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O Mágico e o Delegado (1983)

Sinopse

Um mágico e sua partner chegam a uma pequena cidade do interior da Bahia para apresentar um espetáculo de variedades – número de mágicas e de canto e dança. A estréia da dupla é frustrada pela prepotência do delegado local. O dia seguinte é o dia de feira da cidadezinha. Comovida pela pobreza da feira, Paloma sugere ao mágico uma grande mágica que traga a fartura onde existe a miséria, o que é feito. No entanto, a mágica dura pouco e logo a cidade volta à sua pobreza habitual. Há uma grande revolta e o delegado prende o mágico. Na cadeia ele é colocado numa cela comum onde já estão quatro outros presos; a presença do mágico quebra a rotina da vida carcerária e uma série de coisas espantosas e maravilhosas começam a acontecer. Na tentativa de restabelecer a ordem, o delegado retira o mágico da cela comum e o coloca numa solitária. Tal recurso não adianta, segundo depoimento do carcereiro, que vê o mágico promover banquetes e orgias na sua solitária. A notícia desses banquetes chega aos outros presos que exigem comida igual a que dizem que o mágico come, e então entram em greve de fome. Uma galinha ao molho pardo é preparada para acabar com a greve de fome. Pouco depois o mágico é encontrado morto na solitária: morreu de inanição. No enterro do mágico, algo maravilhoso acontece justificando a afirmativa do Padre Antônio Vieira: cada um sonha como vive.

O Mágico e o Delegado é o último, e possivelmente melhor, filme do grande Fernando Coni Campos (que trabalhou com o fotógrafo Mário Carneiro).

Meia dúzia de filmes, realizados ao longo de uma carreira acidentada – problemas com produtores, com a censura, falta de recursos para novas produções -, bastaram para inscrever este católico fervoroso na História do cinema brasileiro. E religiosidade não falta na seqüência final de O Mágico e o Delegado, quando o cadáver do herói – Nelson Xavier -, transforma-se em uma revoada de pássaros, demonstrando que poder algum é capaz de deter o homem livre.

O mágico e sua esposa chegam ao vilarejo miserável esquecido por Deus e tiranizado pela sanha dos coronéis, que têm no delegado a garantia de que a ordem imemorial se manterá para sempre. Os truques são reais: pão se multiplica na mesa dos famintos, dinheiro surge para os pobres. No Brasil da desigualdade, o herói incita a revolução ao clamar por justiça social. Termina preso. E, mesmo humilhado, ofendido, maltratado, resiste, através da magia e, por que não?, da Beleza.

Resistência e Luta. Igualdade e Justiça. Mágica e Beleza. Em suma: Arte. O personagem de Nélson Xavier é perigoso demais para continuar vivo: deve ser assassinado, a fim de acabar finalmente esquecido. A opção que ele apresenta para os desvalidos, para os que nunca tiveram chance, precisa morrer juntamente com seu corpo inerte.

Mas como apagar a idéia de mudança social e política se este mesmo corpo, antes apodrecendo no caixão, transfigura-se em pombos? Se o mágico ressuscita, apenas com sua força individual, o que dirá dos oprimidos, que podem também atuar na esfera coletiva e pública?

Fernando Coni Campos realizou O Mágico e o Delegado em 1983, final da ditadura militar. Parábola do regime que chegava ao fim? Interpretação reducionista, a meu ver. Embora trate da época, o filme a extrapola e nos alcança com toda sua força: pelo menos enquanto o Brasil continuar desigual e injusto, e até que a liberdade prevaleça sobre os que detêm o poder.

O filme ganhou os prêmios de melhor filme, ator, roteiro e atriz coadjuvante no Festival de Brasília.

Elenco

Nelson Xavier …. (Don Velásquez)
Tania Alves …. (Paloma)
Luthero Luiz
Maria Silvia
Vera Setta
Sônia Dias
Marília Araújo
Lena Gomes
Wilson Grey
Marcus Vinícius
Ivan Setta

(dublado(a) por Abramo, Tabula)
Xavier, Nelson
Gadelha, Mario (Homem na delegacia)
Alves, Tânia
Alves, Cacilda (Mulher na delegacia)
Luis, Luthero
Ribeiro, Fredy (Homem na delegacia)
Silvia, Maria
Pena, Jurema
Costa, Adilson (Homem na delegacia)
Sampaio, Carlos (Homem na cidade)
Rangel, Helber
Toretta, André (Homem na cidade)
Mara, Lia (Moça no bordel)
Webb, Walter (Homem na cidade)
Setta, Vera (Moça no bordel)
Dantas, Arthur (Homem na cidade)
Dias, Sônia (Moça no bordel)
Magalhães, José (Homem na cidade)
Araújo, Marília (Moça no bordel)
Pires, César (Homem na cidade)
Gomes, Lena (Moça no bordel)
Vinícius, Marcus (Rapaz na cadeia)
Setta, Ivan (Rapaz na cadeia)
Grey, Wilson (Rapaz na cadeia)
Freire, Nonato (Rapaz na cadeia)

Ficha Técnica

Por trás dos filmes, além dos atores, dos figurinos, das câmeras, da arte, do som e de outros elementos mais facilmente perceptíveis na construção qualquer longa metragem, há também um verdadeiro exército de profissionais dedicados a viabilizar cada detalhe do intrincado quebra-cabeça artístico, operacional, logístico e financeiro da produção audiovisual.

Veja logo abaixo a equipe técnica de O Mágico e o Delegado (1983) que o portal História do Cinema Brasileiro pesquisou e agora disponibiliza aqui para você:

Direção: Fernando Coni Campos
Argumento: Fernando Coni Campos
Roteiro: Fernando Coni Campos e Mário Carneiro
Estória Baseada no terceiro capítulo do romance Depois do último trem, de Josué Guimarães;
Assistência de direção: Figueiredo, Alex; Galvão, Paulo
Direção de atores: Figueiredo, Alex; Galvão, Paulo
Continuidade: Hutter, Telma Guimarães
Produção: Santana, Oscar
Direção de produção: São Paulo, Maria Augusta
Produção executiva: Santana, Oscar
Assistência de produção: Citavem, Nilton; Maria, José
Coordenação de produção: Jacobina, Eloa
Direção de Fotografia: Mário Carneiro
Assistência de fotografia: Schartz, Jaime
Câmera: Schuwartz, Jaime e Luis Abramo
Assistência de câmera: Luis Abramo
Fotografia de cena: Souza, Paulo
Iluminação: Santana, Oscar
Animação: Rodrigues, Gustavo Goebel Weyne
Trucagens: Movedoll; Mendes, João
Fotografia da 2. unidade: Schmit, Lucio; José, Benedito; Silva, Edson; Brito, Antônio
Chefe eletricista: Rodrigues, Hilmo
Eletricista: Teles, Aroldo; Santos, Eduardo
Assistente de eletrecista: Oliveira, José Jorge
Maquinista: Cerqueira, Francisco; Ramos, Eugênio
Técnico de som: Goulart, Walter; Leite, Roberto
Mixagem: Leite, Roberto
Direção de gravação: Mendes, Rute
Direção de dublagem: Abramo, Talula
Som guia: Luz, Aleivando; Cardoso, Paulo José
Montagem: Roberto Pires, Eunice Gutman e Walter Goulart
Figurinos: Cunha, Lúcia
Cenografia: Costa, Maria Elisa
Créditos: Weyne, Goebel
Desenhos de letreiros de apresentação: Weyne, Goebel
Montagem de cenário: Charret, Claudio; Conceição, Edith
Maquiagem: Gigi; Maia, Neide
Costureira: Miranda, Alan
Guarda-roupeira: Conceição, Edite
Assistência de figurino: Resende, Fátima
Arranjos musicais: Moura, Zezinho
Música de: Bizet; Schubert; Mussorgsky; Tchaikóvsky; Stravinsky; Messiaem, Olivier; Mozart
Música: Nelson Jacobina
Direção musical: Nelson Jacobina
Companhia Produtora: Sani Filmes Ltda.
Companhia co-produtora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.
Companhia produtora associada: Mombaça Produções Artísticas Ltda.
Companhia distribuidora: Embrafilme – Empresa Brasileira de Filmes S.A.

Canção
Título: Alcaçuz;
Autor da música da canção: Jacobina, Nelson e Mautner, Jorge;
Intérprete: Alves, Tânia;

Título: Onde moras?;
Autor da música da canção: Jacobina, Nelson e Feijó, Antônio
Intérprete: Vinícius, Marcus;

Título: Escandalosas;
Intérprete: Alves, Tânia;

Título: Param pam pam;
Intérprete: Alves, Tânia;

Título: South American way;
Intérprete: Alves, Tânia;

Título: Cuanto le gusta
Intérprete: Alves, Tânia

Locação: Castro Alves – BA; Cachoeira – BA

Longa-metragem – 103 min.

Prêmios

Melhor Filme, Melhor Ator (Xavier, Nelson), Melhor Roteiro (Campos, Fernando Coni e Carneiro, Mário) e Melhor Atriz Coadjuvante (Silvia, Maria – Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 1983

Bibliografia

Livros:

. Tania Maria Bonita Alves. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, .

GUIMARÃES, Josué. Depois do último trem. : , .

Internet:

http://taniaalvesascantrizes.blogspot.com.br/2009/04/o-magico-e-o-delegado.html

Fontes utilizadas:
CB/Transcrição de letreiros-Cat
CB/Ficha Filmográfica
O Estado de S. Paulo, 22.07.1984, p.34.
Embrafilme/Catálogo 1986

Fontes consultadas:
FBR/16

Observações:
As canções Alcaçuz e Onde moras? são composições originais.
Os letreiros do filme especificam as funções: 2ª unidade de filmagem câmeras: Lucio Schmit, Benedito José, Edson Silva e Antônio Brito. 2§ assistente de fotografia: Luis Abramo.
Participou do 16º Festival de Brasília, em 1983, Brasília – DF.
Embrafilme/Catálogo 1986 indica material em 16 e 35mm

História do Cinema Brasileiro

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2 comentários sobre “O Mágico e o Delegado (1983)

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