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Sérgio Silva (1946-2012)

Biografia

Ainda estudante no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, descobriu sua vocação teatral ao atuar no “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna. A partir de 1975, foi ator, e também produtor e cenógrafo, em 21 espetáculos de teatro apresentados em Porto Alegre, com destaque para o período em que trabalhou com o Teatro Vivo da diretora Irene Brietzke, em uma série de montagens a partir de textos de Bertolt Brecht.

Formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1970, lecionou literatura no Colégio Israelita por doze anos, depois foi professor de dramaturgia no Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, até se aposentar em 2010.

Mas, como sempre declarou em entrevistas, “o cinema foi a sua diversão preferida desde os 6 ou 7 anos de idade”. Em 1961, tornou-se sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, e alguns anos mais tarde foi chamado por seu presidente P. F. Gastal para escrever crítica de cinema no jornal Correio do Povo, e depois na Folha da Manhã e Folha da Tarde.

Como diretor e roteirista, realizou 21 filmes, sendo a maior parte deles curtas-metragens e vários realizados nas bitolas 16 mm e super-8. Sem Tradição, Sem Família e Sem Propriedade, de 1968, é considerado um dos primeiros filmes em super-8 com intenção artística realizados no Brasil. Adiós, América do Sul em 1984 conquistou medalha de prata no Festival Internacional da Unica, em Saint-Nazaire, na França.

Nos anos 1980 realizou curtas já em 35 mm, aproveitando a vigência da Lei do Curta e a possibilidade de trabalho com equipes mais profissionalizadas. Ainda assim, seu primeiro longa-metragem, dirigido em parceria com o amigo e sócio Tuio Becker, foi em 16 mm: “Heimweh / Nostalgia” (1990), crônica ficcional da vida de um imigrante alemão no Rio Grande do Sul, totalmente falado em alemão.

Seu primeiro longa em 35 mm, com lançamento comercial em cinemas do país, só veio após o Plano Collor e a chamada Retomada do Cinema Brasileiro: Anahy de las Misiones (1997) conta a história de uma mulher, interpretada por Araci Esteves, que, durante a Guerra dos Farrapos, percorre os campos de batalha, pilhando os mortos em companhia de seus quatro filhos.

Quando Sérgio Silva foi indicado para receber o Prêmio Joaquim Felizardo da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, em janeiro de 2010, o Conselho do Prêmio justificou sua escolha pela qualidade do filme Anahy de las Misiones, considerado não apenas a melhor produção cinematográfica da história do cinema gaúcho como também a melhor entre todas aquelas que já se ocuparam da realidade sócio-cultural do Rio Grande do Sul em qualquer época.

O cineasta ficou conhecido nacionalmente pelo longa Anahy de las Misiones (1997), aclamado como um marco da Retomada e premiado com o troféu Candango de melhor filme. Professor do Departamento de Arte Dramática da UFRGS, Silva deixou um longa inédito em circuito: Quase um tango, ganhador do Kikito de melhor roteiro no Festival de Gramado de 2009.

Definido como um descendente indireto da estética western, marcado por um sotaque gaúcho, a produção Anahy de las Misiones (1997) projetou o realizador nacionalmente. Nascido em Porto Alegre, Silva vinha de uma trajetória de curtas-metragens, iniciada na década de 1980, com Adiós, América do Sul (1982), e impressionou a Retomada com sua habilidade de mesclar elementos do teatro moderno à narrativa cinematográfica. Fazer roteiros de tônica trágica era sua especialidade, já demonstrada em seu primeiro longa, Heimweh/ Nostalgia (1990), rodado em parceria com o crítico Tuio Becker, e exibido sem grande alarde.

Com “Anahy de las Misiones”, Silva conquistou o troféu Candango de melhor filme no Festival de Brasília de 1997 por utilizar referências da obra teatral de Bertolt Brecht para construir uma visão crítica (e feminina) da Guerra da Cisplatina (1825-1828). Consagrou ali uma parceria com a atriz Aracy Esteves, sua parceria ainda em Heimweh/ Nostalgia. Os dois voltariam a trabalhar juntos em Noite de São João (2003), uma adaptação da peça “Senhorita Julia”, de Strindberg, para o interior do Rio Grande do Sul. De carreira comercial reduzida, a produção rendeu os Kikitos de melhor ator e atriz coadjuvante para Marcelo Serrado e Dira Paes no Festival de Gramado, há nove anos.

Seu outro filme premiado em Gramado, o drama Quase um tango, é considerado um dos melhores filmes gaúchos da década passada. Ali, o realizador passou em revista a tradição latino-americana do folhetim num ensaio sobre decepções, tendo Vivianne Pasmanter e Marcos Palmeira em cena.

Em 12/08/2012, o Festival de Gramado prestou homenagem a Sérgio Silva e sua obra cinematográfica, mas ele não pôde comparecer por problemas de saúde. Três dias depois, morreu em sua casa, em Porto Alegre. O corpo do cineasta foi velado no Cemitério Ecumênico João XXIII, em Porto Alegre. Considerado um especialista no épico e no melodrama no cinema gaúcho contemporâneo, o diretor Sérgio Silva faleceu aos 66 anos em decorrência de complicações de saúde derivadas de um câncer de pulmão.

Filmografia

:: Filmografia Como Diretor ::

2009 :: Quase Um Tango…
2003 :: Noite de São João
1997 :: Anahy de las Misiones
1994 – Frau Olga, Fräulein Frieda (Curta, inacabado)
1993 – O Zeppelin Passou Por Aqui (Curta)
1990 :: Festa de Casamento
1990 – Heimweh / Nostalgia (Longa em 16 mm, co-dir. Tuio Becker)
1984 – A Divina Pelotense (Curta em 16mm)
1983 – Às Margens Plácidas (Curta em super-8)
1982 – Adiós América do Sul (Curta em super-8, co-dir. Tuio Becker)
1979 – Os Familiares (Curta em super-8)
1969 – Não tem sentido (Curta em 16 mm)
1969 – Scorpion (Curta em 16 mm, inacabado)
1968 – Sem Tradição, Sem família e Sem Propriedade (Curta em super-8)

:: Filmografia Como Ator ::

1995 – Delirio Erótico do Sr. Nelson Rodrigues
1988 – Mahagonny
1986 – A Boa Alma de Setsuan
1985 – Delírio e Paixão do Sr. Nelson Rodrigues
1984 – Champagne Para Mãe Tuda
1982 – O Rei da Vela
1981 – Happy End
1979 – Antígona
1975 – Boneca Teresa ou Canção de Amor e Morte de Gelsi e Valdinete
1974 – Rodolfo Valentino
1973 – A Ópera dos Três Vinténs

História do Cinema Brasileiro

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