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Orlando Bomfim Netto

Sinopse

Orlando é reconhecido como um dos grandes mestres do cinema capixaba moderno. Mineiro de nascimento, criado no Rio de Janeiro, este filho de capixabas de Santa Teresa iniciou sua carreira em 1969, com a realização do curta-metragem carioca Status 69. Despertando a atenção do produtor Roberto Farias, Orlando Bomfim passou a trabalhar nos bastidores de grandes produções do cinema na época, como Toda nudez será Castigada (1973), de Arnaldo Jabor e A Rainha Diaba (1974), de Antonio Carlos da Fontoura.

Sempre ligado ao Espírito Santo, Orlando realizou em 1975 o histórico documentário Tutti Tutti Buona Gente, retratando o centenário da imigração italiana no Estado. Com olhar atento sobre as manifestações culturais e a construção da identidade capixaba, Orlando produziu e dirigiu uma série de filmes que retratam as tradições locais: Mestre Pedro da Aurora – Pra ficar menos custoso (1978), Canto para a liberdade – A festa do Ticumbi (1978), Itaúnas – Desastre ecológico (1979), Augusto Ruschi Guainumbi (1979), As Paneleiras do Barro (1983) e Dos Reis Magos do Tupiniquim (1985).

Com a mudança definitiva para Vitória no início dos anos 80, Orlando Bomfim passou a equilibrar sua carreira no cinema com um intenso trabalho no desenvolvimento das políticas culturais do Estado. Em seu trajeto, presidiu o Departamento Estadual de Cultura (DEC), dirigiu a TVE capixaba, fundou o Instituto Geração. Esteve presente também em momentos cruciais do audiovisual capixaba, como a criação do Cineclube Metrópolis, a concepção do próprio Vitória Cine Vídeo, além da fundação da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Espírito Santo (ABD&C/ES), do qual foi também o primeiro presidente, entre 2000 e 2002. Atualmente, Orlando é Secretário Executivo da Lei Rubem Braga da Prefeitura de Vitória.

Tamanha trajetória de sucesso será celebrada pelo Festival de Vitória este ano com a entrega do Troféu Marlin Azul para Orlando Bomfim e a publicação de um caderno especial com imagens marcantes de sua carreira. “Esta homenagem me deixa morrendo de medo!”, brinca Orlando a respeito da homenagem. “É uma emoção enorme, muito visceral e assustadora. Passei toda a minha vida trabalhando do lado de cá do cinema, na produção, na articulação de políticas públicas, filmando. Agora estou do lado de lá, o foco estará em mim e no resultado de toda esta vida. Receber esta homenagem do Festival de Vitória me enche de humildade e orgulho”, afirma.

E Orlando Bomfim não pára de trabalhar. Na 19ª edição do Festival de Vitória, em 2012, lançou seu documentário Orlando Bomfim Jr. – Desaparecido Político, sobre a trajetória de seu pai, militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro capturado pela ditadura militar e desaparecido desde 1975.

Em 2013, Orlando volta às telas do festival com seu mais novo filme, Casaca, um documentário sobre o famoso instrumento da música capixaba, que traça as origens da casaca nas culturas indígenas e afro-brasileiras no Estado. Fora de competição, Casaca será o filme de abertura da 20ª edição do Festival de Vitória, exibido no dia 28 de outubro, logo antes da homenagem ao cineasta. A nova produção do diretor busca contar a história desse instrumento tipicamente capixaba e que hoje faz parte obrigatória de todas as Bandas de Congo do Estado. “Essa unanimidade se apresenta também na cena Pop, inclusive com versão eletrônica. Todos os caminhos indicam que se trata de um trabalho que surge nos grupos musicais dos Tupiniquim de Caieiras Velha, distrito de Santa Cruz”, conta Orlando.

Sua veia política e a dedicação em esmiuçar os dramas impostos pela ditadura militar à sociedade brasileira seguem alimentando seu cinema. “Tenho trabalhado num projeto novo sobre a ditadura, com um outro enfoque. Não é sobre meu pai em si, mas sobre como ele trabalhou clandestino nesse processo político, e os acontecimentos daquela época que rondaram a sua participação”, conta Orlando. “A história da ditadura está apenas começando a ser contada, e felizmente as novas gerações começam a se envolver a partir da exposição das vítimas e de suas histórias na Comissão da Verdade. O cinema tem sido uma expressão muito atuante neste momento, essa geração nova é muito audiovisual, todo mundo tem uma câmera, todo mundo filma. E é uma alegria poder participar deste momento, com os meus próprios filmes”, finaliza.

>Orlando Bomfim Netto é um Roteirista, Diretor, Diretor de Produção e Fotógrafo brasileiro. É Fundador, Diretor e Presidente da ABD-RJ reeleito, até 1981. Diretor e Produtor de mais de 15 curtas e médias, entre eles Itaunas Desastre Ecológico prêmio Melhor Curta do Festival de Brasília de 1979;
Tutti, Tutti, buona gente, prêmio Trofeu Humberto Mauro da Coruja de Ouro de 1977;
Produtor do longa Tio Maneco o caçador de fantasma de Flávio Migliácio;
Co-produtor do longa Quem tem medo de lobisomem de Reginaldo Farias;
participou da produção de mais de 10 longas.
Fundador e 1º Presidente da ABD e C/ES em 2000.
Secretário Executivo da Câmara Estadual do Audiovisual do ES.

História do Cinema Brasileiro

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