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Orlando Bomfim (1941-2021)

(Foto: Bianca Sperandio)

Orlando Bomfim Netto, em arte conhecido como Orlando Bomfim, foi um cineasta, roteirista, ator, diretor de produção, fotógrafo brasileiro nascido em 1941. É reconhecido como um dos grandes mestres do cinema capixaba moderno.

Mineiro de nascimento, mas criado no Rio de Janeiro onde iniciou sua carreira, com a realização do curta-metragem carioca Status 69, que concorreu no Festival de Cinema Amador JB Mesbla em 1969. Nos anos seguintes, trabalhou com o produtor Roberto Farias, Orlando Bomfim passou a trabalhar em grandes produções do cinema na época, como Toda nudez será Castigada (1972), de Arnaldo Jabor, e A Rainha Diaba (1974), de Antonio Carlos da Fontoura, entre outras.

Em sua carreira, participou da produção de mais de 10 longas, dirigiu e produziu mais de 15 curtas e médias, entre eles destacam-se o curta-metragem documental Tutti tutti buona gente, propriamente buona… (1975), em que retratou o centenário da imigração italiana no Espírito Santo, pelo qual recebeu o Troféu Humberto Mauro da Embrafilme em 1976 e o prêmio Coruja de Ouro de 1977, sendo exibido até internacionalmente em festivais como San Sebastian, na Espanha (1976), e Manheim, na Alemanha (1976); e o importante documentário O bondinho de Santa Tereza (1977), realizado ainda no Rio de Janeiro.

Orlando Bomfim foi um dos fundadores, diretor e presidente da Associação Brasileira de Documentaristas do Rio de Janeiro reeleito, até 1981.

Logo depois, ainda no início da década de 1980, transferiu-se definitivamente para a cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. Afinal, era filho de capixabas de Santa Teresa. Seu pai era o militante comunista capixaba Orlando Bomfim Júnior, desaparecido político pela ditadura militar em 1975.

Com olhar atento sobre as manifestações culturais e a construção da identidade Capixaba, Orlando Bomfim Netto iniciou uma série de documentários que retratam as tradições locais, registrando imagens e importantes histórias do Estado, como o desastre ecológico de Itaúnas, o Ticumbi, as paneleiras de Goiabeiras, a atuação do ecologista Augusto Ruschi e a imigração italiana em Santa Teresa.

Assim, sempre com um foco às questões políticas do período, representadas na história e na força da cultura popular capixabas, Orlando Bomfim produziu e dirigiu uma série de filmes como: Mestre Pedro de Aurora – Pra ficar menos custoso (1978), Canto para a liberdade – A festa do Ticumbi (1978), Itaúnas desastre ecológico (1979) – pelo qual ganhou o prêmio Melhor Curta do Festival de Brasília de 1979 -, Augusto Ruschi Guainunbi (1979), As paneleiras do barro (1983) e Dos Reis Magos dos Tupiniquins (1985).

Com a mudança definitiva para Vitória (Espírito Santo) no início dos anos 80, Orlando Bomfim passou a equilibrar sua carreira no cinema com um intenso trabalho no desenvolvimento das políticas culturais do Estado, na política no setor audiovisual e no Movimento Cineclubista.

Em sua trajetória no Espírito Santo, foi diretor da Rádio e Televisão Espírito Santo (RTV-ES); presidiu o Departamento Estadual de Cultura (DEC) nos anos 1980; fundou o Instituto Geração; e um dos principais articuladores da Lei Rubem Braga (Lei de Incentivo à Cultura do Município de Vitória, criada em 1991), na qual trabalhou posteriormente como secretário-executivo da Câmara Estadual do Audiovisual do Espírito Santo. Esteve presente também em momentos cruciais do audiovisual capixaba, como a criação do Cineclube Metrópolis, a concepção do próprio Vitória Cine Vídeo, além de ter sido um dos fundadores da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragens do Espírito Santo (ABD&C/ES), do qual foi também o primeiro presidente, entre 2000 e 2002.

Seguiu seu trabalho no curta-metragem realizando a ficção Linhas Paralelas (2010).

Em 2012, na 19ª edição do Festival de Vitória, lançou seu documentário Orlando Bomfim Jr. – Desaparecido Político, sobre a trajetória de seu pai, militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro capturado pela ditadura militar e desaparecido desde 1975.

Tamanha trajetória de sucesso de Orlando Bomfim foi celebrada pelo 20° Festival de Cinema de Vitória em 2013, quando o cineasta foi homenageado, ocasião em que recebeu o Troféu Marlin Azul e a publicação de um caderno especial com imagens marcantes de sua carreira. No evento, Orlando voltava às telas do festival com seu filme Casaca, um documentário sobre as origens do famoso instrumento musical capixaba, que traça as origens da casaca nas culturas indígenas e afro-brasileiras no Estado. Fora de competição, Casaca foi o filme de abertura da 20ª edição do Festival de Vitória, exibido no dia 28 de outubro de 2013, logo antes da homenagem ao cineasta. A narrativa documental busca contar a história desse instrumento tipicamente capixaba e que hoje faz parte obrigatória de todas as Bandas de Congo do Estado.

Em 2014, lançou o documentário A História Oculta, no qual revisitou o desaparecimento político de seu pai, o jornalista Orlando Bomfim Jr., pelo regime militar em 1975. Sua veia política e a dedicação em esmiuçar os dramas impostos pela ditadura militar à sociedade brasileira seguiu alimentando seu cinema. Tenho trabalhado num projeto novo sobre a ditadura, com um outro enfoque. Não é sobre meu pai em si, mas sobre como ele trabalhou clandestino nesse processo político, e os acontecimentos daquela época que rondaram a sua participação, contou Orlando. A história da ditadura está apenas começando a ser contada, e felizmente as novas gerações começam a se envolver a partir da exposição das vítimas e de suas histórias na ‘Comissão da Verdade’. O cinema tem sido uma expressão muito atuante neste momento, essa geração nova é muito audiovisual, todo mundo tem uma câmera, todo mundo filma. E é uma alegria poder participar deste momento, com os meus próprios filmes, finalizou.

Sete dos seus filmes produzidos entre 1975 e 1985, foram restaurados em 2017 pelo projeto Acervo Capixaba – Orlando Bomfim Netto, com idealização e coordenação de Marcos Valério Guimarães e apoio do Fundo de Cultura do Espírito Santo (Funcultura-ES). As cópias restauradas foram exibidas no 50° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2017), no Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo (2017) e na 13ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (2018).

Em junho de 2018, foi homenageado no 4° Cine.Ema – Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo, em Burarama, Cachoeiro de Itapemirim. Em novembro daquele ano também seria tema da mostra Imagens para a Liberdade – Retrospectiva Orlando Bomfim, netto, com curadoria de Maria Ines Dieuzeide e Vitor Graize, exibida no Centro Cultural Sesc Glória, em Vitória.

Seus filmes foram exibidos nos cineclubes da UFES ao longos dos anos e, por último, o Cine Metrópolis exibiu, com a presença do diretor, em 26 de outubro de 2018, uma programação especial com seis de suas obras restauradas.

Faleceu aos 80 anos de idade, no dia 19 de julho de 2021, vítima de complicações de um quadro de pneumonia, na cidade do Rio de Janeiro onde residia nos últimos anos de vida. No mesmo dia, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, publicou nota de pesar pelo falecimento de Orlando Bomfim e decretou luto de três dias no Estado.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

2014 :: A história oculta
2013 :: Casaca
2012 :: Orlando Bomfim Jr. – Desaparecido Político
2010 :: Linhas Paralelas (CM)
1985 :: Dos Reis Magos dos Tupiniquins
1983 :: As paneleiras do barro
1979 :: Itaunas Desastre Ecológico
1979 :: Augusto Ruschi Guainunbi
1978 :: Mestre Pedro de Aurora – Pra ficar menos custoso
1978 :: Canto para a liberdade – A festa do Ticumbi
1977 :: O bondinho de Santa Tereza
1975 :: Tutti tutti buona gente, propriamente buona… (CM)
1969 :: Status 69 (CM)

:: Filmografia como Produtor ::

1975 :: Tio Maneco, O Caçador de Fantasmas de Flávio Migliácio
1974 :: A Rainha Diaba

:: Filmografia como Co-produtor ::

1975 :: Quem tem medo de lobisomem, de Reginaldo Farias

:: Filmografia como Ator ::

1973 :: Um Virgem na Praça
1972 :: Toda nudez será Castigada

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

:: A Palavra do Autor

Bibliografia

Internet:

CINE METRÓPOLIS – UFES. Cine Metrópolis lamenta a morte do cineasta Orlando Bomfim Netto. Disponível no endereço: https://cinema.ufes.br/conteudo/cine-metropolis-lamenta-morte-do-cineasta-orlando-bomfim-netto-1941-1981. Acessado em: 19 jul. 2021.
COUTINHO, Danieleh. Morre aos 80 anos o cineasta Orlando Bomfim. Disponível no endereço: https://eshoje.com.br/morre-aos-80-anos-o-cineasta-orlando-bomfim/. Acessado em: 19 jul. 2021.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Orlando Bomfim. Disponível no endereço: https://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/orlando-bomfim/
TAVEIRA, VITOR. Cultura capixaba perde dois ícones no mesmo dia. Disponível no endereço: https://www.seculodiario.com.br/cultura/cultura-capixaba-perde-dois-icones-no-mesmo-dia. Acessado em: 19 jul. 2021.
VIMEO. A Palavra do Autor. Disponível no endereço: https://vimeo.com/299501131

História do Cinema Brasileiro

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