telas típico personagem glauberiano. No olho do furacão desse conflito ideológico, eis a figura da misteriosa Marlene (Rada Rassimov). O filme ainda conta com a participação do ator Hugo Carvana, grande amigo de Glauber, na pele de um assessor português meio abobalhado.

A cópia original do filme foi guardada durante 30 anos na Cineteca Nazionale di Roma, e recentemente foi restaurada digitalmente com o apoio da Cinemateca Brasileira.

Elenco

Jean Pierre Léaud
René Koldhoffer
Gabriele Tinti
Giulio Brogi
Rada Rassimov
Hugo Carvana
Baiack
André Segolo

Ficha Técnica

Direção: Glauber Rocha

História do Cinema Brasileiro

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