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Regina Casé

Biografia

Regina Maria Barreto Casé, em arte conhecida como , é uma atriz, roteirista, apresentadora de tv e produtora brasileira nascida no Rio de Janeiro (RJ) no dia 25 de fevereiro de 1954. Neta de Adhemar Casé, pioneiro do Radio no Brasil, é filha do diretor de televisão Geraldo César Casé e Heleida Barreto Casé. Botafoguense, desfila no Carnaval pela Mocidade Independente de Padre Miguel.

Nascida em pleno carnaval, nasce no bairro de Botafogo, zona sul carioca, num calor de quase 40°, quando seu pai, Geraldo Casé, depois de driblar dezenas de blocos e foliões, chegou com sua mãe Heleida à Casa de Saúde São José. Meu pai conta que com três dias de vida eu já brincava o Carnaval, uma vez que para deixar a Casa de Saúde tivemos que atravessar dezenas de blocos que se espalhavam por Botafogo. Deve ser por isso que eu adoro Carnaval até hoje.

No dia nove de janeiro de 1958, nasceu Patrícia Barreto Casé, a irmã do meio. Nessa época, a família morava no Edifício Esmeralda, na rua Toneleros – entre as ruas Paula Feitas e República do Peru, em Copacabana. Hoje, Patrícia vive em São Paulo.

Em dois de janeiro de 1959, nasce, de sete meses, a irmã mais nova de Regina, Virginia Barreto Casé. Eu estava com cinco anos quando a Virginia nasceu e foi estranho porque fiquei com aquele ciúme comum quando a criança deixa de ser a primeira em tudo: eu era a primeira e única filha, a primeira e única neta. Minha mãe contava que até elas irem para o colégio eu sequer falava o nome de nenhuma das duas. A diferença de idade entre elas era muito pequena, apenas um ano, e eu me sentia muito mais velha. Mas isso logo passou e na verdade temos uma ligação muito grande, até hoje.

Em 1960, Regina entrou para o maternal do Colégio Ofélia de Agostini, no Bairro Peixoto, em Copacabana.

Em 1961, saiu do maternal e entra para o Colégio Sacre-Coeur de Marie, em Copacabana, um dos colégios mais tradicionais do Rio de Janeiro. Lá, fez o primário e o ginásio. Nunca gostei muito de ir para o colégio. Minha casa sempre foi muito animada, cheia de artistas, músicos, tínhamos liberdade para tudo: escrever nas paredes, decorar os quartos, coisas pouco comuns para a maioria das crianças. Quando chegava no colégio, tinha que ter muito mais disciplina. Por isso, me lembro que no começo, na infância, eu fazia qualquer coisa para não ter que ir ao colégio. Todo ano era a mesma coisa. Só fui me acostumar na adolescência, nessa época eu adorava o Sacre-Coeur. No pátio do colégio tinham as mangueiras mais lindas do Rio de Janeiro. Me lembro que cheguei a ficar de segunda época só pra chupar manga no pé durante as férias. Todo mundo acha chato estudar em colégio de freira, mas eu não. Ao contrário, adorei ter uma educação religiosa. Me lembro demais da mère Saint-Tarcise, que me ensinou toda a historia do Santo menino que morreu apedrejado nas catacumbas romanas fazendo movimento de hóstias. Eu gostava daquele universo da igreja, do ritual, das tradições. Sempre achei lindo usar véu, mantilha. Tudo aquilo que as pessoas achavam chato, eu gostava. E, ao contrario do que se costuma dizer, isso não me deixou nenhum trauma, nenhuma travação – nem sexual, nem afetiva. Sempre namorei, fiz tudo normal, mesmo tendo tido uma formação religiosa.

Os pais de Regina, se separam no ano de 1964. Geraldo se casou novamente e foi morar em São Paulo com Janete, com quem vive até hoje. Regina ficou no Rio com a mãe e as irmãs.

Em 1969, Heleida também se casa novamente com um comandante da TAP (Linhas Aéreas Portuguesas), e se muda para Portugal com as filhas Patrícia e Virginia. Regina decide ficar no Rio. Nos primeiros meses, mora na casa de uma amiga até se mudar para a casa de uma tia, em Copacabana, sempre em companhia da Tia-Avó Julinha, uma das irmãs de sua avó paterna, Graziela.

A Tia Julinha foi praticamente quem me criou. Quando eu tinha uns seis meses ela foi nos visitar e na hora de ir embora, como ja estava tarde, perguntou à minha mãe se podia dormir lá. Minha mãe disse que sim e ela nunca mais foi embora. Muita coisa da minha personalidade eu devo à Tia Julinha. Ela fazia tudo pra mim, me tratava como uma rainha, me mimava demais. Foi nessa época, em que os meus pais estavam morando cada um em uma cidade, que tia Julinha e eu fomos morar com a Tia Maria Amélia, outra irmã da minha avó Graziela. Era um apartamento pequeno em cima das óticas Fluminense, entre as ruas Miguel Lemos e Djalma Urich, em Copacabana. O edifício se chamava Philadélfia e era estranhíssimo porque, como ele foi construído durante a guerra, ao invés de ter garagem ele tinha um abrigo anti-aéreo. Além disso, o nosso apartamento era de fundos e dava para o ‘Teatro Brigitte Blair’. Muitas vezes eu ficava da janela apartando brigas dos travestis, era engraçado. Ficamos um bom tempo lá, até tia Julinha comprar um apartamento em Ipanema.

Em 1970, Tia Julinha comprou um apartamento na rua Gomes Carneiro, em Ipanema, para onde se mudou com Regina. Heleida continuou vivendo em Portugal com Patrícia e Virginia. Regina estava com 16 anos, estudando no Colégio Rio de Janeiro, e ia à praia no Píer. É nessa época que, despretensiosamente, entra para o curso de teatro de Sergio Britto. É la que conhece Hamilton Vaz Pereira, que se tornaria mais que um amigo inseparável. Juntos, fundariam, mais tarde, o Asdrúbal Trouxe o Trombone.

Muita coisa da minha vida aconteceu nessa época e, principalmente, naquele apartamento térreo de sala e quarto. Era o auge do Píer, a gente vivia na praia. Foi ali que fizemos as primeiras reuniões do ‘Asdrubal’. Tia Julinha tinha uma máquina de costura, com a qual fizeram todos os figurinos do grupo. No curso de teatro, além de Hamilton, Regina também conheceu e se torna amiga dos irmãos Jorge Alberto e Luiz Eduardo Soares e João Carlos Motta. Jorge Alberto e João Carlos também fizeram parte do ‘Asdrubal’.

Com a vida totalmente voltada para o curso de teatro e para os colegas, Regina começa a namorar Hamilton Vaz Pereira em 1971. Meu encontro com Hamilton foi um desses para toda a vida. Começamos a namorar e ficamos juntos por muitos anos. Ele e eu entramos juntos na vida adulta, fizemos tudo junto pela primeira vez.

Em 1973, Regina terminou o Curso Clássico no Colégio Rio de Janeiro e faz vestibular para Comunicação. Passou para a Universidade Federal Fluminense (UFF) no primeiro semestre e para a PUC-Rio, no segundo.

Como o teatro tomava a maior parte do seu tempo, opta pela segunda. Na PUC, faz Comunicação, Filosofia e História, sem conseguir concluir nenhum dos cursos. “Nessa época, a gente viajava muito com o teatro e era impossível frequentar a faculdade.”

No dia 1° de maio de 1974, Regina Casé criou no Rio de Janeiro, ao lado de Hamilton Vaz Pereira, aquele que seria um marco do teatro brasileiro nas décadas de 70 e 80, o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone.

O Asdrúbal Trouxe o Trombone era formado também por Jorge Alberto Soares, Luiz Arthur Peixoto e Daniel Dantas. O grupo faz sua estréia com o espetáculo O inspetor geral, de Nikolai Gogol. Com esta peça, Regina ganha o Prêmio Governador do Estado como atriz revelação.

No dia 25 de outubro de 1975, Regina Casé estreou no Teatro Experimental Cacilda Becker, o espetáculo Ubu Rei, com direção de Hamilton Vaz Pereira. Regina e Jorge Alberto Soares assinam os figurinos da peça. Foi morar com Hamilton no bairro de Botafogo, na rua Marquês de Olinda, nº 90, Edifício Abaeté, apartamento 11.

Em 15 de abril de 1977, estréia no Teatro Dulcina o espetáculo Trate-me Leão, com direção de Hamilton Vaz Pereira. Com este espetáculo, Regina Casé ganha, aos 23 anos, o Prêmio Molière de Melhor Atriz. O ‘Trate-me Leão’ mudou a minha vida e a vida de muita gente. Ninguém falava daqueles assuntos que a gente falava na peça, ninguém tinha aquele tipo de interpretação. Acho que o ‘Trate-me’ foi um acontecimento monumental na cultura brasileira. Sem contar que, na temporada do Teatro Ipanema, a gente saía da praia molhado e entrava direto em cena, salgado, e só ia tomar banho depois da peça.

O espetáculo Trate-me Leão ficou em cartaz no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, e fez uma temporada no Teatro da Nações, em São Paulo.

É neste mesmo ano que Regina conhece Caetano Veloso. Nos conhecemos um dia em que Caetano foi ver a peça e ficamos amigos instantaneamente. A força desse encontro me fez passar, a partir dai, todos os verões da minha vida na Bahia. Na casa de Caetano e Dedé (Gadelha), sua mulher na época, Regina entra em contato com toda a cultura baiana e faz grandes amigos. Conhece Gilberto Gil e Sandra Gadelha, Rogério Duarte, o Gantois, os blocos afro. Costumo dizer que Caetano e Dedé acabaram de me criar.

Foi em um desses verões, que conheceu Carlos Alcy Martins, o Carlão, um acupunturista com quem, alguns meses depois, vai viver. Um dia, passeando de jegue na Boca do Rio, na beira da praia, um cara se aproximou e perguntou se podia fazer umas fotos minhas. Eu deixei e nunca mais nos vimos. Até que um dia, no Baixo Leblon, no Rio, esse mesmo cara chegou e disse que tinha as tais fotos feitas na Bahia. Me chamou pra ver, eu fui, começamos a namorar e ficamos juntos por cinco anos.

Em 1978, Regina Casé faz sua estréia no cinema em uma participação no filme Chuvas de verão, de Cacá Diegues. No mesmo ano, ganha um papel um pouco maior no filme Tudo bem, de Arnaldo Jabor.

Para quem vinha do teatro e de um teatro como o que Regina fazia, com muita liberdade, o cinema foi uma experiência marcante. Eu não sabia nada. Não sabia que tinha um set, que a gente tinha que ficar ali, parado, dando o texto para a câmera, que o fotógrafo preparava uma luz… Senti ainda mais essa diferença no Tudo bem, que foi filmado na casa da Maria Barreto Leite. A Maria era mãe da Dudu, muito amiga da minha mãe. Portanto, a locação era uma casa que eu conhecia bem, onde eu tinha ido mil vezes; dai quando alguém da produção me perguntava se eu tava com sono ou se eu queria ir ao banheiro, eu nem respondia, saia andando, normalmente, dando o texto pelos corredores e deixava a luz, câmera, tudo lá, parado. A equipe morria de rir e eu não tinha noção de nada.

Começava ali uma interminável lista de participações especiais que Regina faria não só no cinema, mas também na televisão. O talento para improvisar cenas e textos fazia dela uma atriz única, capaz de criar situações que alguns autores achavam quase impossível fazer sem o seu aval. Hoje, depois de anos de carreira, acho que esse talento para improvisar acabou me impedindo de ser mais atriz. Não que eu não seja uma boa atriz, mas acho também que acabei me afastando por achar que havia um problema em eu ser atriz. E o “problema”, na verdade, eram vários: primeiro, eu ser muito livre na forma de atuar e ainda ter um tipo físico diferente; depois, ser muito personalista, espontânea e, principalmente, muito autoral. Acho que o ideal seria que nada disso me impedisse de ser atriz, mas hoje percebo que, desde aquela época, isso já me impedia. Toda vez que eu entrava para fazer uma participação especial o diretor pedia: ‘não precisa texto, fala o que você quiser, você sempre fala coisas ótimas.’ Eu ia fazer um comercial e perguntava ‘cadê o roteiro?’, e a pessoa respondia: ‘fala o que você quiser, do seu jeito, a gente quer uma coisa bem Regina Casé’. Ou seja, na verdade, o que as pessoas queriam – e que eu dizia na época – era a minha personalidade. Mas hoje vejo que o que elas queriam, na verdade, era a minha autoria naquilo. E isso foi criando, já naquela época, um problema que eu não percebia, mas que agora, com o passar dos anos e com isso cada vez mais sedimentado, percebo melhor. Essa característica de improvisar através da observação e que vinha da minha personalidade, podia ser uma vantagem, mas acabou me afastando de ser atriz. Claro que naquele momento eu não tinha essa consciência. Hoje vejo que sou muito mais uma cronista do que qualquer outra coisa. Eu observo muito, reparo tudo e consigo passar isso muito bem para as pessoas que não reparam ou não observam tanto.

Em janeiro de 1980, estréia no Rio o espetáculo Aquela Coisa Toda, com direção de Hamilton Vaz Pereira. Apesar das criticas negativas a peça ficou em cartaz durante todo o ano de 80 e 81. É justamente nessa temporada paulista que Regina conheceu Luiz Zerbini, pai de sua única filha Benedita. O Luiz era muito amigo do Leonilson (artista plástico) e os dois viviam com a gente. Nos encontramos no Rio, depois na Bahia e de repente ele sumiu. Foi fazer um curso em Madri e ficamos um tempo sem nos ver. Nosso encontro aconteceu mesmo alguns anos depois.

No cinema, Regina Casé vive Arlete na adaptação de Neville d’Almeida para Os sete gatinhos, de Nelson Rodrigues.

Em 1981, foi novamente dirigida por Arnaldo Jabor, no filme Eu te amo. No mesmo ano, filma Corações a mil, road-movie de Jom Tob Azulay (diretor, entre outros, do documentário Os Doces Bárbaros).

Com Os Doces Bárbaros, Regina excursiona por todo o Brasil ao lado de Gilberto Gil, que atua e também produz o filme.

Na televisão, estreou na televisão em 1982, no programa Chico Anysio Show. Apesar de todo o trabalho com o Asdrúbal, Regina continuou fazendo participações especiais na TV.

Em 1982, substituiu, em São Paulo, Marília Pêra no espetáculo teatral Doce Deleite, que reunia esquetes de Mauro Rasi, Alcione Araújo, José Marcio Penido. Durante a temporada paulista, reencontra Luiz Zerbini em um debate sobre o ‘Asdrubal’ no auditório a Folha de SP. Nos estávamos no debate, diante de uma platéia grande e eu notei um cara sentado na última fila, que fazia umas perguntas muito malucas. Esse mesmo cara sabia de cor o texto inteiro de um dos personagens da peça. Quando fui ao banheiro, vi que esse cara era o Luiz Zerbini, amigo do Zé Leonilson, e com quem eu tinha convivido muito durante uma época. Luiz tinha acabado de chegar de uma temporada em Madri, onde ficou como artista residente na Casa do Brasil. Nos falamos, trocamos telefone e ele passou a ir a todas as sessões do ‘Doce Deleite.’ Ficamos ainda mais próximos, eu me separei do Carlão, e começamos a namorar.

O namoro de Regina com Luiz acabou refletindo diretamente nos planos do Asdrúbal. Os dois estavam tão apaixonados que não se imaginavam separados. Como Luiz morava em São Paulo e Regina tinha toda a sua vida no Rio, o jeito foi convencer todo o “Asdrúbal” a ficar. Luiz arrumou para o grupo um convite do Centro Cultural Vergueiro para que promovessem, ao lado de diversos artistas, um dia inteiro de oficinas, cursos, experimentações. Era o começo de uma longa temporada paulista.

O trabalho no Centro Cultural Vergueiro da ao Asdrúbal a oportunidade de estrear seu novo espetáculo A farra da Terra, no Sesc Pompéia, criado pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi.

A Farra da Terra é filha direta de tudo o que tínhamos vivido e conhecido em São Paulo: das oficinas, do convívio com os artistas plásticos, com os músicos. Era São Paulo na veia. E no Sesc Pompéia ainda tinha a dona Lina, com quem pudemos conviver bastante.”

Depois de serem muito criticados com Aquela coisa toda, o Asdrúbal ganha fôlego e mais uma vez inova com A farra. O espetáculo leva ao palco, pela primeira vez, projeções de vídeo feitas ao vivo. Com este recurso, a platéia podia ver ‘de perto’ a expressão dos atores em detalhes. Eram duas câmeras de vídeo comandadas pelos videomakers Ruth Slinger e Alexandre Negrão. A farra tinha também uma banda que se apresentava ao vivo, era a Paris 400, que acabou gerando o disco A farra da terra, produzido por Caetano Veloso.

Em 1983, fez a novela Guerra dos Sexos, de Silvio de Abreu, interpretando a personagem Carlotinha Bimbati; fez também o Sítio do Pica-Pau Amarelo, dirigido por seu pai, Geraldo Casé; e continua ainda a gravar, no Rio, o programa Chico Anysio Show. O ‘Chico City’ foi uma grande escola. Como eu vinha de São Paulo para gravar, chegava a fazer cinco, seis caracterizações por dia. Fazíamos uma parceria bacana, ele, como a repórter Neide Taubaté, me entrevistava fazendo diferentes personagens.

No dia 23 de julho de 1984, estréia a novela “Vereda Tropical”, escrita por Carlos Lombardi e dirigida por Guel Arraes e Jorge Fernando. Regina fez mais uma de suas participações especiais como a jovem Clotilde, apaixonada pelo jogador de futebol Luca, vivido pelo ator Mario Gomes.

O 1985 foi o ano do cinema. Regina fez participações em três filmes: A Marvada Carne, de André Klotzel; Brás Cubas, de Julio Bressane; e Areias Escaldantes, de Francisco de Paula.

Em 1986, Regina ganhou o Brasil com Albertina Pimenta, a Tina Pepper, sua personagem na novela “Cambalacho” (TV Globo), escrita por Silvio de Abreu e dirigida por Jorge Fernando. Esta foi uma das poucas novelas que eu fiz do inicio ao fim e a Tina Pepper foi uma personagem que o Silvio escreveu especialmente para mim. A Tina foi tão legal, marcou tanto, que uma vez eu fui ao Programa do Chacrinha me apresentar como se eu fosse a Tina Pepper mesmo. Até hoje, nas ruas, as pessoas me chamam de Tina. Essa personagem me trouxe outra coisa muito interessante em relação à minha cor. Porque a Tina Turner é negra, o Brasil inteiro começou a achar que eu era negra também. E isso dura até hoje. Tanto que agora, em Julho de 2006, durante uma viagem à África, todo mundo em Moçambique me reconhecia como a Tina Pepper. Imagina isso acontecendo 20 anos depois da novela ter sido gravada? E eu perguntava justamente isso pra eles. Por que, tanto tempo depois, isso ainda ficar assim tão marcado? E eles diziam que esse personagem ficou tão marcado porque tinha sido a primeira vez que eles viam alguém como eles na televisão, quer dizer, alguém negro, achavam realmente que eu era negra.

No mesmo ano, participou de O Cinema Falado, longa-metragem dirigido por Caetano Veloso. No filme, Regina faz uma imitação de Fidel Castro fazendo uma leitura pessoal da linguagem corporal do presidente cubano. Em outro momento fala, na forma de monologo, um texto da escritora americana Gertrude Stein.

No dia 05 de junho de 1988, vai ao ar o primeiro episodio do TV Pirata. Com direção geral de Guel Arraes, o programa reunia esquetes escritos por Cláudio Paiva, Luiz Fernando Veríssimo, Vicente Pereira, Patrycia Travassos, Felipe Pinheiro, Pedro Cardoso – todos os integrantes do que mais tarde daria origem ao “Casseta e Planeta” (Hubert, Bussunda, Cláudio Manoel, Hélio de La Pena, Beto Silva e Marcelo Madureira). O TV Pirata foi uma verdadeira revolução na linguagem humorística na televisão. Do elenco, faziam parte, entre outros, Regina, Luiz Fernando Guimarães, Débora Bloch, Claudia Raia, Diogo Vilela, Cristina Pereira, Ney Latorraca. Todos os atores se revezavam entre vários personagens. Dos que Regina interpretou, o de maior sucesso foi o a apresentadora do Casal telejornal, no qual contracenava com Luiz Fernando.

“A ‘TV Pirata’ foi muito importante e marca o meu reencontro com o Luiz (Fernando Guimarães) depois do Asdrúbal. O grupo, alias, foi completamente impregnado pelo espírito do Asdrúbal que nos trazíamos. Sem contar que dali surgiram varias outros projetos como o ‘Casseta e Planeta’, o ‘Programa Legal’.

Também em 88 Regina fez, no cinema, Fogo e Paixão, de Marcio Kogan e Isay Weinfeld; e Luar sobre o Parador, de Paul Mazursky.

Em outubro do mesmo ano, estréia no Aeroanta, em São Paulo, o monologo Nardja Zulpério, escrito e dirigido por Hamilton Vaz Pareira. A primeira temporada da peça fica poucos meses em cartaz, porque Regina esta grávida de sua filha Benedita.

Nasce em 19 de junho de 1989, no Rio de Janeiro, Benedita Casé Zerbini.

No mesmo ano, Regina filmou O Grande Mentecapto, de Oswaldo Caldeira. Conhece e se torna amiga do antropólogo Hermano Vianna. Um encontro que detona outra virada em sua vida e carreira. Com ele, cria um grupo de estudos e inicia parcerias profissionais que duram até hoje. Do grupo faziam parte Sandra Kogut, Jorge Barrão, Sergio Meckler, Luiz Zerbini, Fausto Fawcett, Silvia Pimenta – pessoas que passam a fazer parte da vida pessoal e profissional de Regina. Costumo dizer que no final dos anos 80 na minha vida, as artes plásticas passam o bastão para a antropologia. Com o grupo, nós nos encontrávamos pelo menos duas vezes por semana, era muito intenso. O grupo ocupou bastante a vida de todo mundo. Minha casa na Gávea (Rua Major Rubens Vaz, 51), começou a virar uma central de encontros dos quais surgiam idéias que, mais tarde, foram se transformando em peças de teatro, musica, programas de televisão. Só para dar alguns exemplos, depois do grupo a Sandra fez um curta, o Lá e Cá, do qual eu era a protagonista; depois fizemos o ‘Brasil Legal’, que tinha a Sandra na direção, o Hermano na criação, o Barrão na direção de arte, o Serginho (Meckler) na edição; o Fausto fez o espetáculo das louras. E estes são, além de amigos, pessoas que trabalham comigo até hoje.

Em outubro de 1990, Regina reestreou no Rio o espetáculo Nardja Zulpério. A peça foi um verdadeiro fenômeno de bilheteria, vista por milhares de pessoas durante os cinco anos em que ficou em cartaz – incluindo uma temporada de quatro meses no antigo Palace, em São Paulo. Com o espetáculo, Regina viajou o pais inteiro.

Em uma dessas andanças com Hermano Vianna, Regina conheceu o DJ Malboro, de quem se tornou grande amiga. À convite de Malboro, participou da coletânea Funk Brasil 2, produzido por Malboro e na qual ela e Luiz Fernando Guimarães cantam o funk Melô do Terror. Um ano mais tarde o funk seria tema de um dos programas de Regina e Luiz Fernando na Globo.

No dia 09 de abril de 1991, estreou o Programa Legal, com Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães.

Depois do ‘TV Pirata’, do grupo de estudos e, principalmente do meu encontro com o Hermano, que me levou ao encontro de muitas pessoas de universos muito diferentes, comecei a sentir vontade de levar isso para a televisão. Na mesma época o Daniel Filho me chamou para conversar, ele queria muito que eu tivesse uma programa só meu. Então, me propôs um programa essencialmente humorístico. Como eu estava bastante envolvida com todos aqueles universos, com a periferia, sugeri a ele que o programa tivesse, além da ficção, outros temas, mais jornalísticos. Propus uma abordagem antropológica até. Ele aceitou e o ‘Programa Legal’ acabou sendo isso, um filho das minhas saídas com o Hermano. O desafio era transformar aquilo em um programa de televisão.

O Programa Legal teve grande repercussão. Em dezembro de 1992, no auge do sucesso, foi exibido seu último episódio. No mesmo ano, Regina ganhou o Troféu Imprensa, promovido pelo SBT, como Comediante do Ano, e ainda recebeu outras quatro indicações.

Em meados de 1993, Regina e sua equipe estrearam no dominical Fantástico, o quadro Na Geral. O semanal era um esboço do que viria a ser o Brasil Legal.

No ano seguinte, esta mesma equipe de colaboradores desenvolve um novo formato de programa que resultaria em mais um marco da televisão aberta brasileira: o “Brasil Legal.” No dia 28 de dezembro, fazendo parte da programação especial de fim de ano da Globo, vai ao ar o primeiro programa da série. “O ‘Brasil Legal’ foi uma evolução do ‘Programa Legal’ e do ‘Na geral’, mas no começo ainda tínhamos que fazer um pouco de ficção. Só nos meses seguintes é que conseguimos realizá-lo puramente documental.”

Em 26 de maio de 1995, aconteceu a estréia oficial do Brasil Legal. Com este programa, Regina viajou o Brasil e o mundo em busca de pessoas, em sua maioria anônimos, que através de suas histórias acabam por revelar o Brasil para o Brasil. O especial de fim de ano do Brasil Legal, de 1995, é um dos mais lembrados até hoje. Nele, Regina viajou para Portugal onde vai encontrar parentes de portugueses que vivem no Brasil. O encontro com os familiares se da através de uma troca de presentes, que acaba resultando em uma troca de experiências entre estas pessoas nos dois países. O programa foi um sucesso, rendendo cerca de 50 pontos no Ibope.

Em outubro, participa da peça musical Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev, com regência de Alessandro Sangiorgi, direção cênica de Alberto Renault e executada pela Orquestra Sinfônica Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Também em 1995, protagonizou o curta-metragem Lá e Cá, de Sandra Kogut.

A convite de José Junior, criador do Grupo AfroReggae, aceitou ser a madrinha da banda formada por jovens da favela de Vigário Geral.

Em 1996, chegou ao fim do casamento de 14 anos com o artista plástico Luiz Zerbini. Dirige Luiz Fernando Guimarães no monólogo Castiçais, realizando sua primeira experiência na direção. Continuou viajando pelo Brasil, gravando o Brasil Legal.

Em 26 de abril de 1998, vai ao ar o último Brasil Legal. Regina e sua equipe continuam trabalhando no formato de um novo programa e no dia 14 de novembro do mesmo ano, estreou o Muvuca. O programa semanal fica no ar por dois anos. Por ser um programa semanal, a gente tentou transferir o que fazia no ‘Brasil Legal’, indo nos lugares conhecendo as pessoas, para o casarão da ‘Muvuca’. Ao invés de eu ir até as pessoas, elas é que vinham até mim. No primeiro ano de existência, o Muvuca era totalmente gravado em um casarão no bairro do Humaitá, no Rio de Janeiro. Ali, Regina recebia personalidades, músicos, pessoas comuns. No segundo ano, o programa saiu um pouco da casa e viajou não só pelo Brasil, mas também para cidades como Miami e países como Trinidad e Tobago.

No dia 30 de outubro de 1999, se casou, no Outeiro da Glória, com Estevão Ciavatta. “Estevão e eu fizemos tudo direitinho, namoramos, noivamos e casamos. Me casei de véu e grinalda, no civil e no religioso, tudo pela primeira vez. O Estevão só foi morar comigo, na mesma casa, depois da lua-de-mel.”

Em agosto de 2000, vai ao ar o último Muvuca.

Regina lançou o livro de fotos , que reuniu centenas de fotografias tiradas por ela com sua polaróide.

No cinema foi dirigida também por Andrucha Waddington no filme Eu, tu, eles. O filme foi visto por milhares espectadores que se emocionaram com o drama da nordestina Darlene. Regina protagonizou o longa-metragem ao lado de Lima Duarte, Stênio Garcia e Luiz Carlos Vasconcellos. O Eu, tu, eles foi maravilhoso e eu sempre digo para o Andrucha que ele foi uma das poucas pessoas na vida que me tirou pra dançar. Em geral, acontecia o contrario. Digo isso, não só por fazer o filme desse jeito, mas por toda essa situação de ir pra um lugar, ficar um tempo, tudo que eu achei que seria a minha vida o tempo todo desde o ‘Asdrúbal,’ ser atriz nesses moldes. Trabalhando e se divertindo ao mesmo tempo, vivendo em grupo. Só que comigo nunca rolava, se eu não convidasse a equipe, se eu não montasse tudo, nada disso acontecia. E com o Eu, Tu, Eles aconteceu.

Depois atuou na novela As Filhas da Mãe (2001), como Rosalva Rocha, e na minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes (2007), como Maria Ninfa; Ciranda de Pedra (2008), como Eunice Jardim; e Som e Fúria (2009), como Graça.

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Filmografia

:: Filmografia como Atriz ::

2019 :: Três Verões
2014 :: Que hora ela volta?
2014 :: Rio, Eu te Amo (Episódio: Dona Fulana)
2014 :: Made in China
2001 :: Onde Andará Petrucio Felker?
2000 :: Eu, Tu, Eles
1995 :: Lá e Cá (CM)
1989 :: O Grande Mentecapto
1988 :: Fogo e Paixão
1988 :: Moon over Parador (Luar sobre Parador) (EUA)
1986 :: O Cinema falado
1985 :: Areias Escaldantes
1985 :: Brás Cubas
1985 :: A Marvada Carne
1983 :: Onda Nova
1982 :: Corações a Mil
1981 :: Eu te amo
1981 :: O Segredo da Múmia
1980 :: Os Sete Gatinhos
1978 :: Tudo Bem
1977 :: Chuvas de verão

:: Filmografia como Roteirista ::

1995 :: Lá e Cá (CM)

:: Filmografia como Ela Mesma ::

2017 :: Neville D’Almeida – Cronista da Beleza e do Caos
2010 :: Programa Casé – O que a gente não inventa, não existe
2003 :: A Pessoa é para o que Nasce
1998 :: A Pessoa é para o que Nasce

Prêmios

2015 :: Melhor Atriz, pela atuação Que hora ela volta?, no Festival Sundance 2015;

Bibliografia

Links de Referência

Livros:

SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Regina Casé. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/regina-case/

História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

Qualquer interesse de envio de textos, dúvidas, opiniões, sugestões, acréscimos de conteúdo, relato de erros ou omissão de informações publicadas, entre em contato com a Coordenação Geral do História do Cinema Brasileiro pelo seguinte email: [email protected]

4 comentários sobre “Regina Casé

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