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Roberto Marinho (1904-2003)

Biografia

FOTO Roberto MarinhoRoberto Pisani Marinho foi um jornalista e empresário brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro no dia 03 de dezembro de 1904. Proprietário do Grupo Globo de 1925 a 2003, foi um dos homens mais poderosos e influentes do país no século XX. Seu empreendedorismo levou à constituição de um dos maiores impérios de comunicação do planeta e o fez figurar diversas vezes entre os homens mais ricos do mundo. Com sua família atrelada ao jornalismo, herdou ainda jovem o jornal O Globo, fundado pelo pai Irineu Marinho, em 1925. Começou a formar o conglomerado de veículos de comunicação, mais tarde chamado de Organizações Globo, hoje Grupo Globo, com a inauguração da Rádio Globo em 1944, e a primeira concessão pública de TV no Rio de Janeiro, a TV Globo, em 1957. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 06 de agosto de 2003.

Filho do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e Francisca Pisani Barros, Roberto Pisani Marinho nasceu no dia 03 de dezembro de 1904, no bairro carioca de São Cristóvão, e teve cinco irmãos: Heloísa, Ricardo, Hilda, Helena (falecida com 1 ano de idade) e Rogério. Fez seus estudos primários em escolas públicas, depois estudou na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos Colégios Anglo-Brasileiro, Paula Freitas e Aldridge, onde concluiu o ensino secundário em 1922. Ainda muito jovem, participou do movimento tenentista, mais especificamente da primeira revolta, a dos 18 do Forte de Copacabana, ocorrida em 1922, porém foi um dos primeiros a sair do local. Católico, se posicionava contra a teologia da libertação o que rendeu a ele intensos debates com seu colega Dom Helder Câmara.

Em 1925, abandonou os estudos para seguir os passos do pai jornalista e trabalhar com ele no jornal “O Globo”, fundado em 29 de julho daquele ano, onde começou como repórter e secretário particular de Irineu Marinho. Em menos de um mês após o lançamento do jornal, contudo, Irineu faleceu vítima de um ataque cardíaco, e Roberto Marinho tornou-se o principal herdeiro do jornal. No entanto, recusou-se a assumir a direção do diário carioca e o deixou sob responsabilidade de Euclydes de Matos, amigo de seu pai, enquanto continuava seu aprendizado nas funções de repórter, copidesque e redator-chefe, adquirindo completo domínio sobre o fazer jornalístico. Com a morte de Eurycles de Mattos em 05 de maio de 1931, Roberto Marinho assumiu a direção de “O Globo”, aos 26 anos de idade, colocando em prática um estilo empresarial ousado, que resultou na construção de um império de comunicação que cresceu ininterruptamente.

Em 1933, disputou sua primeira prova automobilística com o carro Voisin, na corrida do Quilômetro Lançado, na estrada de Petrópolis. No final da década de 1930, começou a participar de provas hípicas, iniciou sua coleção de obras de arte e comprou a casa do Cosme Velho, onde viveu até o fim da vida. Conquistou sua primeira vitória hípica montando o cavalo Arisco, no Clube Hípico Fluminense em 1940 e, no ano seguinte, venceu a prova Páreo de Amadores, no Hipódromo da Gávea, com o cavalo uruguaio Plumazo.

No Golpe de 1930, “O Globo” apoiou o governo instituído por Getúlio Vargas e a Revolução Constitucionalista em 1932, sempre adotando uma posição política e editorial cautelosa, que fez do combate ao comunismo uma de suas marcas.4 14 Embora seu jornal tenha feito restrições ao golpe que gerou o Estado Novo, Marinho manteve uma relação próxima com Getúlio Vargas, per­correndo os mais altos escalões do poder e utilizando seu jornal para defender as ações do governo ditatorial e se beneficiaram po­lítica e economicamente, além de ter participado do Conselho Na­cional de Imprensa, então ligado do Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão estatal responsável pela censura a jornais que funcionou entre 1940 e 1945.nota 4 No início da Segunda Guerra Mundial, Marinho manifestava-se contrário à posição de neutralidade adotada pelo governo brasileiro e se mostrava alinhado com os aliados. Depois do Brasil se alinhar às forças aliadas, Marinho concedeu ampla cobertura à atuação da Força Expedicionária Brasileira, lançando ainda o tabloide “O Globo Expedicionário”.

Casou-se com Stella Goulart Marinho em 1946. No ano seguinte, nasceu Roberto Irineu Marinho, primeiro dos quatro filhos do casal, seguido por Paulo Roberto Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, respectivamente nascidos em 1950, 1952 e 1955.

Em 02 de dezembro de 1944, Marinho deu um passo na expansão do seu conglomerado de mídia ao comprar a Rádio Transmissora, da RCA Victor, e transformá-la na Rádio Globo do Rio de Janeiro, sua primeira emissora de radiodifusão. Com o final da guerra e a crise política do Estado Novo getulista, Marinho tomou posição a favor da redemocratização do Brasil e apoiou pessoalmente o brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional, nas eleições presidenciais de 1945, embora tenha mantido seu jornal numa posição de neutralidade durante a campanha presidencial, uma vez que Roberto Marinho havia mantido boas relações com Vargas e com Eurico Gaspar Dutra. Apesar da derrota do seu candidato predileto, Marinho colocou seu jornal a serviço do Governo Dutra, apoiando suas ações no Palácio do Catete.

Na eleição de 1950, Marinho apoiou novamente Eduardo Gomes, da UDN, mas Getúlio Vargas foi o vencedor do pleito. Inicialmente, as Organizações Globo adotaram um tom crítico moderado ao novo governo Vargas, mas passou a lhe fazer forte oposição a partir de 1953. O jornal “O Globo” fez campanha contra a criação da Petrobras e a Rádio Globo tornou-se porta-voz de ferrenhos opositores ao presidente, entre os quais Carlos Lacerda, que quase que diariamente usava os microfones da emissora de Marinho para atacar o governo. O tom inflamado de Lacerda contra Vargas levou Roberto Marinho a se preocupar com as transmissões que estavam desagradando muito ao governo.nota 8 Após o desfecho trágico do governo Vargas em 1954, Juscelino Kubitschek, eleito presidente de 1955, recebeu oposição moderada de Marinho, que acabou beneficiado com sua primeira concessão pública para um canal de TV, a TV Globo Rio de Janeiro.

Na eleição seguinte em 1960, Roberto Marinho apoiou Jânio Quadros, que acabou vencedor, mas discordava da política externa independente janista e se decepcionou com a sua renúncia em pouco menos de sete meses de governo.4 Inicialmente tolerante com o sucessor João Goulart, Marinho logo passou a conspirar para derrubar o novo presidente, colocando seus veículos à disposição da oposição e apoiando o movimento militar que culminou no Golpe Militar de 1964.

Conheceu Cândido Portinari em 1942, de quem se tornou amigo, e comprou do artista os quadros “Floresta” e “Circo”. Em 1945, obteve o recorde brasileiro de salto com o cavalo Joá, na prova Clóvis Camargo, no Quitandinha, em Petrópolis.

Foi nomeado em delegado do Brasil na comissão dedicada aos direitos humanos da VII Assembleia Geral da ONU, em 1952. Começou a praticar caça submarina em 1956, mergulhando regularmente até os 80 anos.

Conservador na política, liberal na economia, Marinho fazia com que seus veículos de comunicação sempre tomassem posição política alinhada com seu pensamento e harmonizada com seus interesses. Aproximou-se inicialmente do regime de Getúlio Vargas durante o Estado Novo, inaugurando um convívio com todos os presidentes da República pelo anos seguintes que o transformaria no grande interlocutor dos principais políticos brasileiros do século XX. Nos anos seguintes, passou a apoiar a UDN, opondo-se aos governos de Vargas e Juscelino Kubitschek, e com a renúncia de Jânio Quadros, presidente que teve o apoio irrestrito de Marinho, fez oposição ferrenha contra João Goulart e apoiou o Golpe Militar de 1964. Com seu apoio a ditadura militar brasileira, Roberto Marinho pôde expandir ainda mais seu conglomerado durante o regime autoritário com a inauguração da TV Globo em 1965, que se tornou o principal canal de televisão do Brasil e uma das maiores do mundo, e a ampliação do Sistema Globo de Rádio nos anos seguintes.

Com empenho pessoal e firme de Roberto Marinho, o Grupo Globo não apenas apoiou o golpe de Estado contra Jango, como também deu seu total apoio aos governos militares que se estabeleceram ao longo da ditadura militar brasileira.nota 10 Em 1965, preocupado que a restauração de eleições diretas para sua sucessão em 1966 pudesse favorecer políticos da oposição, Roberto Marinho participou de um grupo formado pelo então General Ernesto Geisel (chefe da Casa Militar), o General Golbery do Couto e Silva (chefe do Serviço Nacional de Informações) e Luis Vianna (chefe da Casa Civil), que tentava convencer o ditador Castelo Branco a prorrogar ou renovar seu mandato presidencial pós-1966.

Foi sob o regime militar que Roberto Marinho deu um salto decisivo na transformação do conglomerado de Marinho no maior grupo midiático do país, quando o empresário, aos 60 anos, deu início das transmissões do Canal 4 do Rio, a TV Globo, em 26 de abril de 1965.4 No ano seguinte, ele adquiriu uma nova concessão, o Canal 5 de São Paulo, a TV Paulista, e começou a formar a Rede Globo de Televisão. Como na época não possuía o capital necessário para o novo empreendimento, Roberto Marinho se uniu ao grupo norte-americano Time-Life, para quem deu 49% de participação acordo com o Grupo Time-Life representou uma injeção do equivalente hoje a US$ 25 milhões e mais assessoria técnica e comercial avançadas, que mais tarde seria transformada no chamado “Padrão Globo de Qualidade”. Embora o artigo 160 da Constituição brasileira de 1946 vetasse a participação acionária de estrangeiros em empresas de comunicação do país e um relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar o acordo concluiu que a Constituição fora de fato desrespeitada, tanto o procurador-geral da República, em 1967, quanto o presidente Costa e Silva, em 1968, avalizaram a operação como legal. Com o declínio das concorrentes TV Tupi e TV Excelsior e a colaboração com a ditadura militar, a Rede Globo ganhou rapidamente projeção nacional e se tornou líder de audiência. Além da força da emissora de Televisão e de ter “O Globo” entre os jornais mais vendidos do Rio e a Rádio Globo líder de audiência carioca, Roberto Marinho diversificou suas atividades empresarias com fazendas de gado, centros comerciais e uma das maiores coleções de arte na América do Sul. O apoio de Marinho ao regime militar prosseguiu ao longo da década de 1970.

Em 1970, Roberto Marinho sofre a perda de seu filho Paulo Roberto Marinho em um acidente de carro na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro e se separou de Stella. Em 1974, sofreu acidente hípico e fraturou três costelas, mas quatro meses depois, venceu a prova General Lindolpho Ferraz, na Sociedade Hípica Brasileira, com o cavalo Tupã. Em 1977, criou a Fundação Roberto Marinho, organização que apoia iniciativas educacionais, e passou a se dedicar formulação dos programas educativos Telecurso 1º Grau e Telecurso 2º Grau. Em 1979, casou-se com Ruth de Albuquerque Marinho.

Em 1980, conquistou a prova Cinco Tríplices-General Mário Vital Guadalupe Montezuma, no Centro Hípico de Exército, com o cavalo Laborioso. Em 1983 recebeu o prêmio Emmy de Personalidade Mundial da Televisão, nos Estados Unidos. Em 1985 organizou a exposição Seis Décadas de Arte Moderna na coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, levada depois a Buenos Aires em 1987 e a Lisboa em 1989. Separou-se de Ruth de Albuquerque Marinho no final daquela década.

Marinho foi criticado no documentário britânico, Beyond Citizen Kane (Muito Além do Cidadão Kane), por seu poder e papel na fundação da Rede Globo e vínculos com a ditadura militar no período. A Globo foi à Justiça para impedir a liberação e exibição do filme no Brasil, mas que se tornou viral na internet após a virada do século 21.26 Em 2009, a Rede Record comprou o documentário e passou a divulgar trechos do mesmo na emissora.

Embora tenha ignorado inicialmente o movimento popular de Diretas-Já, apoiou mais tarde Tancredo Neves e José Sarney na Nova República. Na eleição presidencial de 1989, Marinho apoiou Fernando Collor de Melo.

Fã de esportes, praticou automobilismo, hipismo e caça submarina ao longo da vida. Também ligado às artes, foi um grande colecionador de obras, tendo patrocinado algumas exposições com seu grande acervo. Publicou seu único livro, Uma Trajetória Liberal, em 1992, e em 1993, candidatou-se e foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. O magnata dedicou-se ainda a Fundação Roberto Marinho, organização de apoio a iniciativas educacionais criada por ele em 1977.

Seu último casamento, o terceiro, foi com Lily de Carvalho Marinho, em 1991. No ano seguinte, lançou em parceira com Francisco Pinto Balsemão a Sociedade Independente de Comunicação e publicou seu único livro: Uma trajetória liberal, 1992. Candidatou-se a ocupar a cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras em 1993, na sucessão de Otto Lara Resende, tendo sido eleito em 22 de julho daquele ano.

Organizou em 1994 a exposição Arte Moderna Brasileira – Uma seleção da Coleção Roberto Marinho, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que depois foi para Brasília e Curitiba. Em 6 de agosto de 2003, aos 98 anos, Roberto morreu na UTI do Hospital Samaritano por causa de um edema pulmonar. Foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

Filmografia

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Livros Publicados

MARINHO, Roberto. Uma Trajetória Liberal. : , .

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

AMORIM, Paulo Henrique. O Quarto Poder: uma outra história. São Paulo: Hedra, 2015.

BIAL, Pedro. Roberto Marinho. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.

CARVALHO, Maria Alice Rezende de. Irineu Marinho: imprensa e cidade. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2012.

HERZ, Daniel. A História Secreta da Rede Globo. Porto Alegre: Tchê!, 1987.

MACHADO, Roméro C. Afundação Roberto Marinho. Porto Alegre: Tchê!, 1988.

MARINHO, Lily. Roberto & Lily. Rio de Janeiro: Record, 2004.

MATTOS, Sérgio. As Organizações Globo na mídia impressa. In: Rede Globo: 40 Anos de poder e hegemonia. São Paulo: Editora Paulus, 2005. 267-286 p.

MATTOS, Sérgio. História da Televisão Brasileira: Uma visão Econômica, Social e Política. Petrópolis: Editora Vozes, 2002. 248 p.

WALLACH, Joe. Meu capitulo na TV Globo. Rio de Janeiro: Topbooks, 2011.

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