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Vanja Orico (1931-2015)

Biografia

FOTO Vanja OricoEvangelina Leiva de Carvalho Orico, em arte conhecida como Vanja Orico, foi uma atriz, cantora, compositora, cineasta, produtora e roteirista brasileira nascida no Rio de Janeiro (RJ) no dia 15 de novembro de 1931.

Filha do diplomata e escritor paraense Oswaldo Orico (que ingressou na Academia Brasileira de Letras aos 36 anos de idade), Vanja Orico, vai morar e estudar em Roma, ainda cedo, num colégio de freiras. Viveu em vários países da Europa e começou carreira como cantora de músicas folclóricas brasileiras.

Inicialmente, descoberta pelos cineastas Alberto Lattuada e Federico Fellini, quando atuava em Roma no show chamado Macumba, patrocinado pela RAI (Rádio e TV Italiana). Foi convidada para fazer Mulheres e Luzes (1950), filme de estreia de Fellini (codirigido junto com Lattuada), no qual Vanja aparece um momento especial da trama, no papel de uma ciganinha, cantando Meu Limão, meu Limoeiro. A música se torna um sucesso.

Como compositora, além da música Meu Limão Meu Limoeiro, também compôs diversas outras canções, como a Coplas, canção inspirada em refrão de Garcia Lorca.

De volta ao Brasil, ganhou projeção nacional e internacional ao participar, no papel de Maria Clódia, do premiadíssimo filme O Cangaceiro (1953), pela Vera Cruz. A cena em que, enciumada e mordida de amor, canta Sodade meu Bem Sodade para Teodoro, interpretado por Alberto Ruschel, sob os olhares desconfiados do Capitão Galdino, interpretado por Milton Ribeiro, é das mais fortes, densas e importantes do cinema brasileiro. Além de Sodade Meu Bem Sodade, Vanja canta Mulé Rendêra. Um Clássico do cinema nacional e duplamente premiado no festival internacional de Cannes, além de vários outros prêmios. Na época, foi assistido por um quarto da população brasileira.

Com o sucesso do filme, Vanja Orico tenta carreira internacional de cantora, tendo ficado várias semanas em cartaz em Paris, no principal Cabaré-teatro dos Champs Elysées. Sua carreira no cinema fica marcada pelo gênero Cangaço, ao participar de diversos outros filmes posteriores do mesmo gênero, como Lampião, Rei do Cangaço (1963) e Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro (1973).

Em 1955, Vanja apareceu na pele de uma índia Carajá, em Yalis, a Flor das Selvas, uma produção italiana, rodada em Roma e no Rio Araguaia, contando a trajetória de uma índia levada para a civilização. Esse filme a consagra como cantora e dançarina.

No ano seguinte atuou como Conchita, no filme Conchita, Un Der Ingenieur, uma produção alemã com direção de Franz Eishore. No elenco estava o também brasileiro Grande Otelo, Robert Freitag e Cyl Farney. Conchita é uma mestiça, de um país da América Latina, que se apaixona por um engenheiro alemão e, como não é retribuída, por vingança, incendeia os poços de petróleo.

Em 1957, Heitor Villa-Lobos, de Paris, escreveu sobre ela: Os cinco rivais da moreninha, bem brasileira, Vanja Orico: o canário – que aprende com os mestres; o coleiro – que canta nas alvoradas; a araponga – que imita os ferreiros do sertão; o sabiá – que sonoriza as florestas do Brasil e o tico-tico – que espalha fubá…. Alguns anos mais tarde, outro grande brasileiro, Jorge Amado, escreveu sobre ela: Vanja Orico, cantora, artista, cineasta, atuante figura cultural brasileira, presença que se impõe à admiração de todos que amam a arte, a literatura e a democracia.

Falando cinco idiomas, ficava fácil para ela trabalhar em qualquer país. Entre 1956/57, fez Rosa dos Ventos, um filme em cinco episódios, cada qual representando um país: URSS, China, Brasil, Itália e França. O capítulo brasileiro é baseado em uma história de Jorge Amado. Sob a direção de Alex Vianny, Vanja viveu Ana e o filme foi premiado no festival Tcheco de Karlovivary.

Atuou ao lado de Rui Guerra, Fábio Sabag e Eduardo Coutinho, em Os Mendigos, 1964, a primeira comédia do cinema novo. Ainda neste ano, interpretou Maria Bonita, no filme de Carlos Coimbra e Massaini, Lampião, Rei do Cangaço (1963).

Além da vida artística, Vanja Orico ficou conhecida como uma brasileira que lutou contra a ditadura militar e em 07 de novembro de 1968, durante o enterro do estudante Édson Luiz, morto pela repressão, apareceu em uma cena marcante que ficaria na memória de inúmeros brasileiros: de joelhos, lencinho branco na mão, se pôs defronte aos carros do exército aos gritos de Não atirem, somos todos brasileiros.

Em 1973, escreveu e dirigiu seu único longametragem, um drama sobre o menor abandonado, O Segredo da Rosa.

Em 1995, foi jurada no Festival de Gramado e, em 1996, lançou CD com Quinteto Violado.

Atriz essencialmente cinematográfica, participou de duas novelas apenas: O Tempo e o Vento (1967) e O Farol (1991).
Em 1993, dirigida por Nelson Pereira dos Santos, apareceu como uma parteira do conto de Guimarães Rosa no filme A Terceira Margem do Rio. Vanja participou em mais de 15 filmes premiados fora do Brasil. O seu último filme como atriz foi Impérios, com direção de Joel Barcellos.

Além de atriz, Vanja Orico foi argumentarista e produtora de cinema. O longametragem Ele o Boto, filme dirigido por Walter Lima Júnior, em 1986, foi uma produção sua.

Na vida pessoal, Vanja Orico foi casada com André Ronsenthal, com quem teve um filho, Adolpho Rosenthal, que é cineasta, produtor e diretor da TV.

A artista também teve o prazer de trabalhar no média-metragem Maria das Graças, sob a direção de seu filho.

A cantora, atriz e cineasta Vanja Orico faleceu no dia 28 de janeiro de 2015, no Rio de Janeiro, aos 83 anos. Ela sofria do mal de Alzheimer e enfrentava um câncer no intestino. O enterro aconteceu no dia seguinte no Cemitério São João Batista, na zona sul do Rio.

Filmografia

:: Filmografia como Atriz ::

:: Maria das Graças
1997 :: Impérios
1993 :: A Terceira Margem do Rio
1987 :: Ele, o Boto
1979 :: O Caçador de Esmeraldas
1974 :: O Leão do Norte
1974 :: O Segredo da Rosa
1973 :: Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro
1972 :: Arquivo (CM)
1972 :: Independência ou morte
1967 :: Em ritmo jovem
1967 :: Cangaceiros de Lampião
1966 :: O Santo Milagroso
1965 :: Arrastão (Les amants de la Mer) (França/Brasil)
1963 :: Lampião, Rei do Cangaço
1962 :: Os Mendigos
1959 :: Yalis, La Vergine Del Roncador (Yalis, a Flor das Selvas) (Itália) …. Índia Carajá
1957 :: Rosa dos Ventos (Die Windrose) (Episódio brasileiro: Ana) (Brasil/França/Itália/União Soviética/China)
1957 :: Paris Music Hall (França)
1956 :: S.O.S. Noronha (França/Itália/Alemanha)
1956 :: Club des Femmes (França/Itália)
1955 :: Paixão nas Selvas (Conchita, Un Der Ingenieur (Alemanha/Brasil) …. Conchita
1953 :: O Cangaceiro
1950 :: Luci del Varietà (Mulheres e Luzes) (Itália) (canta: meu Limão, meu Limoeiro)

:: Filmografia como Diretora ::

1974 :: O Segredo da Rosa

:: Filmografia como Ela Mesma ::

2008 :: O Velho Guerreiro Não Morrerá (CM)
1981 :: CHick Fowle, o Faixa Preta em Cinema (CM)

Bibliografia

Fontes de Referência

Livros:

SILVA NETO, Antônio Leão da. Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.
______. Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro: dicionário de atrizes e atores. São Paulo: Ed. do Autor / Fundação Nestlé de Cultura, 1998.

Internet:

A NOVA DEMOCRACIA. http://www.anovademocracia.com.br/no-3/1354-vanja-orico-a-arte-de-defender-o-povo/.
AGÊNCIA BRASIL – EBC. http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2015-01/morre-vanja-orico-atriz-do-primeiro-filme-brasileiro-premiado-em-cannes/.
HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Vanja Orico. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/vanja-orico/

História do Cinema Brasileiro

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