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Sérgio Toledo

Biografia

Sérgio Toledo Segall, em arte inicialmente conhecido como Sérgio Segall e depois como Sérgio Toledo, é um cineasta, roteirista, montador e produtor de cinema e tv brasileiro nascido na cidade de São Paulo (SP) em 1956. Formado em Sociologia na Universidade de São Paulo (USP), e sendo filho de pais socialmente engajados, Sérgio Toledo produz excencialmente um cinema político. É filho do museólogo e dramaturgo Maurício Segall (1926) e da atriz Beatriz Segall (1933), e neto do pintor Lasar Segall (1891-1957) e da tradutora Jenny Klabin Segall (1901-1967).

Desde a infância, tem contato com as artes cênicas e o filme em super 8. No curso de Sociologia, na (USP), realiza seu primeira curta-metragem, codirigido pelo cineasta e amigo de infância Roberto Gervitz, o documentário Parada Geral (1975) que companha os grevistas na USP.

Em 1977, a dupla realiza o curta A História dos Ganha-Pouco, que acompanha dois candidatos a vereador e moradores da periferia de Osasco. Dois anos depois, lança o longa documental Braços Cruzados, Máquinas Paradas (1979), o processo eleitoral do sindicato dos metalúrgicos em São Paulo e a eclosão da primeira greve sindical em 14 anos na cidade. O filme, rodado com pouco dinheiro, em preto e branco e em 16 mm, segue a linha do cinema verité (cinema verdade): um documentário, com construção narrativa de tipo ficcional, criada a partir da montagem aliada a encenações para efeito dramático (caso do momento em que os operários efetivamente param).

Em 1977, Sérgio Toledo trabalhou como assistente de montagem de Maurício Wilke, em O Jogo da Vida, e como montador em Paixão e Sombras. Em 1982, exerce a mesma função em Das Tripas o Coração e em filmes publicitários. Nesse ano, funda a produtora Nexus Cinema e Vídeo com Rita Buzzar (1961).

Em 1986, produziu, dirigiu e escreveu o longa de ficção Vera, ganhador do Urso de Prata para a atriz Ana Beatriz Nogueira no Festival de Berlim, em 1987, e de vários prêmios no Festival de Brasília de 1986.

Em Vera, Toledo ainda confere cunho político e social ao enredo: uma trama existencial sobre a identidade de uma garota que cresce num orfanato para mulheres e desenvolve personalidade masculina. A personagem rejeita a noção de feminilidade e deseja trocar de sexo – única maneira pela qual, acredita, poderá resolver seus problemas. O enredo é uma reação contra a sociedade que rejeita a mulher que se sente homem. Toledo concebe Vera com competência técnica acima da média em sua época, com fotografia cheia de recortes de luz e de closes e trilha sonora dissonante.

Para a televisão, trabalhou como diretor nos canais fechados HBO, TVS, Channel 4 e TV1. Em 1991, o cineasta volta ao tema político, realizando o telefilme britânico One Man’s War (A Guerra de um Homem). O filme, estrelado por Anthony Hopkins, é baseado em fatos reais e mostra a luta, em plena ditadura Stroessner, do médico paraguaio Joel Filártiga (1932) contra o regime militar no país.

Pouco depois, abandona o cinema, fundando, com o primo Oscar Segall (1964), a construtora Klabin Segall S.A., incorporada em 2009 pelas empresas Agra e Veremonte, como forma de saldar as dívidas.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1991 :: One Man’s War (A Guerra de um Homem)
1986 :: Vera
1979 :: Braços Cruzados, Máquinas Paradas
1977 :: A História dos Ganha-Pouco
1975 :: Parada Geral (codirigido Roberto Gervitz)

:: Filmografia como Roteirista ::

1986 :: Vera
1978 :: A Força do Sexo

:: Filmografia como Montador ::

1982 :: Das Tripas o Coração
1977 :: Paixão e Sombras

:: Filmografia como Assistente de montagem ::

1977 :: O Jogo da Vida

:: Filmografia como Produtor ::

1991 :: One Man’s War (A Guerra de um Homem)
1986 :: Vera

1978 :: A Força do Sexo

Bibliografia

Livros:

AB’SABER, Tales Afonso Muxfeldt. A imagem fria: cinema e crise do sujeito no Brasil dos anos 80. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. p. 61-108.
BERNADET, Jean-Claude. Os jovens paulistas. In: BERNADET, Jean-Claude. O Desafio do Cinema. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p. 65-91
BILHARINHO, Guido. Vera: espaço e tempo. O Cinema Brasileiro nos Anos 80. Uberaba: Instituto Triangulino de Cultura, 2002. p.151-153.
MIRANDA, Luiz Fernando. Dicionário de cineastas brasileiros. São Paulo: Art/Secretaria de Estado de São Paulo, 1990.
MIRANDA, Luiz Fernando. Vittorio Capellaro. In: Enciclopédia do Cinema Brasileiro. São Paulo: SENAC, 2000.
RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art, 1987.

Periódicos:

BERNARDES, Marcelo. Ator ensina que atuar é ser verdadeiro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 jan. 1997. Caderno 2, p. D-9
BERNARDES, Marcelo. Fernanda Torres e Hopkins na TV. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24 out. 1993. Telejornal, p. T-15.
CANÇADO, Patrícia. Agra e empresário espanhol assumem a Klabin Segall. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 abr. 2009. Negócios, p. B-16.
FERNANDES, Carminha. A porção homem de uma menina-moça. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 abr. 1987., Caderno 2, p. 1.
FUTEMMA, Olga. Os trabalhadores e a estrutura sindical. Filme Cultura, Rio de Janeiro, n. 46, abr. 1986. p. 8-17.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Sérgio Toledo. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/sergio-toledo/
SÉRGIO Toledo Segall. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: . Acesso em: 02 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

História do Cinema Brasileiro

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2 comentários sobre “Sérgio Toledo

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