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Sérgio Ricardo (1932-2020)

João Lutfi, em arte conhecido como Sérgio Ricardo, foi um músico, compositor, ator, cineasta, artista plástico e escritor brasileiro nascido na cidade de Marília (SP) no dia 18 de junho de 1932. É irmão do diretor de fotografia Dib Lufti.

Descendente de família libanesa, começou a estudar música aos oito anos no conservatório de música da cidade natal. Iniciou sua carreira artística, como locutor e técnico de som, na Rádio Cultura, de São Vicente, aos 17 anos.

Em 1952, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou a carreira profissional como pianista em casas noturnas. Nesta época aprofundou seus conhecimentos musicais, estudando na Escola Nacional de Música.

Participou, no início dos anos 1960, do Movimento de Música de Resistência, promovido pelo Centro Popular de Cultura (CPC), da União Nacional dos Estudantes (UNE), e do primeiro núcleo de compositores de bossa nova. Neste período, conheceu Tom Jobim e, pouco depois, começou a compor e cantar.

Em 1960, gravou o LP A bossa romântica de Sérgio Ricardo, lançado comercialmente com destaque para a canção Pernas. Fez sucesso também com músicas como Zelão, Beto bom de bola e Ponto de partida.

Em 1962, participou do histórico Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall de Nova York (EUA), ao lado de Carlos Lyra, Tom Jobim, Roberto Menescal, João Gilberto e Sergio Mendes, entre outros.

No cinema, foi autor de trilhas sonoras de clássicos do cinema nacional, como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe, grandes símbolos do cinema novo, dirigidos por Glauber Rocha, integrou o primeiro núcleo de compositores da bossa nova e se diferenciou do grupo ao se interessar por problemas políticos e sociais.

Como cineasta, estreou na função filmando Esse Mundo é Meu, cuja estreia, em 1º de abril de 1964, coincidiu com a do Golpe Militar, condenando a fita ao fracasso. Na canção-tema, que dava nome ao filme, vaticinou o que aconteceria nos porões da ditadura.

Em 1967, em meio ao Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), protagonizou uma cena emblemática daquele período, ao se irritar com vaias vindas de parte do público: parou de cantar e quebrou seu próprio violão em pleno palco.

Em 1968, escreveu o roteiro musical para a peça de Ariano Suassuna O auto da compadecida, levada ao cinema pelo diretor George Jonas.

Após o sucesso do filme A Noite do Espantalho (1973), com apresentação em Cannes, Festival de Nova Iorque, dentre outros festivais, Sérgio se manteve mais ligado a projetos musicais. Sua volta ao cinema na década de 90 foi frustrada, tendo um projeto aprovado pela Embrafilme, coincidindo com sua extinção pelo Governo Collor.

Depois de quarenta anos, Sérgio Ricardo voltou a fazer um longa metragem: Bandeira de Retalhos (2018). Cansado de esperar por captação, decidiu fazer seu filme na marra, via crowdfunding.

Sérgio Ricardo faleceu, aos 88 anos, no Rio de Janeiro, no dia 23 de julho de 2020. Ele estava internado no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio, desde o mês de abril, quando contraiu Covid-19, e teve uma insuficiência cardíaca.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

2018 :: Bandeira de Retalhos
1974 :: A Noite do Espantalho
1968 :: Juliana do Amor Perdido
1965 :: O Pássaro Perdido (CM)
1964 :: Esse mundo é meu
1961 :: O Menino da Calça Branca

:: Filmografia como Compositor de Trilha Sonora ::

1974 :: A Noite do Espantalho
1968 :: Juliana do Amor Perdido
1967 :: Terra em Transe
1964 :: Deus e o Diabo na Terra do Sol
1961 :: O Menino da Calça Branca

:: Filmografia como Roteirista ::

2018 :: Bandeira de Retalhos
1974 :: A Noite do Espantalho
1968 :: Juliana do Amor Perdido
1964 :: Esse mundo é meu
1961 :: O Menino da Calça Branca

:: Filmografia como Produtor ::

1974 :: A Noite do Espantalho (Produtor Associado)
1964 :: Esse mundo é meu

:: Filmografia como Ele Mesmo ::

2019 :: Na Rota do Vento – O Cinema na Música de Sérgio Ricardo
2005 :: A câmera de Dib Lutfi (2005)
1997 :: Dib – O Fotógrafo do Cinema Novo

Publicações

Quem quebrou meu violão. : Record, 1991.
Canção Calada. : , 2019.

Bibliografia

:: Fontes de Referência ::

Livros:

PACE, Eliana. Sérgio Ricardo: canto vadio. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, .
HAGEMEYER, Rafael Rosa; SARAIVA, Daniel Lopes. Esse Mundo é Meu: as Artes de Sérgio Ricardo. : Appris Editora, 2019.

Internet:

G1. Músico Sérgio Ricardo morre aos 88 anos no Rio. Disponível no endereço: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/07/23/morre-no-rio-o-musico-sergio-ricardo.ghtml. Acesso em: 23 de julho de 2020.
HISTÓRIA DO CINEMA. Sérgio Ricardo. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/sergio-ricardo/
MEMÓRIAS DA DITADURA. Sérgio Ricardo. Disponível no endereço: http://memoriasdaditadura.org.br/artistas/sergio-ricardo/
SÉRGIO RICARDO. http://www.sergioricardo.com/. Acesso em: 08 de julho de 2010.

História do Cinema Brasileiro

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3 comentários sobre “Sérgio Ricardo (1932-2020)

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