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Zózimo Bulbul (1937-2013)

Biografia

Jorge da Silva, em arte conhecido como Zózimo Bulbul, foi um ator, cineasta, roteirista e ex-modelo brasileiro nascido no Rio de Janeiro (RJ) no dia 21 de setembro de 1937. É considerado pioneiro ao registrar no cinema a temática da luta contra a desigualdade racial e pela afirmação da cultura afro descendente.

Começou sua carreira artística em produções teatrais do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi no cinema, no qual se tornou um dos maiores expoentes da cultura afro-brasileira, como fazia questão de ressaltar, nas décadas de 1960 e 70. Estreou nas telonas em 1962, no longa Cinco Vezes Favela, um dos no marcos do Cinema Novo.

Em 1965, atuou no filme Grande Sertão. Ao longo da carreira, fez mais de 30 filmes, incluindo clássicos como Terra em transe, de Glauber Rocha, Compasso de espera, de Antunes Filho e Grande Sertão, de Geraldo Santos Pereira.

Em 1969, Zózimo foi para a televisão, fazer par romântico com Leila Diniz, na novela Vidas em conflito, da TV Excelsior. O escândalo fez com que a censura da ditadura militar vetasse a novela.

Aproveitando-se da polêmica, o estilista Dener convidou Zózimo para desfilar, tornando-o o Foi também o primeiro manequim negro masculino de uma grife brasileira de alta-costura. Assim, o apresentador de tv Chacrinha chamava o ator Zózimo de o negro mais bonito do Brasil.

Na televisão, participou ainda de produções relevantes da teledramaturgia como Memorial de Maria Moura (1994), Xica da Silva (1996), etc.

Participou ainda de clássicos do Cinema Brasileiro como Terra em Transe (1966) e Quilombo (1984), mas destacou-se mesmo em Compasso de Espera, de 1973, em que fez um par romântico com uma branca rica, interpretada por Renée de Vielmond. Seu personagem é um poeta negro que convive com problemas existenciais por causa do preconceito do qual é constante vítima.

Está no elenco do filme As Filhas do Vento e no premiado Pureza Proibida.

Paralelamente à carreira de ator, dirige documentários e curtas-metragens, na maioria abordando o problema do negro no Brasil.

Como cineasta, seu filme mais conhecido, no entanto, é seu primeiro e único longa-metragem o documentário intitulado Abolição, com entrevistas de personalidades, que marcou o centenário da Abolição da Escravatura, descrevendo várias situações enfrentadas pelos afrodescedentes até hoje.

Foi fundador do Centro Afro Carioca de Cinema que, realizou o 6º Encontro de Cinema Negro Brasil/África. Realizou três curtas, cinco medias e um longa-metragem, todos com foco na cultura afro descendente e na luta contra as desigualdades.

Em 2010, a convite do governo do Senegal, Zózimo fez o média-metragem Renascimento Africano, que mostra o país nas comemorações dos 50 anos de independência deste país.

Uma das últimas entrevistas que concedeu foi para um documentário do cineasta americano Spike Lee. Em novembro, comentou como transcorreu a conversa: tinha morado em Nova York quando a ditadura apertou por aqui. Fiz muitos contatos, que sempre me ajudaram na organização dos festivais de cinema. Spike esteve no Brasil e o único cineasta brasileiro que quis entrevistar foi a mim. Porque ele sabia do meu comprometimento com os irmãos africanos e em fazer com que o cinema seja ferramenta de luta.

Zózimo Bulbul faleceu em consequências de um câncer no colo do intestino, que o vitimou aos 75 anos no dia 24 de janeiro de 2013. O ator e cineasta já estava enfraquecido pelo câncer que enfrentava havia alguns anos. Já falava com dificuldade e, mesmo debilitado pela doença, ainda estava muito atento aos noticiários da época e enalteceu a figura do presidente do STF, Joaquim Barbosa, na condução do julgamento do mensalão. Impôs-se com rigor e inteligência como não se via há muito.

Na ocasião de sua morte, Marta Suplicy, então Ministra da Cultura, divulgou nota de pesar: Zózimo Bulbul teve uma trajetória fantástica, reconhecida. Mais que um ícone do seu tempo, é alguém que rompe paradigmas, faz o novo e por isso se torna conhecido no Brasil e no exterior. Ele nos deixa o exemplo de quem sempre quis fazer mais e melhor. E fez.

Filmografia

:: Filmografia como Diretor ::

1999 :: Samba no trem
1988 :: Abolição
1981 :: Alma no olho
1980 :: Aniceto do Império em Dia de Alforria (CM)
1976 :: Alma no Olho (CM)
1974 :: Artesanato do Samba (codir.: Vera Figueiredo) (CM)

:: Filmografia como Ator ::

2010 :: O papel e o mar
2006 :: O veneno da madrugada
2004 :: Filhas do Vento
2004 :: Veja & Ouça – Maria Baderna no Brasil (CM)
2003 :: Oswaldo Cruz – O Médico do Brasil
2002 :: A Selva (Portugal/Brasil/Espanha)
1988 :: Natal da Portela (Brasil/França)
1987 :: Tanga (Deu no New York Times?)
1987 :: Memória Viva
1984 :: Quilombo
1982 :: A Menina e o Estuprador
1982 :: Terra, a Medida do Ter …. Narração
1980 :: Giselle
1979 :: Parceiros da Aventura
1978 :: A Deusa Negra (Nigéria/Brasil)
1976 :: Alma no Olho (CM)
1975 :: Ana, a Libertina
1974 :: El encanto del amor prohibido
1974 :: Pureza Proibida
1974 :: Brutos Inocentes
1973 :: Compasso de Espera
1973 :: Os Sóis da Ilha de Páscoa (Les Soleils de Ille de Pâques) (França/Brasil/Chile)
1973 :: Sagarana, O Duelo
1971 :: Quando as Mulheres Paqueram
1970 :: A Guerra dos Pelados
1970 :: O Palácio dos Anjos (Le Palais des Anges) (Brasil/França)
1970 :: República da Traição
1969 :: Em Compasso de Espera
1969 :: O Cangaceiro sem Deus
1969 :: A Compadecida
1968 :: O Homem Nu
1967 :: Terra em Transe
1967 :: Garota de Ipanema
1967 :: El Justicero
1967 :: O Engano
1967 :: Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz
1966 :: Onde a Terra Começa
1965 :: O Grande Sertão
1963 :: Ganga Zumba
1962 :: Cinco vezes Favela (Episódio: Pedreira de São Diogo)

Bibliografia

Livros:

SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2. ed. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.

Internet:

HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO. Zózimo Bulbul. Disponível no endereço: http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/zozimo-bulbul/
WIKIPEDIA. Zózimo Bulbul. Disponível no endereço: http://pt.wikipedia.org/wiki/Zózimo_Bulbul. Acesso em: 18 de nov. de 2011.

História do Cinema Brasileiro

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2 comentários sobre “Zózimo Bulbul (1937-2013)

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