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R$ 65 mil para salvar o Cine Pathé em BH

Notícia

Na Savassi, que está sendo chamada de polo cultural da cidade, um cinema ícone da história de BH agoniza: o Cine Pathé.

Desde o último final de semana, a Savassi voltou a ser a “menina dos olhos” de BH. A inauguração das fontes encheu de promessas o comércio da região e não foram poucos os que apontaram o local como o novo polo cultural da cidade. Mas quando o assunto é cinema, apesar do bairro se preparar para receber duas novas salas com o Centro Cultural Banco do Brasil, a Savassi perdeu o Cineclube e agora acompanha mais um capítulo na história agonizante do Pathé, que exibe uma placa branca de “aluga-se”.

Por R$ 65 mil mensais, os 944 m² do Pathé, com entrada para a Cristóvão Colombo e a Alagoas, estão à disposição de interessados. O imóvel é propriedade do Grupo Vila Rica, uma holding que inclui, dentre outras empresas, o Cineart – rede que era dona do Cine Pathé e de diversos outros cinemas de rua de BH e que hoje possui vários cinemas em shoppings da cidade. A assessoria do Grupo Vila Rica não deu detalhes se já houve interessados no aluguel.

O imóvel do Cine Pathé é tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal de Belo Horizonte, que proíbe que sejam feitas alterações na fachada. Entretanto, o tombamento não tem efeito na área interna, que já foi utilizada como igreja e até estacionamento. ”Lá dentro está totalmente deteriorado. Tentamos recuperar o lugar quando deixou de ser igreja e ainda mantinha as cadeiras originais, mas infelizmente os donos cobravam um aluguel altíssimo”, conta Celina Albano, presidente da Associação Pró-Cultura (APA) e que foi secretária municipal de cultura de BH de 2001 a 2004. Ela também é autora do livro, Cine Pathé, que conta a história do espaço.

De acordo com Celina, uma das últimas tentativas concretas de ressuscitar o Cine Pathé foi em 2003, quando a Prefeitura tentou alugar o local. Na época, o aluguel girava em torno dos R$ 25 mil. “Tínhamos fechado patrocínio com a MBR, a Gerdau, a Acesita, mas precisávamos ser os donos do imóvel para retornar com o cinema. Em certa ocasião, até o governador Aécio Neves demonstrou interesse, mas o valor cobrado pelo imóvel era muito alto”, afirma.

Vídeo propõe revitalização para o Pathé

Em dezembro de 2011, um vídeo fez sucesso ao propor uma nova revitalização para a Savassi. O filme, produzido pelo designer Lucas Carvalho a partir do projeto de conclusão de curso do arquiteto Marcos Franchini, propunha, dentre outras ações, a reabertura do Cine Pathé, transformado em um espaço cultural multiuso. Eles receberam ligações de um possível investidor, mas nenhuma parceria foi fechada até então. “Lamento que o Pathé esteja nessa situação. Ele é um espaço de memória muito grande que está esquecido”, comenta.

O projeto de Marcos inclui um café, espaço para exposição de artistas, um teatro com cadeiras móveis que poderia servir para shows e espetáculos de dança e uma parte da plateia com cadeiras fixas, para filmes e peças teatrais. O desenho ainda inclui um terraço aproveitando a laje do imóvel para palestras e coffe break. “É difícil orçar custos do projetos sem ter noção de quem seria o investidor, a especificação de materiais, mobiliário e revestimentos são instrínsecas ao cliente que vai arcar com esses custos. Desenvolvi uma proposta coerente e ideal para um espaço mais flexível”, explica.

Por ser um imóvel tombado, a revitalização do Pathé poderia ser custeada por leis de incentivo à Cultura. Na opinião de Celina, ainda é possível sonhar com um futuro para o cinema. “A Savassi está bonita, tem despertado interesse, acredito que se um grande empreendedor se interessar é possível trazer o Pathé de volta. O dia que eu ganhar na Mega Sena eu compro o Pathé”, brinca.

História do Cinema Brasileiro

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