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Unida Filmes S.A.

Empresa

A Unida Filmes S.A. foi uma empresa distribuidora cinematográfica brasileira fundada no Rio de Janeiro em julho de 1946, por um grupo de exibidores independentes, mas que só passou a atuar no cinema brasileiro de forma mais efetiva a partir de janeiro de 1952.

O decreto nº 20.493, de 24 de janeiro de 1946, estabeleceu o novo regulamento do Serviço de Censura de Diversões Públicas, obrigando os cinemas lançadores a exibirem anualmente no mínimo três filmes nacionais de longa-metragem de ficção, classificados como de boa qualidade pelo Serviço de Censura. Além disso, reiterava que o preço mínimo de locação do filme de longa-metragem deveria ser de 50% da renda da bilheteria.

Alguns meses depois, de 17 a 22 de junho de 1946, realizou-se em São Paulo o I Congresso Nacional de Exibidores Cinematográficos, que, entre outras resoluções, recomendava aos exibidores nacionais inscreverem-se como acionistas ou quotistas das várias produtoras de reconhecida idoneidade, bem como a criação de uma Cooperativa de Fitas dos Exibidores, que se destinaria a produzir e a distribuir filmes. Um mês depois, em 20 de julho de 1946, a Unida Filmes S.A. era constituída em assembléia com um capital de Cr$ 400 mil e a participação de 15 acionistas, dentre os quais os exibidores como Domingos Vassalo Caruso, Francisco Cupello, Gabriel Martins Villela, Girolamo Cilento e Jaime de Campos Freixo.

Em 1951, o decreto nº 30.179, de 19 de novembro de 1951, instituiu em seu artigo 1º, que os cinemas existentes no território nacional ficavam obrigados a exibir filmes nacionais de longa-metragem, na proporção mínima de um nacional por oito estrangeiros. Trata-se da famosa Lei dos 8×1, que provocou uma violenta reação por parte dos exibidores. Um dos responsáveis pela aprovação desse decreto foi o empresário de comunicações, produtor de filmes e político filiado ao PTB, Rubens Berardo Carneiro da Cunha, que, em 1950, constituiu a Flama Produtora Cinematográfica Ltda., juntamente com seu irmão, o também empresário Carlos Berardo Carneiro da Cunha, e o cineasta Moacyr Fenelon, que incorpora à Flama a sua Cine-Produções Fenelon.

A partir de agosto de 1951, a imprensa se torna palco de uma grande polêmica em torno dessa nova lei de obrigatoriedade, envolvendo jornalistas, cronistas de cinema, cineastas e exibidores. Entre novembro de 1951 e janeiro de 1952, a disputa entre produtores e exibidores se acirra. O Sindicato Nacional dos Exibidores e Rubens Berardo tornam-se os principais antagonistas nessa batalha em torno da aprovação do decreto. A classe dos produtores é, enfim, vitoriosa.

Em fevereiro de 1952, no entanto, anuncia-se um grande acordo entre exibidores e produtores. Os primeiros haviam conseguido alterar a lei para um filme brasileiro a cada oito programas de filmes estrangeiros, e não mais a cada oito filmes. A paz selada implicava em outros arranjos conciliatórios, sendo o principal deles a definitiva entrada da Unida Filmes S.A. como a distribuidora dos filmes realizados pela Flama.

Bibliografia

Livros:

MELO, Luis Alberto Rocha. Cinema independente no Brasil: anos 1950. In: HAMBURGER, Esther (org.); SOUZA, Gustavo (org.); MENDONÇA, Leandro (oeg.); AMANCIO, Tunico (oeg.). Estudos de Cinema. São Paulo: Annablume/Fapesp/Socine, 2008. p. 377-381. (Estudos de Cinema – Socine, IX).
MELO, Luis Alberto Rocha. A Unida Filmes S.A. e a formação de um circuito independente. In: SOUZA, Gustavo et all (orgs.). XIII Estudos de Cinema e Audiovisual – Socine. Vol.2. São Paulo: Socine, 2012.
RAMOS, Fernão Pessoa; SCHVARZMANN, Scheila (orgs.). Nova história do cinema brasileiro – volume 1. São Paulo: Edições Sesc, 2018.

Periódicos:

A CINEDISTRI no campo da produção. Cine-Repórter (892). Ano XIX. São Paulo: 21 fev 1953, p. 04.
AS CONCLUSÕES do I Congresso Nacional de Exibidores Cinematográficos. Cine-Repórter (545). Ano XIII. São Paulo: 29 jun 1946, pp. 11-2.
BERARDO, Rubens. Resposta aos exibidores. Última Hora. Rio de Janeiro: 05 jan 1952, p. 04.
DUAS forças que se unem em prol do cinema nacional. Cine-Repórter (921). Vol. XX. São Paulo: 12 set 1953, s/p.
JÁ está dando frutos o I Congresso Nacional dos Exibidores Cinematográficos. Cine-Repórter (545). Ano XIII. São Paulo: 29 jun 1946, p. 30.
PAZ entre produtores e exibidores. Folha Carioca. Rio de Janeiro: 19 fev 1952, p. 04.
UMA explicação dos exibidores ao público e às autoridades do país. Última Hora. Rio de Janeiro: 05 jan 1952, p. 02.
UNIDA Filmes S.A.. Diário Oficial (Seção I) (183). Vol. 2, Ano LXXXV. Rio de Janeiro: 12 ago 1946, pp. 11636-7.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Unida Filmes. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/unida-filmes/

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