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Rogério Duarte (1939-2016)

Biografia

FOTO Rogerio DuarteRogério Duarte Guimarães, mais conhecido como Rogério Duarte, foi um artista gráfico, músico e intelectual brasileiro nascido na cidade de Ubaíra, na Bahia, no dia 10 de abril de 1939. Autor de algumas das estéticas visuais mais conhecidas da cultura brasileira.

Associado aos maiores movimentos culturais dos anos 1960, Duarte passou a ser reconhecido como um dos mentores intelectuais da Tropicália no final da década. Criou a estética do movimento, além de compor musicas com Gilberto Gil e Caetano Veloso.

O artista desenhou capas de discos para alguns dos mais importantes nomes da música brasileira – além de Gilberto Gil e Caetano Veloso, Gal Costa, João Gilberto e Jorge Ben. Também criou cartazes para filmes do amigo Glauber Rocha. É sua a icônica imagem do cangaceiro de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964). Para A Idade da Terra (1980), além de criar o cartaz, ajudou na trilha sonora.

Nascido em Ubaíra, cidade do centro-sul baiano, Duarte mudou-se nos anos 60 para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como diretor de arte da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da Editora Vozes. Com o irmão, Ronaldo, foi sequestrado por militares e torturado ao longo de dez dias em 1968, em um caso que mobilizou artistas e a imprensa da época.

Em 2003, lançou o livro Tropicaos, em que fala da prisão e tortura e de sua vivência no movimento tropicalista. Informações sobre o velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.

No ano de 2009. foi lançada pela Editora Azougue, uma coletânea sobre sua vida e obra,ano em que acabou a tradução, do sânscristo, o livro Gitagovinda, de Juayadeva.

Em 2011, lançou o livro A cantiga do novo amor. Lançou o livro A Grande Porta do Medo, no qual relatou sobre sua prisão e tortura pelo militares no ano de 1968, confiado ao psicanalista Hélio Peregrino.

Em 2015, junto com Manoel Raider foi o curador da exposição Marginália 1, mostra apresentada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, primeira exposição a reunir aspectos abrangentes de seu trabalho como artista plástico, tais como – poemas, desenhos, cartazes, cartas, coleções de pedras, moedas, tabuleiros e peças de xadrez que ele inventou, e ainda cenas de filmes no qual participou como ator. Neste mesmo ano de 2015 foi editado, por Manoel Raider, o livro Marginália 1, com reflexões sobre o artista. Sua obra foi reunida em exposições na Austrália, Alemanha (Frankfurt), no MAM da Bahia e no MAM do Rio de Janeiro.

Em 2016, residia no bairro de Rio Vermelho, em Salvador, debilitado, quase não saía de casa, ano em que foi lançado o documentário Rogério Duarte – Tropikaoslista, do baiano José Walter Lima: O documentário aborda cinco vertentes de Rogério: o narrador de uma época, o pensador, o mítico e o homem do campo. O documentário contou com depoimentos de Rogério Duarte e cenas de arquivos, com Carlos Rennó lendo trechos de um ensaio sobre o tropicalismo e Gilberto Gil, Caetano Veloso e Paquito cantam algumas de suas composições.

Como ator, atuou nos filmes Câncer (1972), de Gláuber Rocha, e O Cinema Falado (1986), de Caetano Veloso.

Rogério Duarte morreu na noite do dia 13 de abril de 2016, aos 77 anos. Ele estava internado no hospital Santa Lúcia, em Brasília. A causa da morte não foi divulgada, embora ele estesse internado há dois meses e lutava contra um câncer ósseo e câncer no fígado. Deixou cerca de 400 músicas inéditas, muitas delas instrumentais.

Filmografia

:: Filmografia como Artista Gráfico ::

1980 :: A Idade da Terra
1964 :: Deus e o Diabo na Terra do Sol

:: Filmografia como Ator ::

1986 :: O Cinema Falado
1972 :: Câncer
1970 :: Os Herdeiros

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2016 :: Rogério Duarte – Tropikaoslista
1997 :: À Meia Noite com Glauber Rocha

Bibliografia

Internet:

FOLHAPE. http://www.folhape.com.br/cultura/2016/4/morre-aos-77-anos-rogerio-duarte-0194.html

Livros:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira – Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006.
AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010. 3ª ed. EAS Editora, 2014.
DUARTE, Paulo Sergio, e NAVES, Santuza Cambraia. Do samba-canção à Tropicália. Rio de Janeiro: Faperj/Relume Dumará, 2003.
FAVARETO, Celso. Alegoria, Alegria. Editora Kairós: São Paulo, 1978. 2ª ed. Ateliê Editorial, 1996. 3ª ed. Idem, 2000. GIL, Gilberto. Todas as contas – Gil 60. Rio de Janeiro: Gegê Edições, 2003.
HOLLANDA, Heloísa Buarque de. 26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Editora Labor, 1976.
NETO, Torquato. Os últimos dias de paupéria – do lado de dentro. Rio de Janeiro: Editora Max Limonad, 1982.
NETO, Torquato. Os últimos dias de paupéria. Rio de Janeiro: Editora Pedra Q Ronca, 1973.

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