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Pierino Massenzi (1925-2009)

Biografia

FOTO Pierino MassenziPierino Massenzi é um Cenógrafo e diretor de arte italiano, que veio da cidade de Roma para o Brasil em 1947, após lutar na II Guerra Mundial. Dois anos depois, foi convidado a trabalhar como pintor de cenários da Cia. Cinematográfica Vera Cruz.

Logo depois, Pierino Massenzi tornou-se importante cenógrafo e diretor de arte no cinema brasileiro. Trabalhou em todos os filmes da produtora. Trabalhou nos mais importantes filmes da cinematografia nacional das décadas de 1950 e 60, tais como: O Cangaceiro (de Lima Barreto, 1953), Assalto ao Trem Pagador (de Roberto Farias, 1962) e Noite Vazia (de Walter Hugo Khoury, 1964).

Foi uma pessoa muito querida e que atraía as atenções por sua forma poética, crítica e bem humorada de ver o mundo e encarar a vida. Referimo-nos a Pierino Massenzi e é assim que começamos a recapitular a imagem do que pensamos conhecer dessa personalidade – artista, avô, pai e marido!

Nascido na Itália em 1925, perdeu sua mãe logo ao nascer. Criado por uma família amiga, sempre foi acompanhado pelo pai. O sofrimento o levou a grandes questionamentos e a elaboração de conceitos a cerca da vida. Na Itália, durante a Segunda Guerra serviu na Cavalaria. Nesse período,, casou-se com Gina Lombardi Massenzi, a quem sempre amou e idolatrou. Formou-se na Academia de Belas Artes de Roma. Licenciou-se pelo Real Museu Artístico e Industrial de Roma.

Em 1947, diante das celeumas do pós-guerra, deixou na Itália a esposa grávida da primeira filha e veio para o Brasil em busca de melhores e mais dignas condições de vida. Dizia-se feliz por seu pai ter conhecido sua esposa e a filha que nasceu na Itália, e também por ele saber que no Brasil um Massenzi começava uma trajetória de conquistas.

Seu primeiro emprego no Brasil foi como projetista na Light. Entretanto, sua alma de artista o impediu continuar. Não se adaptou à burocracia daquele trabalho e à profissão que impunha limites à vazão de seus sentimentos.

Foi convidado para fazer pinturas que decorariam uma igreja em Minas Gerais, mas acabou voltando para São Paulo por não concordar em submeter seu trabalho criativo à ingerência de quem o estava contratando.

Assim que pôde, trouxe a mulher e a filha para o Brasil. O encontro com Aldo Calvo em São Paulo, em 1949, foi sua porta de entrada para o cinema. Na Cia. Cinematográfica Vera Cruz começou trabalhando como um mero pintor de fundo de parede. No entanto, logo se destacou e passou a produzir os cenários de vários filmes da companhia.

Radicou-se em São Bernardo do Campo e nessa cidade fez a sua vida. Foi cenógrafo, diretor de arte, projetista, desenhista, decorador e artista plástico.

Na área de Cenografia, lecionou no Instituto Superior de Cinema da Universidade São Luís, em São Paulo. Como cenógrafo foi premiadíssimo, tendo participado da produção de quarenta e sete filmes. Projetou e construiu cenários para produções da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, da Brasil Filmes, da Universal Filmes, da Columbia Pictures, da United Arts, do Consórcio Brasil Itália, da Pan Filmes, da Paris Film, da Atlântida, do Consórcio Alemanha, do Consórcio Brasil França, da Kamera Film e de outros produtores independentes.

Entre suas atividades de artista, constituiu uma empresa de decoração, destacando-se dentre seus clientes o Banco Francês e Brasileiro. Dedicou-se a um sítio produtor de bananas. Entretanto, de tudo, o mais importante foi construir sua família, com mais dois filhos nascidos no Brasil, sete netos e um bisneto.

Sua esposa tornou-se musicista e fundou o primeiro Conservatório de Música da cidade de São Bernardo do Campo.
Ao longo de sua trajetória como artista plástico, produziu mais de quatro mil obras, algumas delas com projeção internacional.

Sua produção artística começou na década de quarenta e perdurou por toda a sua vida. Sua obra espelha seu senso crítico, sua alma de artista e suas inquietações sociais. Foi elaborada em diversos estilos: clássico, contemporâneo, concretista, geométrico e abstrato. Sua visão do mundo evidencia-se ao retratar a riqueza da natureza brasileira e igrejas brasileiras na coleção em bico de pena, ao refletir angústias e prazeres humanos, e, na fase mais polêmica e mais conhecida, ao ressaltar as dificuldades e as diferenças sociais.

Trabalhou nos filmes: Os Astronautas; Caiçara; Terra é Sempre Terra; Ângela; Tico-Tico no Fubá; Sai da Frente; Nadando em Dinheiro; O Cangaceiro; Luz Apagada; O Gato de Madame; O Cantor e o Milionário; Zé do Periquito; Casinha Pequenina; O Lamparina; O Jeca e a Freira; O Sobrado; Uma Certa Lucrécia; Paixão de Gaúcho; Absolutamente Certo; Dona Violante Miranda; Cidade Ameaçada; Copacabana Palace; Noite Vazia; Assalto ao Trem Pagador; Corpo Ardente; Ravina; Moral em Concordata; Fronteiras do Inferno (co-produção estrangeira); Macumba na Alta; Macumba Love – US; A Doutora é Muito Viva; Na Garganta do Diabo; O Sobrado; A Ilha; Estranho Encontro; Palácio dos Anjos; Luta nos Pampas; Mulher Satânica; Convite ao Pecado; O Gaúcho; Curuçu, o Terror do Amazonas (produção estrangeira); Escravos do Amor das Amazonas (produção estrangeira); O Mistério da Ilha de Vênus (produção estrangeira); A Moça do Quarto 13 (co-produção estrangeira); Samba (co-produção estrangeira); Noites Quentes em Copacabana (co-produção estrangeira); Cuba Libre (produção estrangeira).

Alguns prêmios: “Governador do Estado” – Ângela – 25/01/1954; “Governador do Estado” – Tico Tico no Fubá – 10/01/1955; “Governador do Estado” – Uma Certa Lucrécia/Absolutamente Certo/A Doutora é Muito Viva – 09/07/1958; “Cidade de São Paulo” – Uma Certa Lucrécia – 25/01/1958; “Governador do Estado” – Ravina/Moral em Concordata/Fronteiras do Inferno – 09/07/1959; “Governador do Estado” – Paixão de Gaúcho – 09/07/1959; “Governador do Estado” – Na Garganta do Diabo – 09/07/1961; “Cidade de São Paulo” – Ravina/Moral em Concordata/Fronteiras do Inferno – 25/01/1960; “Cidade de São Paulo” – A Ilha/Casinha Pequenina – 25/01/1964; “Cidade de São Paulo” – Noite Vazia – 25/01/1964; Prêmio Festival de Curitiba – Uma Certa Lucrécia; Prêmio Brinter Internacional – Ilha de Vênus; Prêmio Mariano Livorno Itália; Dois prêmios da Associação dos Críticos de Cinema do Rio de Janeiro pelo conjunto de obras; Quatro ‘SACÍ’ do Jornal o Estado de São Paulo.

Algumas homenagens: “Título de Cidadão São Bernardense” por serviços relevantes prestados à comunidade – 25/09/1998; “Comenda San Bartolomeo” outorgada pela Câmara Municipal de São Bernardo do Campo em comemoração ao Dia da Colonização Italiana em São Bernardo do Campo – 2007; Homenagem Prêmio ABC 2007 – Associação Brasileira de Cinema.

Algumas exposições: III Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo; I Exposição de Arte Moderna de Mauá; Parede D’Arte-Alpharrabio Livraria Espaço-Cultura – Santo André; V Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo; Teatro Cacilda Becker – São Bernardo do Campo; Banespa Agência Cursino – São Paulo; Banespa Agência Central São Caetano do Sul; Banespa Agência Jardim do Mar – São Bernardo do Campo; Coletiva “Nossa Gente” – São Bernardo do Campo; Centro Cultural Volkswagen – São Bernardo do Campo; Banco do Brasil Agência Mauá – patrocinada pela Prefeitura de Mauá; Green Plaza Mauá – patrocinada pela Prefeitura de Mauá; Coletiva Golden Shopping – São Bernardo do Campo; Museu Barão de Mauá – São Paulo; Casa da Cultura – São Bernardo do Campo; I Salão de Arte Volkswagen Club – São Bernardo do Campo; Painel na Indústria Fontoura Weith (1958); Retrospectiva (50 anos) – Teatro Carlos Gomes – patrocinado pela Prefeitura de Santo André; Retrospectiva (50 anos) – Teatro Cacilda Becker – São Bernardo do Campo; Poética Social – Semana de Cultura e Debates – Diadema – ago/2002. Convidado pela Foundation for Contemporany Art dos Estados Unidos para exposições individuais nas cidades de Miami Beach, Nova Iorque, Cidade do México, Londres, Buenos Aires, Paris e Roma.

Em poucas palavras, Pierino Massenzi foi artista e não um pintor comercial. Não fazia quadros para serem colocados em salas. Sua arte refletia seus sentimentos. Ele criava somente o que desejava. Via a arte como a forma mais eficaz de denúncia. Adorava contar a história da sua vida e cobrava dos mais jovens um olhar para o passado como forma de aprender com a sua experiência.

Foi nesse contexto que viveu e morreu. Infelizmente, faleceu no dia 13 de setembro de 2009, ele se foi. Se foi, mas só um pouquinho… Deixou tudo o que construiu, tudo o que sonhou e tudo o que realizou. Deixou sua obra, sua arte, seu nome e sua família. Ele construiu sua biografia. Nós estamos apenas contando um pouco dela, porque este pode ser um começo!

Filmografia

:: Filmografia como Cenógrafo ::

1967 :: O Jeca e a Freira
1964 :: Noite Vazia
1964 :: O Lamparina
19 :: A Ilha
19 :: Estranho Encontro
19 :: Palácio dos Anjos
19 :: Luta nos Pampas
19 :: Mulher Satânica
19 :: Convite ao Pecado
19 :: O Gaúcho
19 :: Curuçu, o Terror do Amazonas
19 :: Uma Certa Lucrécia
19 :: Escravos do Amor das Amazonas
19 :: O Mistério da Ilha de Vênus
19 :: A Moça do Quarto 13
19 :: Samba
19 :: Noites Quentes em Copacabana
19 :: Cuba Libre
19 :: Dona Violante Miranda
19 :: Cidade Ameaçada
19 :: Copacabana Palace
1963 :: Casinha Pequenina
1962 :: Assalto ao Trem Pagador
1960 :: Zé do Periquito
1959 :: Na Garganta do Diabo
1959 :: Moral em Concordata
1958 :: Ravina
1957 :: Paixão de Gaúcho
1957 :: Absolutamente Certo
1956 :: O Sobrado
19 :: O Cantor e o Milionário
1956 :: O Gato de Madame
1953 :: O Cangaceiro
1953 :: Nadando em Dinheiro
1953 :: Luz Apagada
1952 :: Sai da Frente
1951 :: Terra é Sempre Terra
1950 :: Caiçara
:: Os Astronautas

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2009 :: Cenografia de uma vida

Bibliografia

Internet:

MASSENFI – SITE OFICIAL. http://www.massenzi.com.br/

História do Cinema Brasileiro

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