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Paisagens Imaginárias (2005)

Paisagens Imaginárias é um documentário de um espetáculo de dança e música de vanguarda.

Quando Villa-Lobos compôs suas célebres Bachianas, não estava nem de longe pensando em fazer música da Baviera no Brasil; o objetivo dele, segundo suas próprias palavras, era o de “trazer a universalidade do gênio de Bach para um passeio pela paisagem e a cultura brasileira”. Ou seja, ele queria fazer, e fez música brasileira inspirada nas essências mesmas com que Bach – eleito por Villa-Lobos como mestre e guia espiritual do ambicioso projeto a que se propôs -, realizou toda a sua obra: as expressões sublimes da arte espontânea e original com que os povos se manifestam universalmente, por suas particularidades e diversidades.

Foi com semelhante espírito que a bailarina e coreógrafa Izabel Costa e este roteirista elaboraram e realizaram o espetáculo de dança Paisagens Imaginárias: trazer a universalidade das geniais e revolucionárias descobertas de Isadora Duncan e John Cage para um passeio pelo Brasil e, a partir delas, fazer dança brasileira.

O sucesso artístico da empreitada, sem a pretensão de compará-lo ao do nosso maior compositor, pode ser em boa parte conferido na interpretação cinematográfica do espetáculo que só um cineasta como José Sette, senhor de uma fecunda experiência na abordagem de temas audaciosos das vanguardas artísticas nacionais, poderia conseguir (ou conquistar).

No caso, trata-se de uma obra de dificílima fatura em qualquer condição de trabalho, mais ainda naquelas em que a nossa produção cultural subdesenvolvida costuma propiciar às realizações de cinema independente. Trazer para a tela, em linguagem de cinema, um espetáculo cênico sempre foi um desafio e são poucos os resultados bem sucedidos em tal intento.

O segredo de José Sette, na opinião deste roteirista, está na fluência com que ele transita nos processos criativos de qualquer natureza, em particular os mais avançados e mais arriscados, e na facilidade com que, através de suas lentes, se incorpora a tais processos em que se envolve com se fossem parte dele, sem perda da qualidade de cineasta autoral, da qual nunca abre mão. Ou seja, graças à Deus, José Sette não é um especialista em registros de acontecimentos artísticos, apesar de sua filmografia ser talvez a maior neste mister de todo o cinema brasileiro. É um cineasta que tem predileção pelas sendas perigosas da criação artística nas mais diversas expressões de linguagem, com certeza porque estas lhe provocam, antes de tudo, como neste caso também, fazer cinema.

(Mário Drumond)

MG, 2005, 58 min, DVD

História do Cinema Brasileiro

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