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Vicente Celestino (1894-1968)

Biografia

FOTO Vicente CelestinoAntônio Vicente Filipe Celestino, em arte mais conhecido como Vicente Celestino, foi um dos mais importantes cantores brasileiros do século XX, nascido na cidade do Rio de Janeiro (RJ) no dia 12 de setembro de 1894. Faleceu em São Paulo no dia 23 de agosto de 1968.

Nasceu no bairro de Santa Teresa, filho de imigrantes italianos oriundos da Calábria. Teve onze irmãos, dos seis homens, cinco dedicaram-se ao canto e um ao teatro (Amadeu Celestino). Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve de trabalhar como: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro, ator de circo e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.

Começou cantando para conhecidos e era fã de Enrico Caruso. Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes. Estreou profissionalmente cantando a valsa Flor do Mal no Teatro São José e fez muito sucesso. Estreou no teatro ligeiro em 1914, na revista de Eustórgio Wanderley, com música de J. Ribas, Chuá, Chuá. Entrou no seu primeiro disco vendendo milhares de cópias em 1915 na Odeon (Casa Edison), com as modinhas Flor do Mal e Os Que Sofrem.

Em 1917, passou a estudar canto e, devido à sua avantajada voz de tenor, participou de operetas, mas sem abandonar as modinhas, que o consagram.

Em 1920 montou uma companhia de operetas, mas sem nunca deixar o carnavalesco de lado, emplacando sucessos como Urubu Subiu. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção.

Na década de 30 começou a demonstrar seus dotes como compositor resultando em clássicas de seu reportório, como O Ébrio, sua música mais lembrada até hoje. Sua popularidade faz com que sua mulher, a cineasta Gilda Abreu, com quem casara em 1933, o leve ao cinema em 1946, para interpretar O Ébrio, estrondoso sucesso pelo Brasil. Faria mais um filme apenas, Coração Materno, em 1951, mas sem o mesmo sucesso. O cinema vem por acaso, pois sempre dá prioridade à carreira na música.

Vicente Celestino teve uma das mais longas carreiras entre os cantores brasileiros. Na fase mecânica de gravação, fez cerca de 28 discos com 52 canções. Com a gravação elétrica, em 1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento técnico, logo superada. Aí recomeçaria os sucessos cantados em todo o Brasil. Em 1935 foi contratado pela RCA VICTOR, praticamente daí sua única gravadora até falecer. No total, gravou em 78 RPM cerca de 137 discos com 265 músicas, mais dez compactos e 31 LPs, nestes também incluídas reedições dos 78 RPM.

Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: O Ébrio (1946) e Coração Materno (1951). Neles, Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904-1979), cantora, escritora, atriz e cineasta.

Vicente Celestino passaria incólume por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50, fiel ao seu estilo, gravou Conceição, Creio em Ti e Se Todos Fossem Iguais a Você. Seu eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como A Voz Orgulho do Brasil.

A partir da década de 1960, com o advento de outros movimentos musicais como a Jovem Guarda e a Tropicália, sua carreira entra em declínio, fazendo esporádicas apresentações. Em 1965, recebeu o título de Cidadão Paulistano pela Câmara de Vereadores desta cidade.

No dia 23 de agosto de 1968, quando se preparava para gravar um programa de televisão, onde seria homenageado pelo Movimento Tropicalista, passou mal no quarto do Hotel Normandie, em São Paulo, falecendo em decorrência de um ataque cardíaco minutos depois.

Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na famosa gafieira Pérola Negra, que seria gravado para um programa de televisão.

Seu corpo foi transferido para o Rio de Janeiro, onde foi velado por uma multidão na Câmara dos Vereadores e sepultado sob palmas do público.

Calava-se ali uma das mais bonitas e potentes vozes que o Brasil já teve, ele que recebera, em vida, do seu público, o carinhoso apelido de A Voz Orgulho do Brasil. Nunca saiu do Brasil e manteve sua voz grave que era marca registrada independente do estilo musical que estava executando. Teve suas músicas regravadas por grandes nomes, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte e Mutantes.

Em 1999, foi inaugurado em Conservatória o Museu Vicente Celestino, com acervo em sua maior parte doado pela família do artista, incluindo fotografias, recortes de jornais e revistas, instrumentos musicais, roupas e objetos pessoais do cantor, inclusive o figurino utilizado no filme O Ébrio. Os visitantes do museu também podem assistir a vídeos e ouvir gravações do artista.

Filmografia

:: Filmografia como Ator ::

1978 :: Mulheres do Cinema (CM) (cantando O Ébrio)
1951 :: Coração Materno
1946 :: O Ébrio
1929 :: O Palhaço

:: Filmografia como Autor de Canções ::

1949 :: Pinguinho de gente

Bibliografia

Livros:

ABREU, Gilda de. Minha Vida com Vicente Celestino. São Paulo: Batterfly, 2003.
SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Pedro Celestino. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/pedro-celestino/

História do Cinema Brasileiro

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